Confrontando meus próprios pensamentos - A Mente é Maravilhosa

Confrontando meus próprios pensamentos

12, setembro 2016 em Psicologia 1736 Compartilhados
Confrontando meus próprios pensamentos

Se há um método na psicologia que recebeu um importante respaldo empírico com um aval de mais de 2.000 estudos científicos é o método socrático, o questionamento dos próprios pensamentos e crenças. O método socrático é utilizado na psicologia cognitiva e seu objetivo é substituir as ideias que não são reais por outras que se ajustam melhor à realidade.

Sabemos que por trás de um estado emocional exagerado sempre há um pensamento – também exagerado e falso – que o provoca. Os acontecimentos não determinam nossas emoções, sempre existe a instância intermediária das cognições, e é aí onde temos margem de ação e de controle.

“Nem seus piores inimigos podem lhe fazer tanto mal como seus próprios pensamentos.”
-Buda-

De onde vem o confronto de ideias?

Foi o filósofo Sócrates que começou a debater com seus companheiros atenienses após uma visita ao oráculo de Delfos. É por isso que o método recebeu esse nome, questionamento socrático ou método socrático.

Sócrates, através de perguntas lógicas, tentava encontrar a veracidade dos argumentos de seus interlocutores, e descobrir se estes eram ou não lógicos e racionais. Se não tinham lógica, chegava um ponto em que o interlocutor de Sócrates se contradizia, tendo que aceitar, inevitavelmente, outro ponto de vista mais lógico e racional.

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A importância de aprender a raciocinar

Nós, seres humanos, tendemos a pensar de maneira irracional, falsa e exagerada. É verdade que certos pensamentos negativos muitas vezes podem nos ajudar a nos proteger de perigos, buscar ajuda ou enfrentar algumas situações, mas em outras ocasiões esses pensamentos são tão exagerados em relação à situação que não nos ajudam, muito pelo contrário, nos bloqueiam e nos fazem ir contra nossos objetivos.

É necessário que as pessoas aprendam a raciocinar, a pensar com lógica, a apegar-se a realidade e não a sua própria interpretação tendenciosa da realidade.
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Na terapia, ensina-se o método socrático aos pacientes para que sejam eles os que questionem a si mesmos, os que discutam com seus próprios pensamentos e interpretações, até chegarem a um ponto de rejeitarem os pensamentos não lógicos e modificá-los por outros mais sãos, que provoquem emoções mais saudáveis e sossegadas.

Como se realiza o questionamento socrático?

Como já falamos, questionar nossas próprias interpretações da realidade significa perguntar a nós mesmos se o que estamos pensando é lógico ou não, se corresponde à realidade ou se estamos sendo vítimas de nossas próprias crenças e filtros mentais.

Temos que levar em consideração que percebemos a realidade com nossos cinco sentidos, e que é neles que temos que confiar. Por exemplo, se meu pensamento é  “está chovendo”, tenho que argumentar a mim mesmo que isso é verdade. Para isso tenho que me fazer uma série de perguntas:

  • Que provas tenho de que esse pensamento é verdade? No caso do exemplo que colocamos, as provas poderiam ser que as calhas estão molhadas, que cai água do céu e que as pessoas estão com guarda-chuva, o que seriam evidências.
  • Que provas tenho de que esse pensamento é falso? Aqui poderíamos dizer que nenhuma, já que encontramos muitos fatos a favor e nada diz que não está chovendo realmente.
  • Existem outras interpretações alternativas? Não, tudo indica que realmente está chovendo.

Com essas perguntas comprovamos que nosso pensamento é realista, lógico e racional. Mas o que acontece com outros tipos de pensamentos negativos e irracionais como, por exemplo, “sou um inútil”, “isso não deveria ter me acontecido” ou “minha vida nunca mais fará sentido”?

Analisando os pensamentos como um cientista

O processo de raciocínio é o mesmo: temos que confrontar essas ideias com a realidade, fazermos as mesmas perguntas até averiguarmos se isso é verdadeiro ou não, da mesma forma como fariam os cientistas.

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Por outro lado, os pacientes buscam argumentos que rebatam todas essas cognições e que demonstrem que são pensamentos falsos e exagerados. Assim, com o pensamento “minha vida nunca mais voltará a ter sentido” , devemos nos perguntar:

  • Que provas tenho de que isso é realmente assim? Perdi algo que era bastante importante para mim.
  • Que provas tenho de que esse pensamento é falso? Não posso saber com certeza se minha vida voltará a ter sentido ou não, portanto, assumir que nunca terá é adiantar os acontecimentos. Além disso, o fato de ter perdido algo importante em minha vida não quer dizer que toda ela precise de sentido completo, pois tenho muitas outras coisas das quais posso desfrutar.
  • Existem outras interpretações alternativas?: Sim, minha vida sofreu um contratempo importante, mas isso não quer dizer que perdeu seu sentido. Nada demonstra que uma perda implica diretamente a perda do sentido vital. Isso é desagradável, mas não é terrível.

Perguntar a nós mesmos para nos conhecermos

Existem muitas outras perguntas destinadas a comprovar a validade empírica de certos pensamentos negativos. Algumas exploram muitos argumentos, como acabamos de ver, outras estão destinadas a comprovar a utilidade do pensamento e outras a averiguar se o que pensamos, afinal, seria tão grave ou não.

Quanto mais perguntas fizermos que nos demonstrem que o que pensamos não é adequado em relação a realidade, melhor. O objetivo é convencer a nós mesmos de que estamos magnificando a situação, ficando ansiosos sem provas ou dizendo que algo é terrível quando é, na verdade, desagradável, mas suportável.

Quando uma pessoa treina o diálogo socrático diariamente consigo mesma ela chega a ser uma especialista e aprende a interpretar o mundo de uma forma mais saudável e racional, o que gera emoções mais tranquilas, as quais, por sua vez, permitem enfrentar os problemas mais serenamente. A chave é perseverar até fazê-lo automaticamente.

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