Como cultivar a inspiração

março 24, 2019
A inspiração é definida como “respirar a informação da vida”. Para cultivar a inspiração, é necessário nos tornarmos conscientes de que o cérebro não é uma máquina, mas uma realidade plástica e sensível, que requer condições favoráveis para oferecer máximos resultados.

O mais importante de cultivar a inspiração é que não se trata apenas de uma competência que incide na atividade intelectual, mas sim que tem efeito sobre todos os aspectos da vida. A inspiração é um estado no qual se conjugam aspectos cognitivos, emocionais e de vontade. Gera uma poderosa sensação de bem-estar e se torna determinante nos processos criativos.

Não é fácil definir de maneira exata o que é a inspiração. O dicionário a define como “estímulo que encoraja o trabalho criador na arte ou na ciência” ou como “ilustração ou movimento sobrenatural que Deus comunica à criatura”. Assim, cultivar a inspiração equivaleria a algo como criar as condições apropriadas para que se produza o “estímulo” ou o “movimento sobrenatural” dos quais falam essas definições.

Do ponto de vista etimológico, a definição é bonita, mas não é muito concreta. Nesse campo, a inspiração equivaleria a algo como: respirar a informação da vida”. Toda essa falta de exatidão nos leva a pensar que se trata de um fenômeno complexo, profundo e também maravilhoso. Por isso, cultivar a inspiração também é um fato importante. Então, como fazer isso? A seguir, daremos algumas dicas.

“Vá diretamente em direção aos seus sonhos. Viva a vida que você imaginou ter”.
-Henry David Thoreau-

A inspiração, um fenômeno maravilhoso

A inspiração é um estado no qual experimentamos um tipo de revelação sobre algum aspecto essencial da vida ou da realidade. Trata-se de um fenômeno intelectual porque implica uma compreensão de grande alcance. No entanto, também representa uma bênção especial, que se traduz em convicção ou paixão por realizar uma determinada ação.

Pode-se dizer que a inspiração nos proporciona alguns dos momentos de maior felicidade. Trata-se de uma força leve e expansiva que abre a mente e o coração. Quando estamos inspirados, sentimos uma conexão direta e real com todo o universo. O mal-estar desaparece. É um tipo de paz feliz.

De fato, os neurocientistas Marcos Jung-Beeman e Edward Bowden, da Universidade Northwestern, e John Kounios, da Universidade Drexel, revelaram interessantes estudos sobre o tema. Eles afirmam que, por meio de imagens de ressonância magnética, foi possível comprovar que há uma parte do cérebro que, literalmente, se ilumina em certos momentos de revelação ou epifania. Essa parte corresponde a uma região do lobo temporal direito.

Mulher inspirada

A inspiração e a motivação

Muitas vezes a inspiração é confundida com a motivação, mas são duas realidades diferentes. A motivação é uma força que nos impulsiona a desenvolver determinadas ações, com o objetivo de obter um benefício específico. Também, é claro, para evitar algum mal ou dano.

Em suma, a motivação é fruto de uma marca impressa na natureza humana: buscar o prazer e evitar a dor. Nós nos sentimos motivados a fazer alguma coisa porque partimos da ideia de que com isso conseguiremos algo que desejamos ou evitaremos que aconteça algo negativo conosco.

A inspiração vai muito mais além. Nela, o prazer e a dor passam para um segundo plano. Trata-se de uma força tão potente que é capaz de aceitar a dor sem problemas, porque o objetivo é maior. Também não se busca um benefício específico, mas uma maior plenitude. Isso é o que sentiram pessoas que deram suas vidas pela liberdade ou aquelas que são capazes de sofrer qualquer humilhação em nome de um propósito ou uma causa.

Cultivar a inspiração

Cultivar a inspiração é um processo que implica grandes esforços e constância. No entanto, há caminhos que permitem nutrir esse estado e alcançá-lo eventualmente. O primeiro desses caminhos é a meditação. Foi estritamente comprovado que a meditação muda o funcionamento do cérebro. Isso facilita os processos de criação, que por sua vez são um resultado da inspiração.

Cultivar a inspiração na leitura

A leitura de obras literárias de ficção e qualquer prática artística são outros caminhos para cultivar a inspiração. Todas essas tarefas rompem com os esquemas habituais e eventualmente levam a construir novas perspectivas. Por sua vez, esses novos pontos de vista, cedo ou tarde, conduzem a revelações profundas que caracterizam os estados de inspiração.

Descansar adequadamente e saber fazer pausas também são fatores fundamentais para cultivar a inspiração. Descansar implica dormir bem e oxigenar a mente periodicamente. Fazer pausas tem a ver com mudar o cenário físico e mental quando a pessoa se sente bloqueada. Fazer um intervalo indefinido para depois retomar. Tudo isso facilita esses momentos de inspiração que muitas vezes mudam tudo.

  • Romo, M. (1997). Psicología de la creatividad. Barcelona: Paidós.