Confrontando meus próprios pensamentos - A Mente é Maravilhosa

Confrontando meus próprios pensamentos

setembro 12, 2016 em Psicologia 0 Compartilhados
Confrontando meus próprios pensamentos

Se há um método na psicologia que recebeu um importante respaldo empírico com um aval de mais de 2.000 estudos científicos é o método socrático, o questionamento dos próprios pensamentos e crenças. O método socrático é utilizado na psicologia cognitiva e seu objetivo é substituir as ideias que não são reais por outras que se ajustam melhor à realidade.

Sabemos que por trás de um estado emocional exagerado sempre há um pensamento – também exagerado e falso – que o provoca. Os acontecimentos não determinam nossas emoções, sempre existe a instância intermediária das cognições, e é aí onde temos margem de ação e de controle.

“Nem seus piores inimigos podem lhe fazer tanto mal como seus próprios pensamentos.”
-Buda-

De onde vem o confronto de ideias?

Foi o filósofo Sócrates que começou a debater com seus companheiros atenienses após uma visita ao oráculo de Delfos. É por isso que o método recebeu esse nome, questionamento socrático ou método socrático.

Sócrates, através de perguntas lógicas, tentava encontrar a veracidade dos argumentos de seus interlocutores, e descobrir se estes eram ou não lógicos e racionais. Se não tinham lógica, chegava um ponto em que o interlocutor de Sócrates se contradizia, tendo que aceitar, inevitavelmente, outro ponto de vista mais lógico e racional.

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A importância de aprender a raciocinar

Nós, seres humanos, tendemos a pensar de maneira irracional, falsa e exagerada. É verdade que certos pensamentos negativos muitas vezes podem nos ajudar a nos proteger de perigos, buscar ajuda ou enfrentar algumas situações, mas em outras ocasiões esses pensamentos são tão exagerados em relação à situação que não nos ajudam, muito pelo contrário, nos bloqueiam e nos fazem ir contra nossos objetivos.

É necessário que as pessoas aprendam a raciocinar, a pensar com lógica, a apegar-se a realidade e não a sua própria interpretação tendenciosa da realidade.
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Na terapia, ensina-se o método socrático aos pacientes para que sejam eles os que questionem a si mesmos, os que discutam com seus próprios pensamentos e interpretações, até chegarem a um ponto de rejeitarem os pensamentos não lógicos e modificá-los por outros mais sãos, que provoquem emoções mais saudáveis e sossegadas.

Como se realiza o questionamento socrático?

Como já falamos, questionar nossas próprias interpretações da realidade significa perguntar a nós mesmos se o que estamos pensando é lógico ou não, se corresponde à realidade ou se estamos sendo vítimas de nossas próprias crenças e filtros mentais.

Temos que levar em consideração que percebemos a realidade com nossos cinco sentidos, e que é neles que temos que confiar. Por exemplo, se meu pensamento é  “está chovendo”, tenho que argumentar a mim mesmo que isso é verdade. Para isso tenho que me fazer uma série de perguntas:

  • Que provas tenho de que esse pensamento é verdade? No caso do exemplo que colocamos, as provas poderiam ser que as calhas estão molhadas, que cai água do céu e que as pessoas estão com guarda-chuva, o que seriam evidências.
  • Que provas tenho de que esse pensamento é falso? Aqui poderíamos dizer que nenhuma, já que encontramos muitos fatos a favor e nada diz que não está chovendo realmente.
  • Existem outras interpretações alternativas? Não, tudo indica que realmente está chovendo.

Com essas perguntas comprovamos que nosso pensamento é realista, lógico e racional. Mas o que acontece com outros tipos de pensamentos negativos e irracionais como, por exemplo, “sou um inútil”, “isso não deveria ter me acontecido” ou “minha vida nunca mais fará sentido”?

Analisando os pensamentos como um cientista

O processo de raciocínio é o mesmo: temos que confrontar essas ideias com a realidade, fazermos as mesmas perguntas até averiguarmos se isso é verdadeiro ou não, da mesma forma como fariam os cientistas.

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Por outro lado, os pacientes buscam argumentos que rebatam todas essas cognições e que demonstrem que são pensamentos falsos e exagerados. Assim, com o pensamento “minha vida nunca mais voltará a ter sentido” , devemos nos perguntar:

  • Que provas tenho de que isso é realmente assim? Perdi algo que era bastante importante para mim.
  • Que provas tenho de que esse pensamento é falso? Não posso saber com certeza se minha vida voltará a ter sentido ou não, portanto, assumir que nunca terá é adiantar os acontecimentos. Além disso, o fato de ter perdido algo importante em minha vida não quer dizer que toda ela precise de sentido completo, pois tenho muitas outras coisas das quais posso desfrutar.
  • Existem outras interpretações alternativas?: Sim, minha vida sofreu um contratempo importante, mas isso não quer dizer que perdeu seu sentido. Nada demonstra que uma perda implica diretamente a perda do sentido vital. Isso é desagradável, mas não é terrível.

Perguntar a nós mesmos para nos conhecermos

Existem muitas outras perguntas destinadas a comprovar a validade empírica de certos pensamentos negativos. Algumas exploram muitos argumentos, como acabamos de ver, outras estão destinadas a comprovar a utilidade do pensamento e outras a averiguar se o que pensamos, afinal, seria tão grave ou não.

Quanto mais perguntas fizermos que nos demonstrem que o que pensamos não é adequado em relação a realidade, melhor. O objetivo é convencer a nós mesmos de que estamos magnificando a situação, ficando ansiosos sem provas ou dizendo que algo é terrível quando é, na verdade, desagradável, mas suportável.

Quando uma pessoa treina o diálogo socrático diariamente consigo mesma ela chega a ser uma especialista e aprende a interpretar o mundo de uma forma mais saudável e racional, o que gera emoções mais tranquilas, as quais, por sua vez, permitem enfrentar os problemas mais serenamente. A chave é perseverar até fazê-lo automaticamente.

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