Biografia de Alfred Binet: como medir a inteligência?

Alfred Binet desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da psicologia experimental na França. Ele fez contribuições importantes para a medição da inteligência. Você sabe como surgiram os testes de inteligência usados ​​hoje?
Biografia de Alfred Binet: como medir a inteligência?

Última atualização: 06 Agosto, 2021

Hoje vamos expor uma breve biografia de Alfred Binet, um psicólogo francês famoso por desenvolver o primeiro teste de inteligência, amplamente utilizado até hoje. O teste surgiu depois que o governo francês o encarregou de desenvolver um instrumento que pudesse identificar crianças em idade escolar que precisavam de estudos corretivos.

Com seu colaborador Theodore Simon, ele criou a Escala de Inteligência Binet-Simon. Posteriormente, Lewis Terman revisou a escala e padronizou o teste com sujeitos retirados de uma amostra americana. Mais tarde, o teste ficou conhecido como escalas de inteligência Stanford-Binet.

A seguir, analisaremos a vida de Alfred Binet e nos aprofundaremos, com mais detalhes, nas principais características de seus testes de inteligência e nas suas contribuições.

Cérebro colorido

Biografia de Alfred Binet: infância e juventude

Binet nasceu em Nice, sendo o único filho de um casamento formado por um médico e uma artista. Na juventude, Binet não foi um aluno excepcional nem muito promissor, embora tenha mostrado algum talento e muita vontade de trabalhar. Depois de se formar no Lycée Louis-le-Grand, ele estudou direito e se formou em jurisprudência.

A riqueza de sua família tornava desnecessário o exercício da advocacia. Então, ele passava seu tempo lendo sobre psicologia na Biblioteca Nacional da França,  uma instituição aparentemente muito formal.

Em 1880, Binet publicou um artigo relacionado à psicologia, embora tenha sido amplamente criticado quando souberam que havia sido plagiado.

O assunto do magnetismo animal, também conhecido como hipnose, despertou o interesse de Binet por um tempo e ele publicou vários artigos sobre magnetismo. Seus artigos detalham como os ímãs podem mudar emoções, influenciar percepções e alcançar todos os tipos de efeitos.

Para a vergonha de Binet, suas descobertas foram consideradas fraudes, produto do uso de uma metodologia experimental rasa.

Alterando o curso

Dois anos depois, começou a trabalhar no Hospital Salpêtrière de Paris, onde seus métodos de formação científica começaram a se consolidar.

Binet tornou-se aluno de Jean Martin Charcot, com quem permaneceu até 1891. Binet aceitou sem reservas e defendeu veementemente os métodos de Charcot e suas doutrinas sobre transferência hipnótica e polarização.

Posteriormente, ele foi forçado a aceitar os contra-ataques de Delboeuf, da Escola de Nancy. Esse fato causou uma divisão entre o aluno e o professor. No entanto, a aceitação de seus erros de julgamento moderou seus métodos posteriores.

Binet também estudou Hippolyte Taine, Théodule Armand Ribot e John Stuart Mill. Em 1884, Binet casou-se com Laure Balbiani, filha de Edouard-Gérard Balbiani, um embriologista do Collège de France; o casamento gerou duas filhas.

Em 1887, foi premiado pela Academia Francesa de Ciências Morais e Políticas. Ele trabalhou com seu sogro, que dava palestras sobre heranças. Ele também escreveu sobre livre arbítrio e determinismo, além de estudar psicologia judicial.

Em 1890, Binet interrompeu sua conexão com o Hospital Salpêtrière. Posteriormente, ele conduziu um estudo dos processos cognitivos e usou suas filhas como objetos de estudo.

Curiosamente, embora a diferença de idade entre as filhas tornasse as diferenças de desenvolvimento bastante claras, Binet nunca pensou em levar essa observação adiante. Essa teoria teria que esperar por Jean Piaget.

Colaboração com Beaunis e Sorbonne na biografia de Alfred Binet

Em 1891, Binet conheceu o Dr. Henri Beaunis e pediu-lhe um emprego na Universidade de Sorbonne. Apesar das acaloradas discussões sobre hipnose, Beaunis concordou em lhe empregar, possivelmente porque o rico Binet não precisava de um salário.

Em 1892, foi nomeado vice-diretor do laboratório de psicologia fisiológica criado na Sorbonne em 1889 e dirigido por Henri Beaunis. Nesse mesmo ano, concluiu o doutorado em ciências naturais e sua dissertação tratou da correlação entre a fisiologia e o comportamento dos insetos.

Em 1895, Binet e Beaunis fundaram o primeiro jornal francês de psicologia, L’Année psychologique, que ainda está ativo hoje. No mesmo ano, ele sucedeu Beaunis à frente do Laboratório, agora vinculado à École Pratique des Hautes Études, onde trabalhou até a sua morte em 1911.

Visão do cérebro

O teste de inteligência de Binet

Binet ficou impressionado com a tentativa do psicólogo inglês Sir Francis Galton (1822-1911) de registrar diferenças individuais por meio de testes padronizados. Ele adaptou o método de Galton para estudar escritores, artistas, matemáticos e jogadores de xadrez promissores. Ao fazer isso, ele complementou os testes com observações sobre o biotipo, a escrita e outras características.

Em 1903, ele concluiu uma obra notável: O Estudo Experimental de Inteligência. Esta pesquisa descreveu as características mentais de suas duas filhas. Para conseguir isso, ele desenvolveu o estudo sistemático de dois tipos de personalidades contrastantes.

Seus experimentos demonstraram a impossibilidade de traduzir o raciocínio em termos sensoriais, além de provar que a coesão e a atividade racional eram independentes entre si, no que diz respeito à visualização de imagens. Cientistas como R. S. Woodworth e K. Bühler chegaram a resultados semelhantes em 1907.

Com relação à avaliação de inteligência, Binet reconheceu que um teste de inteligência poderia fornecer apenas uma amostra de todos os comportamentos inteligentes de um indivíduo. Desta forma, Binet expressou que um teste de inteligência não era defintivo para qualquer indivíduo.

Além disso, Binet escreveu que o objetivo de um teste de inteligência era classificar, não medir. A noção de quociente de inteligência foi proposta pelo psicólogo alemão William Stern e veementemente rejeitada por Binet. Seu principal argumento era que a natureza da inteligência é muito complexa para ser capturada em um único número.

Contribuições de Alfred Binet para a psicologia

Hoje, Alfred Binet é frequentemente citado como um dos psicólogos mais influentes da história. Embora sua escala de inteligência sirva de base para testes de inteligência modernos, o próprio Binet não acreditava que seu teste medisse um grau permanente ou inato de inteligência.

“Inteligência é a capacidade de tomar e manter uma determinada direção, de se adaptar a novas situações e de criticar as próprias ações”.
-Alfred Binet-

De acordo com Binet, a pontuação de um indivíduo em um teste de inteligência pode variar com o tempo. Ele também sugeriu que fatores como motivação e outras variáveis ​​podem desempenhar um papel nos resultados. O que não há dúvida é que seus estudos contribuíram enormemente para estudos posteriores e expandiram, um pouco mais, o campo da psicologia.

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  • Binet, A., & González-Llana, F. (1913). Las ideas modernas acerca de los niños. Librería Gutenberg de José Ruiz.
  • Binet, A. (1983). La inteligencia: su medida y educación. Infancia y Aprendizaje, 6(22), 115-120.
  • Voyat, G. (1983). El auténtico mundo de Alfred Binet. Infancia y Aprendizaje, 6(22), 109-114.