Biografia de Pierre Janet e a corrente da análise psicológica

04 Março, 2021
Sem dúvidas, Pierre Janet foi uma das figuras que mais contribuiu para o estudo do inconsciente. Ele também foi um dos principais pesquisadores do que, posteriormente, tornou-se o antifreudismo.

Hoje vamos expor uma breve biografia de Pierre Janet, o fundador de uma corrente francesa que ficou conhecida como análise psicológica. Além disso, foi um dos grandes teóricos do fenômeno conhecido como automatismo psicológico e da histeria. Com base na sua tese, formou-se o que hoje é conhecido como psicologia dinâmica, bem como a psiquiatria dinâmica.

Em sua época, Pierre Janet foi famoso em todo o mundo. Sem dúvidas, foi um dos pioneiros no estudo dos fenômenos inconscientes. Manteve uma grande polêmica com Sigmund Freud durante anos. Este fato faria com que seu nome fosse ainda mais conhecido. No começo, qualificou Freud como um farsante, dizia que ele havia plagiado suas ideias e trocado de nome. Também sugeriu que ele era perverso, obcecado pela sexualidade.

“Quanto às suas falhas ou às de terceiros, previna-as, repare-as e esqueça-as.”
– Pierre Janet –

Pierre Janet foi fundamental para que a psicologia se tornasse uma disciplina independente da filosofia e da medicina na França. Foi fundador da Associação de Psicologia na França que, mais tarde, se tornou a Associação Francesa de Psicologia. Tal instituição foi a segunda a ser criada no mundo, depois dos Estados Unidos.

Mente em pedaços

Os primeiros anos da biografia de Pierre Janet

Pierre Janet nasceu em Paris em 30 de maio de 1859. Ele vinha de uma família de classe média alta, agnóstica e liberal. Em sua linhagem, estava clara uma inclinação intelectual. Os Janets geraram importantes estudiosos, professores, juristas e filósofos. O mais famoso deles foi Paul Janet, tio de Pierre que teve uma grande influência em sua vida.

Sua mãe tinha 21 anos quando ele nasceu e seu pai tinha o dobro da sua idade. Ele tinha dois irmãos mais novos, Jules e Margarita. Aos 15 anos, Pierre Janet sofreu uma forte depressão e, como consequência, foi forçado a interromper seus estudos. Diz-se que ele enfrentou uma “crise religiosa”. Depois de um tempo, ele se recuperou e se entregou ao estudo da Filosofia, com especial interesse pela Psicologia. Naquela época, a Psicologia era uma área da Filosofia.

Aos 22 anos, começou a trabalhar como professor de Filosofia no Colégio Le Havre. No entanto, ele passava a maior parte de seu tempo livre como voluntário no hospital de mesmo nome. Ele estava fazendo pesquisas sobre vários fenômenos psicológicos, em particular sobre as alucinações verbais. Este foi o tema da sua tese de doutorado em Letras.

A hipnose e os automatismos

Como resultado de suas pesquisas, ele entrou em contato com um médico chamado Gilbert. Este médico contou a ele sobre um caso notável: Léonie. Pierre Janet ficou obcecado com o caso dessa mulher durante anos. Janet tentou e provou que conseguia hipnotizá-la com frequência, tanto estando perto dela quanto à distância. Também mostrou que era possível sugerir que ela seguisse todas as instruções dadas por ele.

Por conta desse episódio, surgiu uma carta que chegou às mãos de Charcot, que ficou impressionado com o assunto. Mais tarde, Pierre Janet começou a desenvolver um trabalho clínico regular com pacientes histéricos em Le Havre. Em 1889, ele publicou seu livro O Automatismo Psicológico.

Posteriormente, Janet estudou Medicina e começou a escrever sobre suas pesquisas e os assuntos que mais o fascinavam: a hipnose, o automatismo, o inconsciente e outros. Mais tarde, tornou-se professor da Sorbonne e seus conhecimentos foram aplaudidos e aclamados pelo resto do mundo. Ele deu palestras e começou a ganhar popularidade entre os setores de pesquisa.

Engrenagens do cérebro

Um debate amargo

Sigmund Freud era mais jovem que Pierre Janet e começou sua pesquisa mais tarde. Ele também era próximo de Charcot e se interessava pelos fenômenos histéricos. No entanto, suas conclusões eram muito diferentes das de Janet. Este nunca deu maior importância à sexualidade e também não desenvolveu nenhuma técnica semelhante à da associação livre da psicanálise.

À medida que Freud crescia em importância, Pierre Janet começou a denunciá-lo por plágio. Este foi o início do antifreudismo que sobrevive até hoje. A verdade é que a obra de Freud começou a brilhar com luz própria e outros nomes foram relegados à sombra. Conta-se que, em abril de 1937, Janet pediu a Freud que o recebesse em sua casa, mas ele se recusou. Freud nunca perdoou Janet pela difamação a que foi submetido.

A biografia de Pierre Janet tem seu fim com a sua morte em 27 de fevereiro de 1947, aos 88 anos, vítima de congestão pulmonar. Ele adquiriu um grande prestígio mundial na época do seu falecimento.

Sua obra continua a iluminar o trabalho de muitos psicólogos e psiquiatras. Antes de morrer, ele pediu que os arquivos dos mais de 5 mil pacientes que atendeu fossem queimados. Este foi um gesto que demonstrou seu grande zelo e ética profissional.

  • Domenjó, B. A. (1991). «Pierre Janet, un contemporáneo de Sigmund Freud. La noción del inconsciente». Anuario de psicología/The UB Journal of psychology, (50), 99-108.