As principais causas da ansiedade

As causas da ansiedade são diferentes para cada pessoa. Compreender a sua origem pode nos ajudar a lidar melhor com o que é, de longe, a psicopatologia mais comum na atualidade.
As principais causas da ansiedade

Última atualização: 18 Novembro, 2021

Se nos questionarmos sobre as principais causas da ansiedade, devemos notar que elas são diferentes em cada pessoa. Cada realidade é única e sempre partimos de gatilhos específicos e exclusivos. Existem aqueles que apresentam, por exemplo, uma certa predisposição biológica. Outros, por outro lado, estão sujeitos a estressores específicos que têm dificuldade em aceitar e administrar.

O filósofo grego Epíteto disse que só existe um caminho para a felicidade: parar de se preocupar com as coisas que estão além de nosso controle. Porém, como fazer isso? O ser humano vem ao mundo dotado de uma mente que não para de imaginar o seu futuro e de olhar os riscos como um mecanismo de sobrevivência.

A ansiedade é um mecanismo psicofisiológico que nos permite identificar perigos e prestar atenção a variáveis como a incerteza e o medo. Graças a este sistema de alerta, avançamos como espécie em ambientes complexos. Poderíamos até dizer que sentir ansiedade de vez em quando é um custo básico e necessário pelo simples fato de estar vivo.

Agora, o problema surge quando deixamos de ter o controle e ela passa a alterar completamente nossa vida e nossa saúde. Conhecer os gatilhos pode nos ajudar a entender melhor a psicopatologia mais comum entre a população.

Uma das causas da ansiedade geralmente está na predisposição genética e até mesmo na estrutura do cérebro. Isso torna algumas pessoas mais vulneráveis quando se trata de sofrer desse problema.

Homem pensando nas principais causas da ansiedade

Quais são as principais causas da ansiedade?

Até hoje não se sabe exatamente quais são as principais causas da ansiedade. No entanto, podemos identificar uma série de fatores de risco que influenciam o aparecimento desse transtorno em qualquer uma de suas formas. Porque se há algo que devemos ter em mente, é que essa condição psicológica pode se manifestar de diferentes maneiras.

Transtorno de ansiedade generalizada (TAG), fobias, transtorno do pânico, transtorno obsessivo-compulsivo, etc. Não apenas existem diferentes tipos de ansiedade, mas às vezes eles aparecem ao lado de outras condições de saúde mental, como depressão, vícios, etc. Com isso, queremos mostrar a grande complexidade desta realidade psicológica.

Vamos ver quais são os principais gatilhos.

O estresse persistente como uma das causas da ansiedade

O estresse diário e contínuo é a fonte mais comum de ansiedade. Embora sejam duas dimensões diferentes, é muito comum que, quando alguém enfrenta experiências muito estressantes, acabe desenvolvendo um estado de ansiedade. Por mais que a situação estressante não exista mais, o cérebro acaba mergulhando a mente em um constante foco de alerta.

Pesquisas como as realizadas na Universidade de Calgary, no Canadá, estudaram a ligação genética entre estresse e depressão. A amígdala, uma estrutura-chave no processamento de estímulos ameaçadores, mostra uma hiperatividade incomum e pode estar por trás dessa relação.

Experiências de vida complexas

Alguns apontam que vivemos na era da ansiedade. Não é preciso explicar o fato de que vivemos um momento de grande complexidade em todos os níveis: social, econômico, pessoal, etc. Isso dá forma a mais uma das principais causas de ansiedade, incluindo situações que, sem dúvida, todos nós já vivemos em mais de uma ocasião ou estamos vivenciando agora.

Podemos dar vários exemplos:

  • Perda do emprego.
  • Incerteza sobre o futuro.
  • Problemas financeiros.
  • Problemas familiares ou de relacionamento.
  • Perda de membros da família ou colapsos emocionais.
  • Problemas no trabalho, como assédio ou más condições de trabalho, baixos salários…
  • Medo das mudanças climáticas (ecoansiedade), de desastres naturais ou novas pandemias, etc.

Sentir ansiedade é uma resposta normal a uma circunstância anormal. Todos nos sentimos preocupados e ameaçados por situações negativas e adversas. É nesses momentos que somos forçados a desenvolver habilidades de enfrentamento adequadas.

Genética, um fator de risco

Entre as principais causas da ansiedade está a predisposição genética. No entanto, devemos esclarecer que o simples fato de um parente apresentar transtorno de ansiedade não significa que iremos desenvolvê-lo. Existe um risco, nunca uma predisposição direta.

Trabalhos de pesquisa como os realizados no Instituto de Genética Humana e Antropologia da Universidade Albert Ludwigs de Freiburg (Alemanha) indicam algo interessante. À medida que decifrarmos o genoma, teremos respostas mais claras a esse respeito. Hoje, uma base genética significativa foi observada nas fobias e no transtorno do pânico.

Sabemos que a vulnerabilidade genética, combinada com certos fatores ambientais, pode levar ao desenvolvimento de certos transtornos de ansiedade.

Trauma de infância e um cérebro mais vulnerável

Entre as principais causas de ansiedade, devemos falar dos traumas da infância. Crescer em um ambiente com grandes deficiências socioafetivas, com falta de apego ou onde o abuso era frequente sempre deixa consequências. Abuso, negligência e ausência de afeto alteram o desenvolvimento adequado do cérebro.

É comum que estruturas como o hipocampo e o sistema límbico sejam menores nessas circunstâncias. Da mesma forma, as áreas pré-frontais apresentam problemas na regulação do comportamento, déficits para resolver problemas, etc. Em essência, as experiências traumáticas na infância moldam um cérebro mais vulnerável e sempre alerta, processando ameaças onde elas não existem.

Saúde e estilo de vida, outra das principais causas de ansiedade

Sabemos que condições médicas, como distúrbios da tireoide ou problemas cardiovasculares, estão relacionadas ao aparecimento de ansiedade. Além disso, boa parte das doenças crônicas pode dar lugar a estados de ansiedade. Este é um fator que devemos considerar.

Por outro lado, não podemos descartar os vícios e também os efeitos colaterais de algumas drogas.

Mulher sofrendo de ansiedade

Transtornos de personalidade e ansiedade

A personalidade tem algo a ver com alguém estar mais ou menos ansioso? A verdade é que sim. Alguns têm uma abordagem mental e comportamental mais habilidosa para gerenciar esses estados psicofisiológicos. Outros, por outro lado, apresentam uma série de características de personalidade que os tornam mais propensos a sofrer com essa realidade.

Existem pessoas que são muito perfeccionistas, outras que sempre olham para o futuro com angústia e que percebem um problema a cada solução. Assim, dentro da teoria da personalidade dos Cinco Grandes, o traço do neuroticismo é descrito como a variável mais associada à depressão e à ansiedade.

Lembre-se de que o neuroticismo é definido por uma instabilidade emocional quase persistente que resulta em alterações de humor e pensamentos irracionais (Costa e McCrae 1985).

Para finalizar, é interessante ter em mente as principais causas da ansiedade, não só para entender melhor esse problema de saúde mental, mas para nos conscientizamos de que todos podemos sofrer desse distúrbio em algum momento. Isso é algo perfeitamente normal. O importante é que ela pode ser tratada e existem terapias muito eficazes para lidar com ela.

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