Como aliviar a dor de cabeça, de acordo com a ciência

As dores de cabeça vêm em muitas formas e algumas delas, como as enxaquecas, são incapacitantes. Neste artigo, vamos analisar o que a ciência recomenda nessas situações.
Como aliviar a dor de cabeça, de acordo com a ciência
Valeria Sabater

Escrito e verificado por o psicólogo Valeria Sabater.

Última atualização: 15 novembro, 2021

Dor nas têmporas, tontura, um mal-estar latejante como bater com um martelo… Como aliviar a dor de cabeça? Existe outra cura além dos medicamentos? Poucas dores são tão irritantes e incapacitantes. Além disso, não podemos esquecer que este é um dos problemas mais frequentes nas consultas de clínicos gerais e neurologistas.

O ditado popular diz que comer acalma a dor de cabeça. É verdade que esse tipo de distúrbio geralmente tem muitos gatilhos e que fatores como uma dieta inadequada, estresse diário, exaustão ou alguma doença subjacente costumam ser as causas mais comuns.

Portanto, antes de recorrer aos clássicos paracetamol ou ibuprofeno, é sempre recomendável consultar profissionais que saibam orientar adequadamente. Nas próximas seções, vamos conferir o que os neurocientistas nos dizem a respeito de como tratar uma dor de cabeça.

3 passos para aliviar a dor de cabeça

Qualquer pessoa pode sentir dor de cabeça. Estima-se que 2 em cada 3 crianças terão dor de cabeça antes dos 15 anos. Também sabemos que cerca de 90% das pessoas terão dor de cabeça pelo menos uma vez na vida. Certamente estamos diante de um dos problemas mais comuns, porém – e aí vem o que é surpreendente – ele continua a carregar um certo estigma e a ser tratado com ignorância.

O tipo de cefaléia mais comum na população é a primária, ou seja, que não provém de nenhuma doença específica. Enxaqueca e dores de cabeça são as mais comuns. De toda forma, uma pesquisa publicada na revista The Lancet aponta que boa parte das pessoas continua se sentindo incompreendida quando tem dores de cabeça.

Muitos se sentem incapazes de trabalhar. É comum sentir-se desanimado, exausto e querer ficar sozinho em um lugar tranquilo. Comportamentos assim podem provocar críticas dos demais. Entretanto, a ciência está avançando cada vez mais no conhecimento desse transtorno, e existem estratégias adequadas para tratá-lo.

De acordo com a neurociência, podemos lidar com a dor de cabeça em três etapas.

1. Perceber além da dor de cabeça: o que realmente há de errado comigo?

Quando sofremos de dores de cabeça, enxaqueca ou aquele desconforto ao nos levantarmos ou voltarmos do trabalho, há algo que devemos fazer. Em vez de recorrer imediatamente aos medicamentos, devemos pensar e olhar além da própria dor, enxergando a nós mesmos como um todo.

Em uma dor de cabeça, vários processos são combinados: vasos sanguíneos e nervos enviam sinais de dor ao cérebro, neurotransmissores geram mudanças na atividade das células nervosas… Mas o que desencadeia, de fato, a dor?

  • Para aliviar a dor de cabeça, é necessário saber o que a causa. Do contrário, pode ser que essa dor se torne mais frequente se nos limitarmos a consumir analgésicos para camuflá-la.
  • Pergunte a si mesmo como você se sente. Investigue o que aconteceu em sua vida nos últimos dias. Você trabalha excessivamente? Você faz muitas coisas ao mesmo tempo? Algo está te incomodando? A cefaleia por estresse é a dor de cabeça mais comum.
  • Pergunte a si mesmo como você se alimenta. Existem produtos químicos inflamatórios em alimentos como queijos, vinho, frios ou o próprio café, que também ativam diretamente o nervo trigêmeo, causando enxaqueca.
  • Verifique sua saúde. A deficiência de algum mineral ou nutriente pode levar, em muitos casos, a estados de exaustão e dores de cabeça. Nunca é demais fazer um check-up médico.

Devemos ter em mente que todas as formas de dor – incluindo dores de cabeça – são sintomas de um problema subjacente ao qual devemos estar atentos.

2. Você tem analgésicos naturais em seu cérebro

Sabemos que muitos desses problemas requerem tratamento médico. No entanto, outra maneira de aliviar a dor de cabeça, ou pelo menos reduzir seu impacto, é ativando analgésicos naturais.

Ao nosso alcance estão neurotransmissores como a ocitocina, a dopamina e a serotonina. Às vezes, uma forma sensacional de desativar esse aborrecimento, esse sofrimento, é promovendo a sua liberação. Existem várias formas:

  • Saia para caminhar. Deixe que o ar livre te envolva, acalme e relaxe.
  • Compartilhe um tempo com bons amigos que te fazem rir.
  • Descanse, dê-se um tempo para fazer o que você mais gosta. Leve a vida em um ritmo diferente.

3. Atenção a alguns detalhes

O Dr. Seymour Diamond foi CEO da National Headache Foundation e um dos maiores especialistas mundiais em dores de cabeça. Seu legado, com livros como Hope for Your Headache Problem: More Than Two Aspirin, é uma grande referência na área. Portanto, é sempre apropriado lembrar seus conselhos sobre este assunto:

  • Procure levantar-se e ir para a cama sempre nos mesmos horários. Seja regular na sua rotina.
  • Durma em média de 7 a 8 horas.
  • Aprenda a administrar o estresse diário.
  • Coma alimentos não inflamatórios (como os ricos em ácidos graxos ômega 3).
  • Cuidado com as luzes e cheiros fortes.
  • Faça pelo menos meia hora de exercícios por dia.
  • Reduza o tempo de exposição às telas, especialmente antes de dormir.

Por fim, basta lembrar algo muito básico: na próxima vez que tiver dor de cabeça, avalie a si mesmo, pergunte-se quais são as causas da dor, não hesite em consultar o seu médico e nunca esqueça de se manter bem hidratado.

This might interest you...
Para combater a dor de cabeça: mais água e menos paracetamol
A mente é maravilhosa
Leia em A mente é maravilhosa
Para combater a dor de cabeça: mais água e menos paracetamol

Saiba como combater a dor de cabeça, um problema incômodo que, em geral, todas as pessoas têm em algum momento de suas vidas.



  • Diamond, Seymour (1988) Hope for Your Headache Problem. More Than Two Aspirin. Intl Universities
  • Goadsby PJ. Headache research in 2020: disrupting and improving practice. Lancet Neurol. 2021 Jan;20(1):7-8. doi: 10.1016/S1474-4422(20)30457-9. PMID: 33340486.