Como a cultura influencia as relações sociais?

Falar de cultura é referir-se ao que nos torna humanos, ao que nos permite ter consciência, nos expressar, criar. Assim, detectamos uma série de padrões culturais - relevantes pela forma como nos influenciam - que são construídos por meio da percepção grupal, formada por crenças e valores.
Como a cultura influencia as relações sociais?

Última atualização: 16 fevereiro, 2022

A cultura influencia as relações sociais inevitavelmente. Em primeiro lugar, porque quando falamos de cultura  nos referimos a tudo o que nos permite ter consciência, escolher, expressar ou criar. Por outro lado, porque no fundo trata-se do que nos torna humanos.

Assim, a UNESCO define cultura como “o conjunto de traços distintivos espirituais e materiais, intelectuais e afetivos que caracterizam uma sociedade ou um grupo social”. Este conceito está relacionado com a dicotomia clássica entre natureza e cultura: tudo o que não é natureza é cultura.

Dessa forma, para compreender o conceito de forma adequada, é necessário compreender ao mesmo tempo o conceito de identidade, incluindo a necessidade de nos rotularmos. De fato, há autores que consideram a identidade como um construto formado por várias subidentidades. Ou seja, dependendo de onde viemos, uma sub-identidade pode ou não ser relevante para nós.

Em seguida, desenvolvemos ambos os conceitos, a relação entre eles e sua implicação nas relações sociais.

Bonecos de papel unidos para representar o conceito de altruísmo

A cultura nas relações sociais

Padrões culturais são um fenômeno universal. Todos os seres humanos vivem dentro de uma cultura e contribuem para o seu desenvolvimento.

Esses padrões servem como um sistema de orientação e são construídos por meio de símbolos, como a linguagem, a roupa ou a forma de cumprimentar. Nesse sentido, é possível encontrar subtipos de cultura baseados em determinados fatores que condicionam o comportamento de quem está imerso nela.

  • Paracultura. É sobre a sociedade em que vivemos; uma determinada sociedade com suas normas. Este nível é válido para todos os membros do grupo dentro da cultura de referência. Um exemplo desse tipo de cultura seriam os regionalismos: a cultura basca, dentro da cultura espanhola.
  • Diacultura. Refere-se a uma situação externa concreta. Este é um pequeno grupo de indivíduos governados por regras intragrupo. Dependem da situação externa de seus membros, por exemplo, a cultura da empresa.
  • Idiocultura. Refere-se à identidade de um indivíduo. Por exemplo, o veganismo.

Padrões culturais definem a associação ao grupo. Por outro lado, constituem informações muito valiosas para saber o que os outros esperam de nós.

Dimensões da cultura e padrões culturais: as culturas podem ser comparadas?

Alguns autores consideram que as culturas não podem ser comparadas: cada cultura deve ser compreendida de acordo com seus termos. No entanto, os seres humanos precisam organizar os padrões de comportamento dos outros. Para isso, usamos estereótipos.

Baseiam-se nisso estudos como o de Geert Hofstede, que testa a hipótese de que os valores do ambiente de trabalho são fortemente condicionados pela cultura. Por meio de uma pesquisa com funcionários da IBM em mais de 70 países, ele conseguiu identificar padrões culturais muito complexos e reduzi-los a uma série de dimensões culturais.

Este estudo destaca seis dimensões da cultura:

  • Distância do poder. Até que ponto a desigualdade nas relações de poder é aceita em cada cultura?
  • Individualismo vs. coletivismo. Até que ponto os membros de uma cultura são considerados parte integrante do tecido social ou indivíduos vinculados ao grupo.
  • Masculinidade vs. feminilidade. Até que ponto em uma sociedade predominam as características tradicionalmente associadas aos papéis masculinos e femininos.
  • Grau em que a incerteza é evitada. Até que ponto situações pouco claras ou ambíguas geram insegurança ou angústia.
  • Orientação longo prazo vs. a curto prazo. Até que ponto uma cultura pensa ou não a longo prazo.
  • Indulgência vs. restrição. Até que ponto os membros de uma sociedade são concebidos como livres.

Errado ou não, muitos especialistas defendem os estereótipos. Eles argumentam que vale a pena fazer uma comparação de culturas. Assim, ressaltam-se aspectos comuns, uma vez que as culturas constituem respostas diferentes às mesmas questões essenciais da vida humana.

Mãos de pessoas unidas

Interculturalidade

A interculturalidade é o ponto de encontro entre “o eu” e “o outro”. Um encontro entre diferentes formas típicas de agir cuja importância varia de acordo com a tolerância. Uma situação em que os problemas podem surgir facilmente quando as partes agem de forma monocultural, têm expectativas erradas ou surgem problemas de compreensão.

A cultura influencia as relações sociais, além de fazer parte de nossas vidas e do cotidiano. Compreender a beleza da diversidade cultural é um dos passos mais importantes que o ser humano pode dar para melhorar a convivência em sociedade.

Em última análise, para evitar conflitos ao encontrar culturas diferentes, devemos estar cientes da sobreposição cultural. O que se resume em não julgar, documentar, refletir e abordar a interação com empatia.

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