A boa comunicação requer alguns artifícios

· junho 9, 2016

Quando falamos de comunicação, estamos nos referindo a todas aquelas ações destinadas a enviar uma mensagem para outras pessoas e garantir que elas as recebam corretamente. Dito assim, parece tão simples que pode parecer absurdo escrever um artigo sobre o assunto, mas a realidade é que é mais difícil se comunicar do que pensamos. A boa comunicação requer certas habilidades e, acima de tudo, muita prática.

Na verdade, a maioria dos conflitos interpessoais que ocorrem estão enraizados na falta de comunicação, por isso é essencial aprender a desenvolver esta capacidade se desejamos ter relacionamentos sociais satisfatórios e de melhor qualidade.

Aprender a se comunicar não é uma tarefa fácil. Na escola aprendemos muita coisa, mas não aprendemos a nos comunicarmos de forma eficaz com o outro e isso causa muitos problemas.

Às vezes somos muito viscerais, atuamos de forma automática e fracassamos nos relacionamentos com os outros. Quantas vezes já nos arrependemos por ter dito algo desagradável a alguém que gostamos? Quantos conflitos poderíamos ter evitado se tivéssemos falado de outra maneira?

Por que não sabemos manter uma boa comunicação?

Os especialistas dizem que existem duas teorias principais para que a nossa comunicação não seja adequada: a teoria do déficit e a teoria da motivação.

De acordo com a teoria do déficit, somos ignorantes: não sabemos “como e o que” precisamos fazer para ter um bom relacionamento com os demais. Como já dissemos, nos ensinaram a ler, escrever e resolver problemas, mas ninguém nos ensinou se a comunicar de forma eficaz e nem resolver os problemas que aparecem por essa falta de eficácia.

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Por outro lado, a teoria da motivação diz que falta a motivação necessária para nos aproximarmos das pessoas que encontramos no nosso caminho.

Mas, se pensarmos um pouco mais sobre o assunto, poderemos acrescentar a teoria da “exigência”. É claro que quando brigamos ou não gostamos de alguém, é porque queremos que a pessoa seja da forma como desejamos, e não como ela é realmente. Como estratégia para mudar alguém discutimos, gritamos, hostilizamos e enumeramos efusivamente todos os comportamentos que desprezamos nele ou nela.

Portanto, o primeiro e mais importante passo é perceber a realidade: as pessoas não vão mudar porque nós queremos que mudem, e não temos o direito de exigir que ninguém seja da forma como desejamos.

A mudança começa em si mesmo

Você deve estar se perguntando: quem precisa mudar? Na verdade, não é o outro, mas você mesmo. Todas as mudanças que desejamos na nossa vida começam pela nossa vontade de mudar, pelas nossas ações, mesmo que isso dê a impressão de que vamos quebrar o ego em mil pedaços. Às vezes é muito difícil, mas nós somos as únicas pessoas que temos o controle sobre nós mesmos.

Não se esqueça de que você não pode controlar e mudar o outro. Se você se zangar e tentar forçar uma mudança, ele ficará na defensiva. A mudança deve começar por você: quando você muda, o outro começa a fazer coisas diferentes e muda também.

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É preciso olhar dentro de si mesmo e perceber se a forma como conduzimos nossas habilidades de comunicação nos ajuda ou agrava os problemas e, se necessário, modificá-la. Uma boa estratégia é registrar em um diário como você se comporta nas situações sociais e analisar se o seu comportamento é eficaz ou não, e se é necessário mudar.

O truque

Comunicar de forma eficaz tem um truque, uma estratégia. Mas não é mágica, você precisa se esforçar e trabalhar duro para mudar. Nenhuma mudança acontece da noite para o dia. Abaixo listamos algumas técnicas de comunicação eficazes que o ajudarão a melhorar o seu relacionamento com os outros, discutindo menos e sem estresse.

  • Desarme-se: encontre alguma verdade no que a outra pessoa está dizendo. Tenha em mente que não existe uma verdade absoluta e ninguém tem razão em tudo o que diz. Dessa forma, deixe o ego de lado e reconheça a verdade do outro. Assim, abrimos a porta para ouvir o outro, que se sentirá compreendido e relaxado e, por sua vez, também nos ouvirá com mais atenção.
  • Empatia: é basicamente “calçar os sapatos do outro”, sentir o que ele está sentindo, mesmo sem compartilhar da sua opinião. Faça com que a pessoa perceba que reconhecemos os seus sentimentos e que somos solidários a ela.

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  • Perguntar: nós não somos videntes e às vezes há coisas que nos escapam, mas temos vergonha, preguiça ou medo de perguntar e esclarecer certas informações. Você precisa perguntar para evitar mal-entendidos, para descobrir mais sobre o que o outro pensa ou sente; as perguntas devem ser feitas com delicadeza e respeito.
  • “Eu sinto que”:  nunca comece uma frase com “você me deixa nervoso” ou “você é um idiota”; o único responsável por seu estado emocional é você mesmo, e não o outro. Você se sente mal porque exige que o outro seja da forma como você quer, e isso é um absurdo. Portanto, seja responsável pelas suas emoções e por como você está se sentindo.
  • Carinho: sempre termine o conflito dizendo algo positivo e agradável para a outra pessoa, apesar de estarem muito chateados. Isto nos trará uma enorme sensação de paz e o outro não estará mais na defensiva.