Psico-oncologia para melhorar a qualidade de vida de pacientes com câncer

· outubro 20, 2018

A atenção médica associada ao câncer é uma especialidade em evolução contínua que requer uma abordagem multidisciplinar. Assim, a intervenção biomédica deve ser unida ao apoio psicossocial, no qual a psico-oncologia oferece uma intervenção essencial para melhorar a qualidade de vida dos pacientes e suas famílias, permitindo-lhes lidar muito melhor com todas as emoções associadas ao diagnóstico da doença.

Se há algo que, sem dúvida, agradecemos todos os dias, são todos os avanços que estão surgindo em matéria de prevenção e tratamento desta doença. As intervenções são muito mais personalizadas e as abordagens baseadas nas terapias imuno-oncológicas, por exemplo, estão demonstrando grande superioridade em relação aos tratamentos mais tradicionais.

“Às vezes, nas consultas, atendemos pacientes olhando para o monitor e esquecemos como é necessário olhá-los nos olhos para que se sintam como pessoas”.
-Anabel Heiniger, hematologista especializado em leucemia infantil em Málaga-

A própria intervenção médica, sempre básica e essencial, é imprescindível para que os pacientes disponham desses recursos orientados para responder a qualquer necessidade psicológica e social que possam apresentar. Portanto, precisamos de profissionais formados e especializados nessas áreas que nos ajudem a lidar melhor com o impacto do câncer.

E não é só isso. É essencial que os médicos e os oncologistas também sejam treinados para promover uma comunicação adequada, por meio da qual as famílias e os pacientes possam sempre tomar as melhores decisões. Além disso, e não menos importante, a psico-oncologia também deve ser orientada para uma área prioritária: a prevenção.

O fato de alguém nos ajudar a mudar determinados hábitos e comportamentos sensíveis ao desenvolvimento de um câncer, como fumar ou se expor ao sol, também constitui parte dessa abordagem multidisciplinar necessária para qualquer sociedade moderna e sensível a essa doença.

Propósito da psico-oncologia

Psico-oncologia para facilitar a aceitação e superação do câncer

O diagnóstico de câncer significa um abalo silencioso, uma realidade desconhecida para a qual ninguém nos prepara. Às vezes, o processo envolve um profissional de saúde mal treinado em questões emocionais, que atende seus pacientes olhando a tela de seu computador, e não os olhos daqueles que se sentem perdidos e não sabem como reagir.

O mundo para e os pacientes sentem que entram em um congelador, onde o eco repete uma palavra: morte. No entanto, quem passou por essa dura experiência sabe que o termo “câncer” nem sempre é sinônimo de “fim”. O câncer é luta, é resistência, é reunir todas as forças internas presentes e ainda a serem obtidas para enfrentar essa experiência, a mesma que milhares e milhares de pessoas enfrentam a cada ano.

No entanto, há algo que pode nos ajudar desde o início: não fazer essa viagem em solidão. A família, os médicos, as enfermeiras e os psicólogos formam uma equipe onde tudo segue um padrão, uma ordem, um avanço.

Quem desenvolveu a psico-oncologia?

O campo da psico-oncologia é bastante recente. Na verdade, seu fundador morreu há apenas um ano sem que a maioria das pessoas conhecesse seu nome e sua relevante contribuição para essa área. Jimmie C. Holland dirigiu o departamento de psiquiatria do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, em Nova York. Esta grande psiquiatra foi casada com uma referência no campo da oncologia, Dr. James F. Holland, pioneiro no tratamento de quimioterapia.

Jimmie Holland se deu conta do conhecimento limitado que se tinha até então sobre a experiência emocional das pessoas com câncer. Os médicos não eram de todo qualificados neste campo, a ponto de omitir que os pacientes com câncer também sofriam de algum transtorno depressivo.

A Dra. Holland decidiu estabelecer as bases da psico-oncologia, criou a Associação Americana de Oncologia Psicossocial (APO) e, além disso, fundou a revista médica Psychooncology.

Fundadora da psico-oncologia

Graças ao seu trabalho, a qualidade de vida de milhões de pacientes foi melhorada. Além disso, de acordo com vários estudos, como o publicado no Journal of Oncology Nursing, concentrar-se somente na visão biomédica do câncer seria um erro. A própria Organização Mundial da Saúde (OMS) lembra que não pode haver saúde completa se a saúde mental não for tratada. Jimmie Holland estabeleceu as bases e os mecanismos para que a abordagem psicossocial desse uma resposta mais ampla e completa ao tratamento do câncer.

Funções de psico-oncologia

Como indicado em trabalhos como o publicado na revista The Lancet Psychiatry, cerca de 25% dos pacientes diagnosticados com câncer desenvolvem algum transtorno afetivo. Desta forma, o fato de dispor de um apoio psicológico especializado neste campo pode nos ajudar a tratar e prevenir muitas condições e circunstâncias que possam surgir a qualquer momento.

Vejamos, portanto, quais funções são contempladas e desenvolvidas pela psico-oncologia.

  • Minimizar o impacto do diagnóstico de câncer, tanto no paciente quanto nos familiares.
  • Facilitar que o paciente seja uma parte ativa e motivada do seu tratamento, dando-lhe estratégias para enfrentar cada etapa.
  • Reduzir o impacto dos efeitos colaterais associados aos tratamentos (quimioterapia, radioterapia, intervenções cirúrgicas…).
  • Ajudar o paciente e a família a assumir as possíveis mudanças de imagem durante a doença (queda de cabelo, mastectomia, operações de gravidade…)
  • Apoio e atenção aos filhos, parceiros ou pais dos pacientes com câncer.
  • Melhorar a comunicação entre médicos e pacientes.
Benefícios da psico-oncologia

Em cada fase da doença, o impacto dos fatores de estresse depende das características individuais da pessoa. O psico-oncologista é treinado e preparado para reduzir essas situações, minimizar o sofrimento e oferecer estratégias valiosas para que, na medida do possível, a pessoa passe por cada etapa, momento e circunstância da melhor maneira.

A psico-oncologia, portanto, é fundamental nessa abordagem multidisciplinar do tratamento do câncer. Sua presença não só melhora a adaptação à própria doença, mas também permite que o paciente enfrente esse processo de uma melhor forma. Finalmente, podemos dizer que, em última análise, é capaz de melhorar os resultados da intervenção, aumentando as chances de superar o câncer.