Cadeiras vazias: quando o Natal é tingido de nostalgia

Cadeiras vazias: quando o Natal é tingido de nostalgia

Fevereiro 10, 2017 em Psicologia 154 Compartilhados
Cadeiras vazias: quando o Natal é tingido de nostalgia

Mesa posta. Cadeiras vazias. Relacionamentos destroçados. Famílias separadas. O Natal, tempo de festa e reencontros, é tingido de nostalgia, tristeza, angústia, desassossego. Já não existe o brilho dessas datas. Já não sentimos a alegria na nossa cadeira.

Não. Não há flashes porque falta alguém, porque tudo mudou tanto ao longo dos anos que perdemos a maravilhosa ilusão que nos invadia quando éramos crianças, já não mantemos a inocência que na época nos fazia desfrutar de cada pequeno detalhe, porque qualquer coisinha estava cheia da magia inabalável que os rancores e as ausências do presente não nos permitem desfrutar.

Por que nestes momentos essa tristeza nos invade? Quando as festas de fim de ano estão se aproximando e começam os preparativos, os presentes, a decoração e a escolha de um menu, é quando as lembranças voam e planam em nossa mente. Não podemos evitar. O poder do espírito natalino nos faz cobrar mais as ausências, sejam elas voluntárias ou involuntárias.

gorro-de-natal-jogado-no-chao

Quantos somos no dia 24? E no dia 25? Quem vem e para onde eu vou?

Quantos somos no dia 24? Quem vem e para onde eu vou? Inevitavelmente, diante dessas perguntas aparecem as cadeiras vazias. Cadeiras vazias que correspondem a pessoas que não estão, pessoas que se afastaram ou pessoas que faleceram. Lembranças de tempos vividos, tempos que agora nos fazem sentir mais felizes, mais realizados, mais nossos do que os que estão por vir e, é claro, os de agora.

“A pessoa que está longe, a que a vida levou por outro caminho, a que escolheu não estar, a que se afastou, a que a morte levou. Cadeiras vazias que, embora ninguém as ocupe fisicamente, nessas datas estão conosco para trazer o sofrimento para o momento presente.”
Compartilhar

Um sofrimento que manteríamos anestesiado, adormecido pela cotidianidade da vida. E sim, as cadeiras vazias machucam, enchem nossos olhos de lágrimas, nossa alma de dor e de abraços contidos que ficam sem corpos a que agarrar.

Sim, elas doem. Mas nessas cadeiras vazias há um espaço para abraçar, para aceitar e para nomear sem receio. Digo sem receio porque não podemos nos esquecer de que, mesmo que possamos chorar pelas vazias, as cadeiras ocupadas merecem o nosso sorriso.

Não é preciso nos obrigarmos a estar alegres, mas é uma boa ideia buscar um estado de paz e de calma neste dia. O medo, a coragem e a tristeza não são perenes, embora nos causem temor.
Compartilhar

cadeiras-vazias-natal

O Natal é uma contradição

O Natal é uma contradição por si só. A magia que gera compartilhar momentos e nos reencontrarmos bate de frente com a aflição que as ausências nos fazem sentir, o anseio pela pessoa falecida ou o rancor por uma cadeira vazia escolhida ou provocada pelos desencontros do ano que encerramos e dos anos que passaram.

Neste sentido, é muito importante entre os presentes que se fale com naturalidade, que essa sensação seja tirada do coração. Porque caso contrário, a sombra da cadeira vazia irá se contagiar de um ânimo contraditório e será criado um ambiente de palavras quebradas.

Não podemos esquecer que há cadeiras vazias, mas também há cadeiras ocupadas, cheias de presença e de amor. Provavelmente nem todas as cadeiras ocupadas nos gerem bem-estar, mas isso não deve diminuir a possibilidade de desfrutar das pessoas nas cadeiras que nos agradam. É importante lembrar que a vida, por definição, irá nos separar em algum momento das cadeiras que hoje amamos.

bonecos-de-neve

Então nessas datas, positivas para uns e negativas para outros, não podemos nos esquecer de brindar por tudo aquilo que nos é oferecido. Porque é sempre bom levantar a taça e agradecer pelo fato de que o nosso coração continua batendo. Dando paz às cadeiras ocupadas e recordando os bons tempos em que as cadeiras vazias estavam entre nós.

Recomendados para você