Cefaleia cervicogênica, muito comum em mulheres

04 Agosto, 2020
A cefaleia cervicogênica afeta as mulheres em maior grau e, em certos casos, pode se tornar crônica. A origem dessa condição estaria em condições degenerativas, como a osteoartrite.

Dor em um dos lados da cabeça e ao redor de um olho, rigidez no pescoço, tontura, sensibilidade à luz… A cefaleia cervicogênica é o terceiro tipo mais comum de dor de cabeça, com uma incidência muito maior em mulheres. Da mesma forma, é preciso destacar que essa condição foi bastante criticada, mas hoje é mais levada a sério devido a um fato marcante: em muitos casos, torna-se crônica.

Como bem sabemos, esses tipos de realidades (aquelas relacionadas a dores de cabeça) muitas vezes permanecem nessa área de invisibilidade social e até ceticismo. Algumas pessoas se perguntam ‘Como uma dor de cabeça pode ser motivo para um afastamento?’. Bem, uma coisa que os médicos sabem é que o impacto social e pessoal das enxaquecas, dores de cabeça tensionais e cefaleias cervicogênicas é imenso.

Um estudo realizado pelos laboratórios AstraZéneca e Ferrer Internacional, por exemplo, revelou que, embora apenas 12% das pessoas que sofrem dessas condições cheguem a receber afastamento por uma média de 3 dias, a qualidade de vida dessas pessoas quando o problema se torna crônico, é bastante afetado.

Por esse motivo, consideramos importante dar visibilidade a esse tipo de paciente. Todos conhecemos ou ouvimos falar das enxaquecas, contudo a cefaleia cervicogênica não é tão conhecida, apesar dos seus sintomas serem muito recorrentes em uma parte da população. É preciso dizer que essa não é uma simples dor no pescoço ou dor de cabeça.

Vamos ver mais sobre o assunto.

“A verdadeira dor é aquela sofrida sem testemunhas.”

-Marco Valerio Marcial-
Cefaleia cervicogênica, muito comum em mulheres

Cefaleia cervicogênica: sintomas e causas

Estudos como o de O’Mullony I, Lafuente A, Pareja JA (2005) e publicado na revista da Sociedade Espanhola da Dor, indicam que o reconhecimento dessa síndrome é cada vez mais aceito pela comunidade clínica.

A cefaleia cervicogênica foi descrita pela primeira vez em 1993 por Ottar Sjaastad. No entanto, foi apenas há alguns anos que a International Headache Society (IHS) elaborou os critérios de diagnóstico para demonstrar que realmente estamos lidando com o terceiro tipo mais comum de dor de cabeça.

Quais sintomas apresenta?

Um primeiro dado que devemos saber é que essa condição afeta mais as mulheres. Isso é explicado por um fato muito específico: está relacionada à osteoartrite, o tipo mais comum de artrite no qual ocorre um desgaste progressivo das articulações, algo sem dúvida recorrente no sexo feminino.

Vamos ver as principais características da cefaleia cervicogênica:

  • Dor contínua em um dos lados do rosto, chegando a afetar um dos olhos ou ambos.
  • Rigidez no pescoço.
  • Dor ao tossir ou espirrar.
  • Tontura e aumento da dor de cabeça quando o paciente faz algum movimento.
  • Sensibilidade à luz.
  • Vômitos e dores de estômago.

Origem da cefaleia cervicogênica

A cefaleia cervicogênica costuma ter vários gatilhos e origens. Como já apontamos, uma delas é a própria osteoartrite (relacionada às vértebras C2-C3). Essa condição pode indubitavelmente levar a estados crônicos nos quais o paciente deve buscar abordagens terapêuticas adequadas que ofereçam, pelo menos, uma qualidade de vida mínima.

As causas que estariam por trás dessa condição são as seguintes:

  • Posturas ruins que causam sobrecarga nas articulações ou nos tecidos moles.
  • Existem trabalhos que nos forçam a realizar o que é conhecido como protração cervical. Estamos falando sobre aquelas posturas em que não cuidamos do eixo da cabeça e das costas, projetando o queixo para a frente excessivamente. Isso causa sobrecargas que, mantida ao longo do tempo, leva a esse tipo de síndrome.
  • Além disso, traumatismos como a quiropraxia, a síndrome do chicote ou as lesões neuropáticas levam à cefaleia cervicogênica.
Origem

Tratamentos para a cefaleia cervicogênica

A coisa mais importante nesses casos é ter um bom diagnóstico. Muitas pessoas simplesmente acreditam ter uma simples dor de cabeça. Outras vezes, os médicos podem se limitar a prescrever medicamentos (anti-inflamatórios) para tratar a dor no pescoço.

No entanto, o mais apropriado é usar uma abordagem em que diferentes terapias contribuam, a partir da origem da cefaleia cervicogênica. Com isso em vista, estudos como o realizado no Hospital Universitário de Akershus, Universidade de Oslo, indicam algumas estratégias terapêuticas.

Abordagens terapêuticas

  • Terapias de exercícios da coluna cervical: o paciente é colocado para realizar exercícios leves para aliviar a dor e melhorar a mobilidade.
  • Fisioterapia: as massagens e os alongamentos realizados por profissionais especializados nessa condição também podem melhorar a vida do paciente.
  • Técnicas de respiração e relaxamento.
  • Utilize um tipo de travesseiro cervical para cuidar do eixo costas-pescoço-cabeça enquanto dorme.
  •  Os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) são os medicamentos mais amplamente utilizados nesses casos.
  • Aprenda a cuidar da sua postura diariamente.
Abordagens terapêuticas

Por fim, e nos casos mais graves, existe a possibilidade de realizar um tipo de cirurgia na coluna vertebral no caso de haver, por exemplo, compressão de um nervo. São casos muito específicos em que a possibilidade ou não de uma intervenção vai depender da situação particular de cada paciente.

Para concluir, é preciso notar apenas que, na maioria dos casos, se realizarmos a maioria das abordagens terapêuticas especificadas, poderemos melhorar a nossa qualidade de vida.

  • Frese, A., Schilgen, M., y Evers, S. (2018). Cefalea cervicogénica. Nervenheilkunde , 37 (1), 29–32.
  • Sjaastad, O., Fredriksen, TA, y Pfaffenrath, V. (1990). Cefalea cervicogénica: criterios diagnósticos. Dolor de cabeza: The Journal of Head and Face Pain , 30 (11), 725–726. https://doi.org/10.1111/j.1526-4610.1990.hed3011725.x
  • O’Mullony I, Lafuente A, Pareja JA. Cervicogenic headache. Differential diagnosis and general therapeutic principles. Rev Soc Esp Dolor 2005; 12: 24-32.