Carências internas: o que criticamos nos outros diz muito sobre nós

Carências internas: o que criticamos nos outros diz muito sobre nós mesmos

10, dezembro 2016 em Psicologia 9064 Compartilhados
Carências internas: o que criticamos nos outros diz muito sobre nós

Quando nossas carências internas nos impedem de julgar os outros de forma sadia, aparece o que se chama de projeção negativa. Uma série de mecanismos de defesa que atribuem a outras pessoas nossos próprios defeitos, e inclusive nossas próprias carências. Em situações de conflito emocional, atribuímos a outras pessoas os sentimentos ou pensamentos próprios que são inaceitáveis para nós mesmos.

Projetam-se os sentimentos ou pensamentos que não são aceitos como próprios porque provocam angústia ou ansiedade, dirigindo-os a alguém ou atribuindo-os como se fossem totalmente de outra pessoa.

Grande parte do trabalho que se faz no desenvolvimento pessoal consiste em se libertar dessas projeções, estabelecendo um limite definido entre a descrição que fazemos do que acontece e o que acontece realmente. Desta forma, evitamos a distorção dos fatos superando o conflito que na verdade só existe em nosso interior.

“Não vemos os outros como são, mas sim como somos nós mesmos.”
-Emmanuel Kant-

A defesa do eu nas carências pessoais

A projeção externa das próprias carências pessoais que nos provocam ansiedade ou angústia acontece para manter um bom conceito próprio. A autoestima e os mecanismos de defesa têm um papel fundamental na defesa do eu. Os chamados mecanismos de defesa do eu são estratégias que usamos sem perceber, cuja função é preservar nossa autoimagem e autoconceito.

Nosso cérebro parece ter desenvolvido diferentes formas de proteger nosso organismo daquilo que nos parece doloroso demais ou inaceitável. Os mecanismos de defesa são estratégias para brecar o mal-estar de certas vivências e os sentimentos associados a elas. Estes mecanismos nos protegem quando não queremos reconhecer algum aspecto de nós mesmos que nos desagrada ou que rompe o autoconceito que havíamos criado.

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O problema aparece quando estes mecanismos se manifestam de forma automática por serem usados vez após vez. Então, torna-se difícil abandonar o hábito. É normal usar esses mecanismos às vezes, mas é preciso saber identificá-los e combatê-los para não distorcer a realidade segundo o nosso próprio ego.

Estes mecanismos de defesa podem se voltar contra nós, introduzindo distorções importantes na nossa própria percepção, além de torná-las mais complicadas de identificar porque ficam facilmente camufladas entre nossas percepções mais realistas.

Nosso mecanismo de defesa consiste em parecermos fortes quando estamos frágeis, e frágeis quando estamos fortes.
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O que vemos nos outros fala muito sobre nós mesmos

Os outros agem como um espelho para a nossa mente, nele vemos refletidas diferentes qualidades ou aspectos do nosso próprio ser. Quando observamos alguma coisa que não gostamos em alguém, sentindo desagrado e rejeição, isto pode indicar que de alguma forma esse aspecto nos desagrada também em nós mesmos. A projeção psicológica nos faz pensar que o defeito apenas existe ali fora, nessa outra pessoa.

A projeção psicológica é um mecanismo de defesa mental mediante o qual uma pessoa atribui a outras pessoas sentimentos, pensamentos ou impulsos próprios que nega ou que são inaceitáveis para si mesma. Quando a nossa mente entende que existe uma ameaça para a saúde mental, esta irá atribuir qualidades inaceitáveis a um sujeito externo a nós mesmos.

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Desta forma, nossa mente consegue se enganar e colocar outros conteúdos ameaçadores para fora de si mesma. Estas projeções são válidas tanto para as características negativas, como ódio, rancor, inveja, quanto para as positivas, admiração, idealização, carinho. Portanto, quando criticamos em excesso as outras pessoas, é possível que estejamos criticando a nós mesmos.

“Tudo que incomoda você sobre outros seres é apenas uma projeção do que você não resolveu em si mesmo.”
-Buda-

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