Cuidemos dos que cuidam de nós - A Mente é Maravilhosa

Cuidemos dos que cuidam de nós

março 26, 2017 em Psicologia 627 Compartilhados
Cuidemos dos que cuidam de nós

Cuidemos dos que cuidam de nós, porque os médicos, enfermeiras, cuidadores, auxiliares e, em suma, todo o pessoal dedicado ao ramo da saúde dá o máximo de si para cuidar de nós apesar das dificuldades. Eles também sentem a nossa dor e padecem a burocracia que o seu trabalho implica, assim como nós sofremos com as listas de espera.

Às vezes todo o pessoal da saúde precisa “fazer malabarismo” para lidar com as exigências da burocracia, dos chefes dos seus centros de saúde, do bem-estar dos pacientes e das críticas dos familiares. Tudo isso sem considerar o próprio estresse pessoal que podem estar passando nas suas próprias vidas.

Por isso, é muito comum encontrar problemas de estresse ou esgotamento nos profissionais de saúde. Portanto, pensar naqueles que cuidam de nós, no seu bem-estar, deveria ser uma prioridade nos centros hospitalares porque eles também precisam de cuidados.

“O médico competente, antes de dar um remédio ao seu paciente, se familiariza não apenas com a doença que deseja curar, mas também com os hábitos e a constituição do doente.”
-Cicerón-

Estresse e esgotamento naqueles que cuidam de nós

Quando passamos por um hospital com nossos familiares, costumamos sentir medo e ficamos frustrados porque vemos uma pessoa que amamos sofrendo, e não podemos fazer nada por ela já que não somos médicos. Por isso nos sentimos impotentes, ansiosos, e pedimos que o atendam o quanto antes, incomodando, talvez de forma muito exigente, o pessoal da saúde que encontramos pelo caminho.

Além disso, todos e cada um dos membros desse hospital estão submetidos a horários de trabalho desgastantes. E mesmo assim, exercem seu trabalho com o maior profissionalismo possível, procurando equilibrar todas as demandas, as nossas e a de seus centros, mas às vezes o equilíbrio se quebra e começam os problemas.

Estresse

O estresse ocupacional se refere a um conjunto de reações emocionais, cognitivas, fisiológicas e comportamentais do profissional em relação a certos aspectos adversos ou nocivos no trabalho. O estresse ocupacional no pessoal da saúde surge quando as demandas de trabalho são elevadas e, ao mesmo tempo, a capacidade de controle de tomada de decisão é baixa – por falta de recursos, tanto pessoais quanto próprios do sistema.

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Determinadas condições de trabalho próprias dos profissionais da saúde surgem normalmente relacionadas a um amplo espectro de sintomas físicos e psíquicos que repercutem na saúde do médico, na própria organização, e na qualidade dos cuidados que os profissionais da saúde nos oferecem.

Estas situações podem ter a ver com a relação com pacientes e seus familiares, o contato diário com a morte e a dor, a responsabilidade sobre a saúde dos outros, o enfrentamento de situações de emergência ou a pressão social e as dificuldades de coordenação.

Esgotamento (Burnout)

Esgotamento, burnout ou síndrome do desgaste ou esgotamento no trabalho é uma consequência do estresse e desde 1994 está catalogada pela Organização Mundial da Saúde como doença trabalhista. É um transtorno emocional no qual as variáveis do âmbito profissional, do estresse causado pelo trabalho e o estilo de vida do funcionário são muito importantes. Destacam-se três dimensões:

  • Esgotamento emocional: se manifesta em alterações emocionais que surgem das dificuldades dos profissionais para administrar as emoções intensas de pacientes ou outros profissionais, que afetam as suas decisões profissionais e aumentam os erros na prática. Além disso, estas alterações emocionais provocam mal-estar psicológico e reduzem a empatia que facilita um bom relacionamento entre profissionais e pacientes.
  • Despersonalização: caracterizada por uma tendência ao distanciamento com os pacientes e à adoção de condutas de robotização, que podem aumentar os erros no seu trabalho.
  • Sensação de baixa realização pessoal: que nestes casos costuma se associar inversamente com o otimismo e valorização do trabalho e, além disso, aumenta nos profissionais que tratam de doentes terminais.

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Tudo isso faz com que as consequências, tanto psicológicas quanto para a saúde, sejam muito graves. Alguns dos sintomas mais comuns que surgem com esta síndrome são: baixa autoestima, sentimento de esgotamento, fracasso e impotência, estado de excitação e nervosismo permanente, comportamentos irritáveis ou agressivos, dores de cabeça, taquicardia, insônia e baixo rendimento, entre outros.

“É muito difícil perceber quando um médico fica doido. Muitos deles ficam extenuados pelo excesso de trabalho e têm o cérebro cansado.”
-Agatha Christie-

Diferenças entre o estresse e o esgotamento

As diferenças entre o estresse e o esgotamento não são fáceis de estabelecer e o esgotamento pode ser considerado a última etapa do estresse crônico. Portanto, segundo o modelo de Selye, que considera a terceira fase do estresse como a fase do esgotamento, existem algumas diferenças:

  • O estresse pode desaparecer após um período adequado de descanso e repouso, o esgotamento não se reduz com as férias: o esgotamento não é um processo associado à fadiga, mas sim à desmotivação emocional e cognitiva.
  • O esgotamento aparece de forma mais brusca do que o estresse: entre o pessoal da saúde, o esgotamento aparece de forma impactante enquanto o estresse se desenvolve durante um período de tempo mais prolongado, no qual vão sendo superadas as demandas daqueles que cuidam.
  • O esgotamento é uma variável do estresse especificamente relacionada à perda dos elementos cognitivos que valorizam um trabalho: aparece quando se perde a justificativa de um esforço ou de uma tarefa que anteriormente era agradável e se transforma em um fardo pesado, monótono ou excessivo.

Os benefícios do mindfulness nos profissionais da saúde

A saúde mental destes profissionais requer atenção especial para aprender a administrar as situações de estresse, ansiedade e mal-estar emocional. A prática do mindfulness, ou atenção plena, não apenas melhora o funcionamento a qualidade de vida do profissional da saúde, como também melhora o serviço e atenção prestada aos pacientes.

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Algumas técnicas baseadas no mindfulness, como a meditação de atenção na respiração, a meditação de consciência aberta, a meditação caminhando ou a meditação de amor e compaixão, que em muitos casos podem ser realizadas no próprio centro de saúde, melhorariam todos os indicadores de estresse e burnout que os profissionais da saúde apresentam.

Por isso, ensinar uma série de técnicas baseadas na atenção plena, que os ajude a melhorar o seu estado emocional, aumentar a empatia e cuidar do seu bem-estar, repercutirá na nossa própria saúde e na qualidade do nosso sistema, já que cuidar daqueles que cuidam de nós é cuidar de nós mesmos.

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