Biografia de Emily Dickinson: uma mulher enigmática

março 22, 2020
Existem muitos enigmas em torno da vida de Emily Dickinson, uma das maiores poetisas americanas da história. O que está claro é que, com seu trabalho, ela rompeu barreiras. Além disso, ela foi uma mulher muito singular, ao redor da qual surgiram muitas lendas.

Conheça a biografia de Emily Dickinson, considerada uma das maiores poetisas de todos os tempos, embora durante a sua vida tenha publicado apenas seis poemas sem muito sucesso. Ela era uma mulher muito enigmática, a ponto de estudiosos ainda não compreenderem muitos aspectos de sua vida.

Um desses mistérios gira em torno dos pelo menos 300 poemas de amor que ela escreveu apaixonadamente para alguém. Não está claro quem era esse grande amor, principalmente porque ela nunca teve um relacionamento amoroso. Inclusive, Emily Dickinson morreu solteira e, provavelmente, também virgem.

Se leio um livro e ele deixa meu corpo inteiro tão frio que fogo nenhum pode me aquecer, sei que é poesia”.
-Emily Dickinson-

Também não está claro se alguns de seus hábitos eram apenas excentricidades ou se ela sofria de algum problema emocional ou mental mais sério. O que é evidente é que ela era uma poetisa extraordinária, e que atualmente é comparada aos melhores, como Edgar Allan Poe e Walt Whitman.

Livro aberto na natureza

Emily Dickinson teve uma infância feliz

Emily Dickinson nasceu em uma família muito privilegiada da Nova Inglaterra. Sua família carregava uma forte tradição protestante e puritana, que influenciou profundamente sua vida e obra. No entanto, ela nunca se definiu completamente: às vezes, parecia uma mística clássica, em outras, pagã.

Emily veio ao mundo em 10 de dezembro de 1830, em Amherst, Massachusetts (Estados Unidos). Seu pai, como outros membros da família, ocupava posições importantes no governo.

Sua família foi pioneira na promoção da abertura de um centro educacional para meninas, que na época raramente recebiam uma educação formal.

A futura poetisa recebeu sua primeira formação naquela escola e lá se aprofundou no conhecimento das ciências básicas. Além disso, ela recebeu aulas de piano de sua tia e outras aulas particulares que incluíam jardinagem e horticultura, atividades que ela amou até o último dia de sua vida. Ela também era uma grande fã de astronomia.

Uma jovem peculiar

Após concluir sua educação básica, Emily Dickinson foi estudar em um seminário para jovens. Lá, eles forneciam formação acadêmica, mas o objetivo principal era educar missionários religiosos.

Propuseram a ela que se engajasse nessa atividade, mas depois de muito pensar, ela decidiu não fazer isso. Portanto, ela se formou como “não convertida”.

Na realidade, ela deixou o seminário devido a um problema de saúde. Sabe-se que desde jovem ela gostava de poesia e adorava inventar histórias com as quais entretinha seus colegas. Já fora do seminário, voltou para a casa de seu pai e lá permaneceu pelo resto da vida.

Dois homens despertaram um enorme interesse nela. Um deles era Benjamin Franklin Newton, um homem brilhante e inteligente, que entrou em sua vida para recomendar leituras e lisonjear sua inteligência. No entanto, esse possível pretendente estava doente de tuberculose e, talvez por isso, tenha sido afastado dela. Ele morreu pouco depois, causando-lhe uma grande dor.

O outro homem era Charles Wasdworth, um pastor que também era um pianista reconhecido. Ele era casado e, supostamente, se afastou dela para não “cair em tentação”. No entanto, isso não foi totalmente comprovado. Ela o admirava profundamente, mas ele também morreu.

Foto de Emily Dickinson

Excentricidades e genialidade na biografia de Emily Dickinson

Muitos de seus biógrafos especulam que seus poemas de amor eram dedicados a esses homens. No entanto, existe uma versão mais plausível segundo a qual o objeto de seu afeto era Susan Gilbert, sua amiga de infância e esposa de seu irmão. Isso explicaria o porquê de tanto mistério acerca de seus afetos.

Emily Dickinson se recusou não apenas a publicar seu trabalho, mas também a compartilhá-lo com aqueles próximos a ela. Portanto, apenas seis dos seus mais de 1.800 poemas foram publicados enquanto ela era viva.

Ela passou os últimos 15 anos de sua vida reclusa, primeiro em sua casa e depois exclusivamente em seu quarto. Ela também adotou o hábito de vestir apenas branco.

Durante esse tempo, ela saía somente para o seu amado jardim, passando o resto do tempo em seu confinamento voluntário. Ela morreu em decorrência de um problema renal em 15 de maio de 1886.

Sua irmã mais nova e fiel admiradora, Vinnie, foi quem encontrou os 40 volumes de poesia, encadernados à mão, que Emily escondia. A própria Vinne divulgou esse trabalho extraordinário ao mundo.

Chávez, F. E. (2007). El silencio de Dickinson. Lectora: revista de dones i textualitat, (13), 61-68.