Criação e amor, duas palavras que devem andar de mãos dadas

Criação e amor, duas palavras que devem andar de mãos dadas

3, agosto 2016 em Psicologia 2242 Compartilhados
Criação e amor, duas palavras que devem andar de mãos dadas

A criação e a construção da família são dois dos desafios mais maravilhosos e mágicos que a vida pode nos apresentar. Por quê? Porque desde o primeiro momento os filhos se transformam no maior tesouro dos pais, em seu lugar no mundo, seu lar, seu canto, seu tudo.

Criar e amar são dois verbos que devem andar de mãos dadas, pois a grande maioria dos pais, desde o carinho mais profundo e incondicional, compartilha seus pensamentos e emoções com os filhos, redescobrem a vida, exploram o mundo e ajudam a evoluir a família como um núcleo de valores nobres.

O justo é, então, destacar que ser pai não é fácil, pois mesmo que a aventura da criação aproxime as pessoas do mundo real e coloque os nossos pés no chão, a verdade é que educar com amor e com valores positivos é uma das tarefas mais difíceis que existem.

família

Família, o berço da criação e da educação emocional

Nossas luzes e sombras se projetam de forma individual dentro das condições familiares favoráveis ao nosso desenvolvimento. Portanto, a expressão de Kaye é correta quando afirma que “a criança é colocada pelo sistema familiar em que nasce na posição de aprendiz do sistema; por isso podemos nos perguntar quais são essas características dos sistemas familiares que irão facilitar ou dificultar que o aprendiz venha a ser um adulto capaz de evoluir permanentemente ou se cegar perante essa possibilidade”.

Ser pai é, muitas vezes, ser inerente à preocupação e à necessidade de aprender a desempenhar nossos papéis da melhor maneira possível. Isso implica que devemos reforçar nossas habilidades comunicativas e pessoais em relação aos nossos papéis como pais e como indivíduos. Essa confluência exige, portanto, que nos aproximemos da educação emocional desde o início.

A educação emocional começa desde o nascimento, pois o modo como os pais transmitem seu afeto, expectativas e crenças sobre a criança é decisivo para o seu desenvolvimento. Concretamente, os primeiros anos de vida são fundamentais por vários motivos:

  • Nos primeiros anos de vida a influência mais notável sobre uma criança corresponde à criação de um quadro de segurança básica, que afinal de contas é transmitido através do contato físico e afetivo com a criança.
  • A partir dos dois anos começa a fazer parte da educação emocional um aspecto fundamental: a linguagem. Sua aparição e evolução permitem dar nomes aos comportamentos, aos modos de ser, de sentir e de pensar. Esse marco define, sem dúvida, um antes e um depois.
  • É neste momento que as crianças se tornam exploradoras emocionais especialistas e buscam constantemente a autoridade de seus pais em modo de aprovação, o que lhes faz ordenar, entender, prever e lidar com o mundo e consigo mesmas.

Família olhando as estrelas

Os 5 pilares fundamentais da educação emocional

Para que haja um investimento emocional correto na educação dos nossos filhos, devemos atender a, pelo menos, cinco pilares fundamentais:

  • O acompanhamento através das palavras e dos fatos: comunicarmos de maneira correta, sincera e emocional com nossa família é um dos suportes fundamentais na hora de sustentar boas relações com os filhos, sejam crianças ou adolescentes. Neste ponto, é essencial ser consistente e analisar as nossas ações.
  • O autoconhecimento emocional: se quisermos cativar os nossos filhos através das emoções, devemos ser um reflexo de um bom controle emocional, algo em que só teremos sucesso se formos claros sobre quais emoções são saudáveis e quais não o são, partindo sempre da necessidade de fornecer recursos para a boa compreensão e gestão.
  • Gerir nossas emoções: estar ciente dos nossos pensamentos, apresentar discordâncias de forma assertiva, criar uma família e lidar adequadamente com as tensões e o estresse são a base da inteligência emocional que sustenta uma família saudável e feliz.
  • A serenidade na comunicação é a base da reconciliação familiar: a confiança e a reconciliação permitem nos reconhecermos como família dentro da própria diversidade. Por isso devemos reforçar nossas habilidades de comunicação empáticas e interpessoais, o que nos permitirá resolver adequadamente vários problemas e conflitos.
  • Promover o interesse em compreender o universo das emoções: a exploração e a curiosidade são os pilares base de toda boa educação. Por isso, através da exploração e do autoconhecimento, reforçamos os pilares que sustentam uma mente livre de preconceitos e estereótipos.
  • O respeito e a validação emocional: é preciso ficar claro que, assim como Carl R. Rogers escreveu em seu livro “Tornar-se pessoa”, desconhecemos a enorme pressão que colocamos sobre as pessoas que amamos para que elas tenham os mesmos sentimentos que nós. Então, muitas vezes a nossa maneira de falar e de agir parece dizer “se você quer que eu o ame, deve sentir como eu. Se eu sentir que o seu comportamento é ruim, você deve sentir o mesmo; se acho que um determinado objetivo é desejável, você deve sentir o mesmo”.

Menina se atirando a uma poça d'água

Não existem pais perfeitos, mas existem muitas maneiras de ser bons pais

Ser a mãe ou o pai perfeito durante as 24 horas do dia e os 365 dias do ano é uma tarefa difícil. Por isso, nesse sentido, devemos ser justos e admitir que nem tudo é maravilhoso e que não existe um protótipo ideal de criação pelo qual podemos nos guiar.

Assim, por experiência direta ou indireta, todos sabemos que o importante sobre os pais não é que eles sejam pessoas com imperfeições e inseguranças, mas que, como tal, proporcionem aos filhos a possibilidade de viver em um mundo equilibrado, enriquecedor e emocionalmente inteligente.

Para isso não existe uma fórmula mágica, mas há um ingrediente que compartilha todos os bons princípios educacionais: o amor infinito. Este sentimento é aquele que aumenta todos os dias o trabalho de criação e garante que os pais sejam capazes de oferecer o melhor de si mesmos como educadores.

Ilustrações cortesia de Claudia Tremblay e Víctor Rivas Fernández.

Recomendados para você