Ciclos do sono: entenda o seu cérebro para dormir melhor

A fase REM é uma das etapas mais interessantes e decisivas do sono. Porém, dentro de todos aqueles ciclos que o cérebro realiza quando dormimos, cada momento é decisivo para promover um sono reparador. 
Ciclos do sono: entenda o seu cérebro para dormir melhor

Última atualização: 13 Setembro, 2020

Fase REM, fase não-REM, ondas delta, ondas theta, complexos K… Os ciclos do sono constituem um processo tão fascinante quanto vital para o ser humano. Como Friedrich Nietzsche apontou, dormir bem não é uma arte qualquer, requer estar acordado o dia todo e, quando finalmente o conseguimos, a mente nos dá o que é de nossa propriedade: os sonhos.

No entanto, como bem sabemos, nas últimas décadas quase nos tornamos uma sociedade insone. Cerca de 40% da população tem distúrbios do sono e 90% sofre em alguma época do ano com problemas para conciliar uma boa noite de sono. Nosso estilo de vida, estresse e certos hábitos como o uso intenso de tecnologias afetam a nossa higiene do sono.

Portanto, é muito interessante entender o que acontece no cérebro durante aquelas horas em que seu único propósito é nos proporcionar um sono profundo. No fim das contas, é durante a noite que ele pode realizar aquelas tarefas essenciais para o bem-estar físico e psicológico como, por exemplo, fixar memórias, purificar toxinas, eliminar informações e dados irrelevantes, etc.

Vamos mergulhar um pouco mais fundo no universo dos ciclos do sono.

Ciclos do sono: entenda o seu cérebro para dormir melhor

As cinco fases: os ciclos do sono para um sono reparador

Os ciclos noturnos passam por cinco fases muito específicas. Cada uma delas dura cerca de 90 minutos, o que significa que todas as noites passamos por uma média de 5 ou 6 ciclos. Despertar no meio de uma dessas fases e não atingir a fase REM implica acordar de manhã cansado, confuso e com pouca energia.

Precisamos manter um repouso sustentado ao longo dessas cinco fases que deve, no mínimo, ser repetido 4 vezes, ou seja, 4 ciclos. Dormir menos de 5 horas significa não dar ao cérebro tempo suficiente para realizar as suas tarefas e “reiniciar”.

Agora, vamos ver o que define cada um desses ciclos do sono.

Estágio 1: adormecimento

Esta primeira fase é caracterizada por aquela leve sonolência em que nos sentimos mais relaxados e confortáveis ​​na cama. Dura cerca de quinze ou vinte minutos e define esse limite muito tênue entre a vigília e o sono. Se fizéssemos um EEG, o cérebro evidenciaria as ondas theta (3,5-7,5 Hz).

Estágio 2: sono leve

Aqui, a respiração começa a se ritmar, a frequência cardíaca é menor e continuamos a exibir ondas theta. A única diferença é que já surgem as chamadas ondas ou fusos K. Essas frequências, que costumam ir de 12 a 14 Hz (muito lentas), alcançam algo muito relevante: nos impedem de acordar.

Da mesma forma, é comum que ocorra um fenômeno curioso nesta segunda etapa do ciclo do sono, que ainda nos é muito familiar. Estamos nos referindo àquelas experiências nas quais sonhamos que caímos. Essa sensação surge como consequência da baixa frequência cardíaca.

O cérebro precisa verificar se tudo está indo bem, se ainda está no controle do corpo e, portanto, envia um estímulo repentino que a nossa mente interpreta da mesma forma, como se estivéssemos experimentando uma queda.

Fase 3 dos ciclos do sono: transição

Estamos, por assim dizer, no equador do nosso ciclo do sono. Esta fase é curta, dura apenas 5 minutos e é basicamente definida por um aspecto: as ondas theta ou ondas lentas se reduzem para as ondas deltas surgirem, que são de maior intensidade. Nesse estágio, também é comum o aparecimento de experiências de sonambulismo.

Ondas cerebrais

Fase 4: sono profundo

Já estamos avançando em nosso ciclo do sono para um estágio mais profundo, que dura entre 20 e 30 minutos. Aqui é muito difícil acordar; o cérebro está em um estado de atividade em que as ondas delta assumem o controle total e o descanso é verdadeiramente restaurador em todos os níveis.

Se acordarmos nesta fase ficaremos exaustos, confusos e com uma certa névoa mental. Isso é algo que as pessoas com insônia vivenciam. Muitas vezes, elas não chegam a essa quarta fase.

A fase REM, o palco dos sonhos e pesadelos

Alcançamos o nível mais decisivo e, por sua vez, o mais interessante do descanso noturno. A fase REM não é apenas aquele momento em que surgem os sonhos e pesadelos, aquela fase em que abrimos a porta do onírico. Aqui, as ondas cerebrais theta assumem o controle novamente, de modo que, em um EEG, veríamos a mesma atividade de quando estamos acordados. Tudo isso se deve à grande atividade que o cérebro exerce neste momento.

A fase REM, também chamada de sono paradoxal, ocupa cerca de 25% do nosso ciclo do sono. As fases anteriores, chamadas de sono lento ou estágios não-REM, ocupam o resto. Assim, toda a arquitetura de repouso noturno (em condições normais) configura um processo de cerca de 90 minutos.

Dizemos em condições normais porque o fato de recorrer a medicamentos para tratar distúrbios do sono altera um pouco esse ciclo, esse fluxo de etapas e ondas cerebrais.

Idealmente, o mais saudável e benéfico em todos os níveis é nos proporcionar um descanso natural, cuidando de fatores como o estresse, horários, alimentação, exposição à luz azul dos aparelhos, além de cuidar de aspectos simples como a temperatura adequada do quarto.

Dormir bem é viver bem. Conhecer os ciclos do sono e tentar passar por essas 5 etapas garantirá o nosso bem-estar.

Pode interessar a você...
Síndrome do atraso das fases do sono
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
Síndrome do atraso das fases do sono

Você já pensou no que se esconde por trás daqueles que não dormem até altas horas da madrugada? Talvez eles sofram da síndrome do atraso das fases ...