Conviver com a dor de uma mãe: um processo duro para os filhos

Conviver com a dor de uma mãe: um processo duro para os filhos

novembro 22, 2016 em Emoções 129 Compartilhados
Conviver com a dor de uma mãe: um processo duro para os filhos

Mãe, não posso perdê-la. Não quero. Me nego. Preciso que você se cuide, preciso que você não se dê por vencida, que não deixe de lutar, que você não perca o seu sorriso, que você me fale todo dia com doçura, que você conserve o seu brilho, que você proteja a sua essência.

Por isso, peço a você, mãe, que não se dê por vencida. Mesmo que precise enfrentar mil e uma batalhas. Você conta com a minha espada, uma espada forjada no amor mais puro, profundo e imperecível do que poderei dar conta durante toda a minha vida.

Juntos vamos em frente e venceremos qualquer obstáculo que tenha a intenção de se colocar entre nós e o caminho das nossas vidas. Por isso, mãe, peço que você não me deixe, que você se mantenha forte. Eu prometo que estarei ao seu lado para cuidar de você durante o tempo que durar o nosso trajeto neste mundo.

Sou consciente de que segundo a lei da vida é possível que eu tenha que viver sem a sua presença. Contudo, posso lhe assegurar que sempre (SEMPRE) você permanecerá em mim. Mas isso não diminui o meu medo

“O pior defeito que as mães têm é que morrem antes que a gente consiga lhes retribuir parte do que fizeram.

Deixam a gente desprovido, culpado e irremediavelmente órfão. Por sorte existe apenas uma. Porque ninguém aguentaria a dor de perdê-la duas vezes”.

-Isabel Allende-

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Conviver com a dor de uma mãe

Na verdade tenho plena convicção de que nossa criança interior não teme aos monstros, nem à escuridão, também não ao desconhecido, nem ao caos. O que teme é perder sua figura de apego, sua pessoa de referência. Tememos que a nossa memória não se lembre do seu cheiro, que nossos olhos não possam ver seu cabelo e que nosso coração não possa sentir seu calor.

Por isso é fundamental aproveitar cada segundo ao seu lado e que a ajudemos a se curar como mulher e a se desenvolver plenamente como pessoa. Porque ao longo da sua vida, uma mulher assume uma grande lista de papéis: mãe, filha, namorada, esposa, mulher, etc. E chega um ponto em que nos encontramos com um sem fim de prioridades ligadas com as quais é preciso recompor pedaços de vida.

Desembaraçar estes papéis é muito complicado se considerarmos que vivemos em uma sociedade que impõe certas obrigações à mulher, simplesmente pelo fato de ser mulher.
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Então, se unirmos a imposição social do papel de sofredora à mulher que além disso é mãe, com as próprias dificuldades de vida que surgem, obteremos um coquetel extremamente explosivo que pode fazer sofrer intensamente a figura que nos deu à luz.

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Esta dor à qual vemos nossas mães submetidas é tremendamente dilacerante para nós como filhos, que vemos nossas mães como batalhadoras cuja força enfraquece. Não obstante e graças a esse duro processo é inevitável que em algum momento os filhos invertam papeis e se tornem “mães/pais de sua própria mãe”. Assumindo esse papel procuramos protegê-las e evitar que sofram.

Nos transformamos em “pais de primeira viagem” que temem que seu filho caia do balanço. Assim, como filhos, precisamos nos transformar em protetores. Funcionamos como uma máquina que restabelece a inércia vital de uma pessoa machucada. Então percebemos o imenso poder que existe no mundo feminino e, especialmente, no mundo materno.

Quem tiver vivido uma situação parecida sabe que lidar com isto não é fácil, mas que, sem dúvida, nos faz subir vários degraus na escada do crescimento emocional. A obrigação emocional de proteger a nossa própria mãe quando a sentimos vulnerável nos dá uma consciência que é em si mesma muito poderosa. Ao mesmo tempo desgasta, dói e quebra nosso próprio equilíbrio interno, nem que seja de forma momentânea.

A gente nunca está preparado para a perda da sua própria mãe e, por isso, descobre em si mesmo uma grande força que permite ir um passo além e se transformar no anjo que cura as feridas de uma mãe ferida. Então acontece uma coisa maravilhosa no nosso próprio mundo interior, pois o cálido olhar da nossa criança interior aprende a conviver com a consciência de um adulto. Sem dúvida, este é um passo a mais em direção à maturidade.

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