As 4 chaves para o bem-estar, de acordo com Richard J. Davidson

13 Julho, 2020
Para Richard J. Davidson, as chaves para o bem-estar coincidem amplamente com os objetivos da meditação. Esse neurocientista, que tem muita influencia do zen budismo em suas pesquisas, garante que a felicidade pode ser aprendida.
 

Antes de falarmos sobre as chaves do bem-estar, vamos lembrar quem é Richard J. Davidson. Ele é bacharel em Psicologia pela Universidade de Nova Iorque, e doutor em Psicopatologia e Psicofisiologia pela Universidade de Harvard; estuda as emoções há muitos anos, principalmente do ponto de vista neuronal. Algo que o caracteriza é que ele estuda casos de toda uma vida, e não de poucas entrevistas ou um experimento.

Com base em suas pesquisas e estudos, Richard J. Davidson propôs a ideia de que, graças à neuroplasticidade cerebral, é possível aprender a felicidade e a compaixão, da mesma maneira que se aprende um idioma ou outro conhecimento. De acordo com nisso, ele propõe as quatro chaves para o bem-estar.

Richard J. Davidson também é um dos grandes amigos do Dalai Lama e um estudioso da meditação. Ele pratica meditação diariamente e a aborda como uma disciplina que promove a neuroplasticidade. A seguir, apresentaremos um breve resumo do que Davidson entende como as chaves do bem-estar humano.

“Tenho visto que a base de um cérebro saudável é a bondade”.
– Richard J. Davidson –

Mulher feliz no campo
 

1. Resiliência, uma das chaves para o bem-estar

De um modo geral, resiliência é a capacidade de se recuperar das adversidades e se fortalecer com essa experiência. Para Davidson, essa habilidade está intimamente ligada ao conceito budista de “desapego”. Assim, a verdadeira dificuldade é a resistência à mudança.

A resiliência é uma das chaves para o bem-estar: todos estão expostos às adversidades. Portanto, se uma pessoa é capaz de aceitar esses maus momentos e fluir com eles, interpretando-os como um espaço de crescimento, será mais difícil ficar presa ao desconforto.

2. Perspectivas positivas

A perspectiva positiva não tem nada a ver com o autoengano. Nesse caso, não se fala de um otimismo exagerado, o que implica negar a existência do negativo, mas da escolha consciente de dar uma maior importância ao positivo de cada situação, por mais adversa que ela seja.

Segundo Richard J. Davidson, as pessoas que praticam a meditação passam por uma mudança em seus circuitos cerebrais que transforma a sua maneira de encarar a realidade. Em um estudo realizado por Davidson, ele identificou diferenças entre os cérebros daqueles que meditavam e aqueles que não o faziam, e chegou à conclusão de que a sua hipótese era verdadeira.

Ele afirma que meia hora por dia, durante duas semanas, é suficiente para experimentar os benefícios de uma mudança de perspectiva.

Em geral, um esforço abstrato para desenvolver uma visão positiva geralmente produz efeitos muito curtos ao longo do tempo e, portanto, não teria muita influência sobre o nosso humor. No entanto, naqueles que meditam, os efeitos são mais duradouros, tendo um peso permanente sobre o estado emocional.

 

3. Atenção plena

Outro estudo realizado por Richard J. Davidson mostrou que uma pessoa normal não presta muita atenção a 47% das coisas que faz durante o dia.

Um dos gatilhos dessa desorientação é o trabalho multitarefa ou de atenção dividida: executar várias tarefas ao mesmo tempo sem se dedicar especialmente a nenhuma delas. Nesses casos, a mente fica vagando, como se pulasse de uma ideia para a outra sem um padrão definido.

Davidson descobriu que aqueles que pensam dessa maneira têm uma maior probabilidade de se sentirem insatisfeitos e infelizes. É por isso que ele ressalta que uma das chaves do bem-estar é a atenção plena. Isso pode ser definido como a localização mental e física exclusivamente no presente.

A capacidade de conduzir a mente ao presente é uma habilidade que também é adquirida através da meditação. Em geral, pensar enfaticamente sobre o futuro facilmente leva à ansiedade, enquanto pensar sobre o passado leva à depressão. Viver no presente é menos oneroso emocionalmente.

Mulher meditando

4. Generosidade

A última das quatro chaves para o bem-estar, de acordo com Richard J. Davidson, é a compaixão ou generosidade. Segundo esse pesquisador, a doação ativa muitas áreas do cérebro relacionadas à felicidade e à alegria. Se você observar, verá que as pessoas generosas estão sempre em paz consigo mesmas e tendem a ser mais calmas e despreocupadas.

 

Para Davidson, a generosidade, assim como o egoísmo, tem um efeito bumerangue. Isso não significa necessariamente que quem dá algo recebe uma compensação equivalente, mas que o simples ato de “dar” se reverte em bem-estar físico e mental. Em outras palavras, quem mais se beneficia de uma doação é precisamente aquele que dá.

Essas chaves para o bem-estar de Richard J. Davidson coincidem com muitas teorias da psicologia e também com o budismo. Se vertentes tão diferentes alcançaram conclusões semelhantes sobre muitos aspectos, certamente é porque não se trata simplesmente de uma opinião pessoal; esses são os pilares para construir o que chamamos genericamente de felicidade.

 

Kabat-Zinn, J., & Davidson, R. J. (Eds.). (2013). El poder curativo de la meditación: diálogos científicos con el Dalái Lama. Editorial Kaiŕos.