Beth Thomas: a menina psicopata - A Mente é Maravilhosa

Beth Thomas: a menina psicopata

abril 11, 2017 em Psicologia 13270 Compartilhados
Beth Thomas

As pessoas que viveram nos anos 80 talvez se lembrem deste incrível caso que chocou todo o mundo. Conhecida como a menina psicopata, a pequena Beth Thomas aterrorizou toda a sua família. No entanto, por trás de tudo isto havia um fator desencadeante: um tipo de comportamento que até hoje nos causa arrepios.

Tudo que acontece na infância nos marca profundamente, por isso é muito importante um desenvolvimento saudável nessa primeira fase da vida. O problema é que, às vezes, isto não acontece e os problemas se manifestam ou intensificam muitos anos depois. Foi o que aconteceu com Beth Thomas, que sofreu uma série de circunstâncias na sua vida que lhe renderam o apelido de “menina psicopata”.

Dr. Ken: Seus pais têm medo de você?
Beth: Sim.
Dr. Ken: O que você quer fazer com eles?
Beth: Esfaqueá-los.

(Parte de uma conversa entre Beth e o psicólogo Ken Magid)

A história da menina psicopata

Esta é a história real de uma menina que perdeu sua mãe quando tinha apenas um ano de idade. Ela e seu irmão ficaram sob a tutela do pai biológico, que abusou sexualmente das duas crianças. Os médicos identificaram os abusos e depois de seis meses as crianças foram acolhidas por uma assistente social, e Beth e seu irmão mais novo foram adotados por um casal cristão.

Este casal era muito cuidadoso com os filhos. Eles tinham tentado conceber uma criança durante muitos anos e não conseguiram. Dessa forma, os dois receberam as crianças como um presente de Deus. No entanto, Beth começou a ter pesadelos sobre “um homem que caía sobre ela e a machucava”.

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Estes pesadelos preocupavam seus pais adotivos, mas o que realmente os alertou foram certos comportamentos da menina. Ela se tornou muito violenta com eles, com o seu irmão, e chegou até mesmo a matar animais de estimação. Era uma raiva que ela não conseguia controlar e era algo existente dentro dela. Além disso, ela também se masturbava compulsivamente em público, chegando a sangrar.

Esses fatos fizeram com que os seus pais procurassem um psicólogo clínico especializado em crianças vítimas de abuso sexual, o Dr. Ken Magid. O que ele descobriu sobre as consequências do abuso sexual na infância devido ao caso de Beth Thomas era muito revelador. Durante suas sessões de terapia, ele gravou um vídeo onde entrevistava a menina, onde mostrava como os pais viviam essa situação e algumas conversas com ela.

Beth conseguiu se recuperar

Dr. Ken Magid decidiu que, para o bem de Beth, era melhor interná-la. Ela foi diagnosticada com transtorno de apego, que a impedia de manter relacionamentos saudáveis com os outros. Devido a esse transtorno de conduta e à sua total falta de empatia com o outro, foram adotados certos hábitos e regras para que nenhuma outra criança fosse machucada por ela. Conforme Beth foi melhorando, as restrições foram diminuindo.

Apesar disso, surge uma dúvida: Beth Thomas era uma menina psicopata ou uma sociopata? Porque psicopatia é uma tendência antissocial inata, uma condição biológica onde determinadas áreas do cérebro relacionadas com as emoções, impulsos e tomada de decisões não são ativadas. No entanto, a sociopatia leva em conta o ambiente onde a pessoa vive, e no caso de Beth, seria o resultado de uma educação negligente. É uma suposição que ainda não está totalmente esclarecida e continua sendo assunto de muito debate entre os profissionais de saúde mental.

“Beth foi separada da sua família e submetida a uma sinistra ‘terapia do apego’, baseada principalmente no controle, repressão e humilhação das crianças”.
-Joseph Luis Cano Gil-

O tratamento imposto a Beth era muito rigoroso. Costumava ser aplicado especialmente em crianças com o mesmo transtorno, que não respeitavam regras e nem hábitos. Todo o trabalho realizado no centro de recuperação permitiu que Beth se adaptasse para viver em sociedade.
Ela aprendeu a controlar seus sentimentos de raiva e tomar consciência dos seus atos. A menina aprendeu a ter consciência das suas próprias ações através da sensibilização, aumentando a sua autoestima; conseguiu desenvolver a capacidade de aceitar normas e de gerir, canalizar e entender o motivo da raiva que sentia.

No entanto, terapeutas como José Luis Cano consideram que Beth aprendeu a fingir, porque a sua dor e o seu ódio não foram tratados, mas somente as consequências das suas ações negativas.

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Apesar de tudo isso, atualmente Beth tem uma vida normal. É enfermeira e faz palestras sobre métodos de criação dos filhos e sobre a terapia do apego. As suas realizações profissionais lhe renderam vários prêmios e a tornaram uma mulher muito bem-sucedida. Além disso, ela tem um ótimo relacionamento com seus colegas de trabalho e um sorriso que transmite muita cordialidade.

A história de Beth Thomas nos faz refletir sobre a importância de uma educação saudável. Neste caso, podemos ver como os abusos podem desencadear consequências terríveis. Também nos mostra que a terapia psicológica pode ser muito eficaz, mesmo em casos de extrema gravidade.

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