8 conceitos da psicologia que utilizamos de forma equivocada

· dezembro 19, 2017

Talvez seja por razões culturais, inércia, inexperiência ou pura ignorância, mas a verdade é que existem muitos conceitos da psicologia que utilizamos de forma equivocada. A maioria dos erros neste sentido tem a ver com a tendência a considerarmos e utilizarmos certas palavras como se fossem sinônimos, quando de fato não são.

Por isso, embora algumas delas estejam intimamente relacionadas, o seu significado pode ser muito diferente. Mostraremos neste artigo 8 pares de palavras que, na grande maioria dos casos e de forma equivocada, são consideradas análogas.

Conceitos da psicologia usados da forma errada

Reforço negativo – Punição

Reforço e punição são os dois conceitos mais importantes da psicologia comportamental. Falamos sobre o primeiro se procuramos aumentar a probabilidade de um comportamento. Se, pelo contrário, queremos reduzi-lo, devemos nos referir à punição.

O reforço negativo envolve a retirada de um estímulo aversivo, ou seja, de um objeto ou situação que é desagradável para a pessoa. Esta estratégia aumenta a probabilidade de que um comportamento anterior se repita. Estamos enfrentando um caso de reforço negativo quando uma mãe tira uma punição do seu filho para recompensá-lo por ter passado toda a tarde estudando.

O castigo é a apresentação de um estímulo negativo, o que diminui a probabilidade de que um comportamento se repita. Daremos dois exemplos: quando o nosso chefe impõe uma pequena penalidade por termos chegado tarde ou quando a criança fica sem sobremesa por ter se comportado mal.

Crítica

Antissocial – Tímido

Os comportamentos antissociais são aquelas ações perigosas ou prejudiciais para a sociedade que geralmente envolvem danos a terceiros. Essas pessoas se sentem rejeitadas ou têm dificuldades para viver em sociedade.

Na verdade, o Transtorno da Personalidade Antissocial (TAP) é uma patologia psiquiátrica atribuída a aqueles que evitam as normas pré-estabelecidas e a lei. Eles podem até cometer crimes graves por impulso mesmo sabendo da ilegalidade dos mesmos. No outro extremo está a timidez, que não causa nenhum dano ou prejuízo para as outras pessoas. É um sentimento de insegurança ou vergonha que a pessoa sente quando confrontada com novas situações sociais.

Subconsciente – Inconsciente

Para desmembrar os dois conceitos, é necessário consultar o pai da Psicanálise, Sigmund Freud. Embora atualmente haja a tendência de utilizá-los de forma intercambiável, há diferenças sutis e importantes entre esses dois conceitos da psicologia.

O subconsciente é a mente emocional, que obedece aos gostos ou desejos. Por exemplo, se mudarmos o cesto de roupas de lugar, levará alguns dias para nos acostumarmos com a sua nova localização. Isso nos mostra que as conexões neurais subconscientes se tornam mais fortes com o passar do tempo.

Por outro lado, o inconsciente é o conteúdo mental que escapa da consciência ou o que é difícil de alcançar através dela. É a mente mais primitiva, fruto da potencialização genética através de anos de tentativa e erro. É aquela que administra, por exemplo, a respiração.

Inveja – ciúme

A diferença entre estes dois termos é muito simples e é uma questão de quantidade e posse. Para que haja inveja, são necessárias duas pessoas. Além disso, essa emoção está associada a “não possuir”. Essa pessoa deseja o que outro tem e não quer que ele o possua.

Os ciúmes normalmente envolvem três ou mais pessoas e é uma questão de “posse”. Eles aparecem quando alguém sente que um relacionamento importante está ameaçado. São uma resposta emocional ao medo de perder algo muito valioso para nós. Portanto, quando vemos que o nosso vizinho comprou um carro novo, sentimos inveja. Quando nosso melhor amigo fica noivo, podemos sentir ciúmes porque a namorada atrapalha o relacionamento que temos com ele, mas não sentimos inveja.

Casal brigando por dispositivos eletrônicos

Sexo – Gênero

Sexo, de acordo com a última edição do manual de estilo da conhecida American Psychological Association (APA, 2010), refere-se às diferenças biológicas existentes nas pessoas. Por outro lado, o gênero está mais circunscrito às distinções sociais.

O sexo é determinado pela natureza, ou seja, uma pessoa nasce com o sexo masculino ou feminino. O gênero pode ser aprendido e, portanto, mudado e manipulado.

Delírios – Alucinação

A confusão entre esses dois conceitos da psicologia pode ser determinada porque os pacientes com alucinações auditivas (ouvir vozes) podem desenvolver delírios, como por exemplo, acreditar que outras pessoas querem machucá-los.

Mas, enquanto a alucinação é uma experiência perceptiva totalmente inventada pela mente, o delírio implica distorcer algum estímulo externo ou uma realidade existente. O delírio é uma crença mais ou menos elaborada que é vivida com uma profunda convicção, apesar das evidências objetivas apontarem em outra direção.

Sensação – Percepção

Os dois processos fazem parte do mesmo caminho que começa nos estímulos e termina no cérebro. Mas, embora sejam frequentemente utilizados como sinônimos, eles não são exatamente os mesmos. A luz solar é recebida através da retina e um som através das células ciliadas da orelha interna.

Ou seja, a pessoa recebe estímulos internos e externos e capta-os graças a esses receptores. Portanto, a sensação é a fase inicial do processo de percepção e é realizada através dos nossos cinco sentidos. A percepção é a próxima fase. É o processo psicológico e biológico através do qual o cérebro interpreta e dá sentido à informação que o atinge através dos sentidos.

Mulher cheirando dente-de-leão

Sintoma – Sinal

Embora ambos sejam indicadores de psicopatologia, os sintomas são subjetivos e os sinais são, na maior parte, objetivos. Os primeiros são enumerados e explicados pelos próprios pacientes a partir da sua própria perspectiva e percepção. Exemplos disso são: sonolência, dor, fraqueza muscular ou tonturas.

No entanto, os sinais são detectados por profissionais médicos através das investigações psicofísicas pertinentes. Alguns são: febre, edema, retardo psicomotor ou icterícia.

Saber utilizar esses conceitos da psicologia corretamente nos ajudará a entender e a nos explicarmos com mais precisão. A informação correta nos ajuda a tomar decisões importantes.