As crenças que nos impedem de viver a vida que queremos

· novembro 22, 2016

Existem muitos livros de autoajuda destinados a dar orientações para aprendermos a viver a vida plenamente e com alegria. Muitos de nós têm procurado neles as respostas para os bloqueios que sentimos quando queremos atingir determinados objetivos. Estes livros falam do condicionamento de crenças inconscientes aprendidas na infância.

Uma crença é uma ideia sobre nós mesmos ou sobre o mundo em que vivemos. Damos a essa ideia o poder de verdade absoluta e, como tal, ela age como um filtro através do qual percebemos o mundo. São as lentes que usamos para ver a vida. Nós reagimos às experiências da vida a partir dessa percepção, por isso obtemos resultados de acordo com esta forma de ver, e isso vai nos confirmar que o mundo é como nós acreditamos que ele é.

“A crença é, em parte, involuntária. Um homem não pode ser considerado melhor ou pior por causa da sua crença”.
-Percy Bysshe Shelley-

Como formamos nossas crenças?

As pessoas têm crenças e filosofias de vida que, embora tenham sido inventadas por nós mesmos, são mantidas dogmaticamente. Para atingir os nossos objetivos na vida, precisamos aprender a formar e manter crenças racionais, e a lidar com o irracional.

Os padrões de pensamento irracionais são falsos, disfuncionais e automáticos. Eles são expressos em termos de obrigação, necessidade ou exigência (eu tenho que, eu devo, eu sou obrigado). Se não agirmos de acordo com esses padrões, somos inundados por emoções negativas (depressão, culpa, raiva, ansiedade, medo), que interferem na realização dos nossos objetivos e geram mudanças comportamentais como o isolamento, comportamento de evitação ou fuga, abuso de substâncias tóxicas, etc.

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Pelo contrário, as crenças racionais são preferenciais ou relativas, e se expressam em termos de desejos e gosto (eu preferiria, eu gostaria). Quando as pessoas não conseguem o que desejam, surgem os sentimentos negativos que prejudicam a realização de novos objetivos ou propósitos.

Não são as situações que causam os problemas, mas eles são causados por crenças que permeiam as nossas interpretações. As crenças racionais nos aproximam de uma vida adaptada e flexível aos nossos desejos.

O colapso de uma crença cria uma nova dimensão da pessoa.

Quais são as crenças que nos impedem de viver a vida que desejamos?

Os pensamentos irracionais nos afastam da vida que queremos ter. A psicologia cognitiva, ou seja, a Terapia Racional Emotiva Comportamental de Ellis, parte do pressuposto de que não são os fatos que acontecem que produzem os distúrbios, mas sim a interpretação que as pessoas têm sobre eles.

Estas são algumas crenças que interiorizamos e que nos afastam da vida que desejamos ter:

  • Não posso. Muitas pessoas já estão fazendo o que gostam e vivendo a vida que desejam. A diferença é que eles confiam em si mesmos, deixaram as desculpas para trás, saíram da sua zona de conforto e estão “correndo atrás” dos seus sonhos. Se eles podem, você também pode.
  • Agora não é o momento. Qualquer momento é o tempo perfeito para começar. Nós acreditamos que quando “a crise” passar tudo vai melhorar e poderemos agir, mas não é bem assim. Este tipo de pensamento é apenas uma desculpa.
  • Isto só acontece para algumas pessoas que têm sorte. A lei universal de causa e efeito nos ensina que a sorte é algo que se tem porque criamos anteriormente as condições favoráveis que nos conduzem a ela.

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As nossas necessidades geram uma tensão emocional que dá origem a dois tipos de distúrbios psicológicos: a ansiedade do ego e a ansiedade perturbadora.

  • Ansiedade do ego: ocorre quando a autoimagem é alterada e quando o indivíduo condena a si mesmo pelas suas próprias cobranças.
  • Ansiedade perturbadora: ocorre quando não satisfazemos os pedidos dogmáticas que criam bem-estar e uma vida confortável. É provocada pelas exigências e cobranças que o indivíduo faz aos outros ou ao mundo.

Se você acha que não me deve nada, realmente não me deve nada, porque eu respeito todas as crenças e porque todas as crenças são iguais. Todas são crenças.”
-Antonio Porchia-