O que conta não é o que você dá, mas o amor com que faz isso

O que conta não é o que você dá, mas o amor com que faz isso

26, janeiro 2017 em Psicologia 1051 Compartilhados
O que conta não é o que você dá, mas o amor com que faz isso

Dar é um ato de fé cuja única prova verdadeira é o amor. É um ato de afeto que sai do coração e se propaga com os olhos fechados. A quantidade de carinho que este ato tem implícito é a medida do seu vigor. Além disso, dar sem ter segundas intenções pode ser simples, mas oferecer com vontade e sinceridade não é assim tão fácil.

Por isso, não: não é só o que você é capaz de dar aos outros ou o que recebe deles, é também o amor que você investe ou colhe em cada ação. Parece contraditório, mas para conseguir preencher a alma, é necessário compartilhar a intensidade emocional que levamos dentro dela.

A ação de dar pode preencher, assim como a ação de receber

Parece que o conceito de receber algo de alguém leva implícita a ideia de somar, e que o conceito de dar envolve a ideia de sobrar. É provável que às vezes coincida de ser assim, mas haverá muitas outras ocasiões em que esta lei não será respeitada: sem nos darmos conta, há quem esquece que a ação de oferecer pode ser capaz de nos alimentar da mesma forma ou ainda mais do que a de obter.

É verdade que as duas coisas são importantes. Na verdade, a ação de dar pelo mero prazer de fazer isso com o coração é tão valiosa quanto a de saber receber o mesmo dos outros. Tanto uma como a outra supõem uma dinâmica que deve ser produzida de forma alternada e que gera felicidade e satisfação pessoal.

Recebemos e ganhamos, mas damos e podemos ganhar mais. Os gregos já consideraram no passado que a inteligência emocional ficava no coração das pessoas. Por isso, o valioso é o amor que você transmite no que dá ou a emoção que demonstra quando recebe, não o ato superficial de fazer isso.

O coração se nutre e bate com energia graças ao equilíbrio entre dar e receber.
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Quando dar também é dar a si mesmo

Neste mesmo sentido, é justo afirmar que falar de dar e receber de coração se traduz em nos darmos como pessoas e conhecer o que os outros querem nos fazer alcançar. As relações pessoais são realmente isso: um pedaço emocional nosso voa cada vez que damos com sinceridade, e uma parte essencial do outro se aloja em nós quando nos abrimos para recebê-la.

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Presentear sem carinho não significa nada, fazer um favor por interesse não é gentileza, pensar no outro por obrigação é passageiro, etc. No entanto, tudo muda quando colocamos amor no que fizermos.

Neste caso, se colocamos afeto ao dar, estaremos enriquecendo o que entregamos. Estaremos tirando as máscaras, estaremos abrindo as portas mais vulneráveis do nosso interior e estaremos deixando de perceber a parte mais pura que temos.

“Ninguém é mais generoso
do que quem dá a si mesmo.”
-P. Luís Carlos Aparicio Mesones-

Aquela é a que mais vale e a que mais dura como efeito nas pessoas que nos rodeiam: se alguém fez algo por você de coração, você terá consciência de como esse ato fica gravado na sua memória. Os atos emocionais honestos são trancados com chave nessa caixa em que vamos guardando ao longo da vida as recordações, os objetos, as pessoas ou as ideias que realmente têm valor.

Ao dar com amor, algo volta

É possível que você esteja pensando que você dá mais do que recebe, e isso não é justo. Além disso, tenho quase certeza de que alguma vez você se cansou de não ver uma resposta semelhante à sua por parte de outras pessoas. A decepção que você sente quando percebe isso não tem a ver com o fato de não receber, mas com sentir que talvez você não seja muito importante para elas.

No entanto, te digo, ao dar com amor, mais cedo ou mais tarde, por menor que pareça, algo volta.

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Para isso, é necessário sermos observadores e filtrarmos de forma mais saudável a nossa ação de dar. Assim que conseguirmos fazer isso, é mais provável que saibamos reconhecer um simples sorriso de agradecimento, umas palavras de carinho e um gesto mínimo que tem o intuito de nos fazer felizes.

“Possuímos somente aquilo que damos. Não possuímos a nós próprios, apenas quando nos damos a alguém.
O verdadeiro serviço exige sacrifício.
-Enmanuel Mounier-

Assim, pode parecer difícil distinguir tal franqueza, mas não é impossível. Não se pode viver em sociedade se não acreditarmos na reciprocidade, na bondade do ser humano ou no agradecimento mútuo. Merecemos um amor que temos que ser capazes de dar para manter a nossa autoestima em um estado saudável.

Imagens cortesia de Pascal Campion.

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