Carl Hovland: biografia e estudo sobre comunicação persuasiva

maio 27, 2019
Carl Hovland acreditava firmemente que, se os meios de comunicação eram capazes de mudar opiniões e atitudes no público, também poderiam ser considerados uma ferramenta eficaz em questões sociais sérias, como preconceitos ou estereótipos.

Carl Hovland foi um brilhante psicólogo experimental que não pertencia a nenhuma abordagem psicológica em especial, mas cujas pesquisas lançaram as bases para inúmeros modelos psicológicos sociais, experimentais e cognitivos. Carl Hovland foi um dos psicólogos mais influentes do século XX.

A sua carreira profissional foi dedicada à pesquisa no campo da persuasão, das dinâmicas de grupo, comunicação e pensamento. Toda a sua vida acadêmica transcorreu na Universidade de Yale. Ele também colaborou em trabalhos de pesquisas muito importantes para o Exército dos Estados Unidos e a Fundação Rockefeller.

Ele foi o ‘pai fundador’ da famosa escola ou grupo de Yale e realizou as primeiras pesquisas sobre persuasão e comunicação persuasiva. Os resultados de suas pesquisas são conhecidos como o modelo Hovland-Yale.

Foi durante a Segunda Guerra Mundial que Carl Hovland, enquanto trabalhava para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos, desenvolveu os seus estudos sobre motivação e mudança de atitude dos soldados.

Soldados se comunicando

Sua vida

Hovland nasceu em Chicago em 1912. Foi uma criança inteligente e introvertida que tinha dificuldade em socializar com seus colegas de classe. No entanto, os seus professores o descreveram como um estudante brilhante e tímido, que vivia em seu mundo de sonhos e achava difícil se relacionar com o grupo.

Ele estudou Matemática, Biologia, Física e Psicologia Experimental na Northwestern University. Posteriormente, completou os seus estudos de pós-graduação na Universidade de Yale. Dessa forma, teve a oportunidade de ser influenciado por muitos psicólogos importantes do momento, como Clark L. Hull, que foi o seu mentor e com quem trabalharia durante vários anos.

Durante o seu curso de pós-graduação, ele publicou seis artigos acadêmicos. Terminados os seus estudos, ele permaneceu como professor em Yale pelo restante de sua carreira profissional. Em torno do seu trabalho, foi criado um grupo de pesquisa conhecido como o grupo de Yale.

Ele se casou em 1938 e formou uma família. A Segunda Guerra Mundial interrompeu as suas pesquisas em Yale, e ele foi convocado pelo Departamento de Defesa e continuou os seus estudos sobre a eficácia da propaganda e os filmes de treinamento para os soldados.

O objetivo dessa propaganda era elevar a moral dos soldados que estavam lutando contra as tropas japonesas. A campanha estava sendo dolorosa e afetava negativamente o ânimo das tropas.

Após a guerra, ele retornou a Yale, onde foi nomeado presidente do departamento de psicologia. Aos 39 anos, foi eleito presidente da American Psychological Association, a APA. No entanto, depois de um dramático episódio familiar protagonizado pela sua esposa, que ficou gravemente doente e sofreu um acidente fatal, Carl Hovland também morreu prematuramente em decorrência de um câncer aos 49 anos de idade.

As pesquisas de Carl Hovland

Durante o tempo em que trabalhou com Clark L. Hull, os dois elaboraram uma série de estudos com o objetivo de avaliar a aprendizagem da memória e a integração da linguagem da psicologia com equações matemáticas. Mais tarde, e sem Hull, Hovland se interessou por outros aspectos da condição humana, como a comunicação.

Durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi recrutado pelo exército para supervisionar os programas militares de treinamento motivacional. Esses estudos investigaram em profundidade a resistência à mudança de opinião e desenvolveram métodos para superá-la.

Os resultados foram diversos, mas deve-se notar que Hovland e sua equipe conseguiram refutar a teoria da propaganda nazista sobre a eficácia da apresentação unilateral da informação. Essa teoria sustentava que uma comunicação persuasiva bem-sucedida deveria apresentar apenas um aspecto de um argumento, mas as pesquisas de Carl Hovland conseguiram contradizê-la.

Depois da guerra e de volta a Yale, as suas pesquisas se ramificaram em várias áreas da comunicação social. Em colaboração com a Fundação Rockefeller, ele organizou um programa de pesquisa sobre a mudança de atitude através da apresentação de informações.

Comunicação eficaz

O seu legado

Como resultado deste projeto, Hovland estendeu os seus estudos para as áreas de solução de problemas, comunicação, mudança de opinião e preconceitos sociais. Nesse sentido, as suas contribuições são muito valorizadas no campo da comunicação social, algo que ninguém havia feito até aquele momento.

Carl Hovland estudou todos os elementos que intervêm no processo de comunicação e as suas pesquisas se concentraram na influência de todas as suas variáveis. Ele identificou as diferentes fases da comunicação efetiva com foco na mudança de atitude: exposição à mensagem, atenção, compreensão, aceitação e retenção.

Ele também se aprofundou nas diferentes circunstâncias do cenário da mensagem, como a credibilidade do remetente, a natureza da mensagem e a disposição do receptor. Em 1953, publicou um trabalho sobre a comunicação de massa, intitulado Comunicação e Persuasão. Neste estudo, considerou as suas principais conclusões e análises sobre os processos de persuasão.

Em suma, Carl Hovland revolucionou os estudos relacionados à comunicação e persuasão. As suas pesquisas continuam atuais e marcaram uma nova direção em estudos posteriores.

  • Hovland, C. I., Lumsdaine, A. A., & Sheffield, F. D. (1949). Experiments on mass communication. Princeton, NJ: Princeton University Press.
  • Sears, R. (1961). Carl Iver Hovland. American Journal of Psychology, 74 (4), 638.
  • Kathleen P. Hurley and John D. Hogan (2007) Carl Iver Hovland: A model general psychologist. American Psychological Association APA. Newsletter Article (1425) Magazine Article (696)