Fazer o bem por interesse é típico de pessoas espertas, não de pessoas boas

· junho 3, 2016

Fazer o bem de maneira sincera é muito mais complicado do que fazê-lo preservando seu próprio interesse acima de tudo. Dessa maneira, muitas vezes alguém recebe o rótulo de “pessoa interesseira”, quando a boa intenção da mesma a beneficia de maneira pessoal.

Um interesse que de outra forma costuma ser lícito, embora seja mal considerado por um elemento diferenciador significativo: a pessoa “rotulada” é acusada não apenas de aderir à causa em benefício próprio, mas também de fazê-lo somente quando esse benefício existe.

Esse tipo de comportamento, que muitas vezes notamos tarde demais, tem mais a ver com a esperteza ou o egoísmo do que com a bondade, a solidariedade ou a entrega. Ser bom não é o mesmo que ser esperto, mas em certos contextos confundimos ambas as coisas: a segunda característica pode se camuflar com a primeira e, dessa maneira, acabamos nos enganando. Além disso, quando isso ocorre podemos até nos sentir decepcionados e tristes, já que tínhamos criado uma expectativa da outra pessoa que não condiz com a realidade.

A nuance egoísta de fazer o bem por interesse

Fazer o bem

Seguindo o que foi exposto anteriormente, cabe dizer que no momento em que alguém nos ajuda, ficamos felizes em pensar que a pessoa tomou essa atitude por se preocupar de verdade com aquilo que precisamos. No entanto, quando descobrimos que a ação é tomada por interesse próprio, imediatamente tendemos a diminuir o valor da mesma, ainda que o benefício que nos foi gerado em ambos os casos seja o mesmo.

O estrago surge porque percebemos as verdadeiras motivações do suposto ato de bondade: se o bem individual está na essência das ações e das estratégias empregadas para se conseguir algo, provavelmente essa pessoa está agindo para o seu próprio benefício, não por solidariedade.

Nesse caso, o que é bom, mas foi guiado pela esperteza, possui uma certa nuance egoísta, uma vez que sua pessoa e suas metas se encontram no centro de suas ações. Tanto é assim que o possível altruísmo e preocupação pelo outro ficam em segundo plano, como veremos a seguir.

Altruísmo: dentro da essência da bondade

Se de um dos lados da moeda está a esperteza manchada pelo egoísmo, do outro lado está justamente o altruísmo. Essa é a nuance essencial que define o bem, acima de qualquer outra coisa. A pessoa altruísta se dedica aos demais, se interessa por eles e é, antes de tudo, solidária e dedicada.

Isso acontece porque quem é do bem e atua conforme essa idéia realiza suas ações buscando não machucar ninguém, e abandona seus próprios interesses se estes irão prejudicar outra pessoa. O altruísmo busca constantemente o bem dos outros, sem pensar no que se pode receber em troca: fazer o bem sem olhar a quem.

É evidente que o amor próprio é indispensável, mas uma pessoa altruísta mantém os limites firmes: não se trata de mostrar uma falta de interesse em relação a si mesmo, mas sim de entender que a bondade surge de um ato livre e voluntário que procura ajudar outras pessoas.

Fazer o bem

Qualidades da bondade, não da esperteza

Podemos definir essa forma de ajuda com interesse como a habilidade artificial para alcançar qualquer objetivo. Em outras palavras, o interesse não é ruim porque nos move, o problema está em usar esse movimento para manipular e se aproveitar dos outros.

Por outro lado, entre as qualidades de uma pessoa do bem encontram-se as que já mencionamos, e ainda podemos acrescentar algumas mais. Por exemplo, alguém bondoso é gentil com as pessoas que precisam e com as que não precisam, ela faz favores para quem deve e para quem não está devendo nada, ela cede o seu lugar na fila para uma pessoa que tem pressa mesmo sem ter nenhum interesse nela.

Finalmente, e acima de tudo, não podemos esquecer que ao realizar atos de bondade de forma voluntária e sem interesse, transmitimos valores de empatia e humanidade, fomentando uma sensação de satisfação plena dentro daqueles que agem dessa maneira.