Cuidemos dos que cuidam de nós - A Mente é Maravilhosa

Cuidemos dos que cuidam de nós

Março 26, 2017 em Psicologia 0 Compartilhados
Cuidemos dos que cuidam de nós

Cuidemos dos que cuidam de nós, porque os médicos, enfermeiras, cuidadores, auxiliares e, em suma, todo o pessoal dedicado ao ramo da saúde dá o máximo de si para cuidar de nós apesar das dificuldades. Eles também sentem a nossa dor e padecem a burocracia que o seu trabalho implica, assim como nós sofremos com as listas de espera.

Às vezes todo o pessoal da saúde precisa “fazer malabarismo” para lidar com as exigências da burocracia, dos chefes dos seus centros de saúde, do bem-estar dos pacientes e das críticas dos familiares. Tudo isso sem considerar o próprio estresse pessoal que podem estar passando nas suas próprias vidas.

Por isso, é muito comum encontrar problemas de estresse ou esgotamento nos profissionais de saúde. Portanto, pensar naqueles que cuidam de nós, no seu bem-estar, deveria ser uma prioridade nos centros hospitalares porque eles também precisam de cuidados.

“O médico competente, antes de dar um remédio ao seu paciente, se familiariza não apenas com a doença que deseja curar, mas também com os hábitos e a constituição do doente.”
-Cicerón-

Estresse e esgotamento naqueles que cuidam de nós

Quando passamos por um hospital com nossos familiares, costumamos sentir medo e ficamos frustrados porque vemos uma pessoa que amamos sofrendo, e não podemos fazer nada por ela já que não somos médicos. Por isso nos sentimos impotentes, ansiosos, e pedimos que o atendam o quanto antes, incomodando, talvez de forma muito exigente, o pessoal da saúde que encontramos pelo caminho.

Além disso, todos e cada um dos membros desse hospital estão submetidos a horários de trabalho desgastantes. E mesmo assim, exercem seu trabalho com o maior profissionalismo possível, procurando equilibrar todas as demandas, as nossas e a de seus centros, mas às vezes o equilíbrio se quebra e começam os problemas.

Estresse

O estresse ocupacional se refere a um conjunto de reações emocionais, cognitivas, fisiológicas e comportamentais do profissional em relação a certos aspectos adversos ou nocivos no trabalho. O estresse ocupacional no pessoal da saúde surge quando as demandas de trabalho são elevadas e, ao mesmo tempo, a capacidade de controle de tomada de decisão é baixa – por falta de recursos, tanto pessoais quanto próprios do sistema.

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Determinadas condições de trabalho próprias dos profissionais da saúde surgem normalmente relacionadas a um amplo espectro de sintomas físicos e psíquicos que repercutem na saúde do médico, na própria organização, e na qualidade dos cuidados que os profissionais da saúde nos oferecem.

Estas situações podem ter a ver com a relação com pacientes e seus familiares, o contato diário com a morte e a dor, a responsabilidade sobre a saúde dos outros, o enfrentamento de situações de emergência ou a pressão social e as dificuldades de coordenação.

Esgotamento (Burnout)

Esgotamento, burnout ou síndrome do desgaste ou esgotamento no trabalho é uma consequência do estresse e desde 1994 está catalogada pela Organização Mundial da Saúde como doença trabalhista. É um transtorno emocional no qual as variáveis do âmbito profissional, do estresse causado pelo trabalho e o estilo de vida do funcionário são muito importantes. Destacam-se três dimensões:

  • Esgotamento emocional: se manifesta em alterações emocionais que surgem das dificuldades dos profissionais para administrar as emoções intensas de pacientes ou outros profissionais, que afetam as suas decisões profissionais e aumentam os erros na prática. Além disso, estas alterações emocionais provocam mal-estar psicológico e reduzem a empatia que facilita um bom relacionamento entre profissionais e pacientes.
  • Despersonalização: caracterizada por uma tendência ao distanciamento com os pacientes e à adoção de condutas de robotização, que podem aumentar os erros no seu trabalho.
  • Sensação de baixa realização pessoal: que nestes casos costuma se associar inversamente com o otimismo e valorização do trabalho e, além disso, aumenta nos profissionais que tratam de doentes terminais.

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Tudo isso faz com que as consequências, tanto psicológicas quanto para a saúde, sejam muito graves. Alguns dos sintomas mais comuns que surgem com esta síndrome são: baixa autoestima, sentimento de esgotamento, fracasso e impotência, estado de excitação e nervosismo permanente, comportamentos irritáveis ou agressivos, dores de cabeça, taquicardia, insônia e baixo rendimento, entre outros.

“É muito difícil perceber quando um médico fica doido. Muitos deles ficam extenuados pelo excesso de trabalho e têm o cérebro cansado.”
-Agatha Christie-

Diferenças entre o estresse e o esgotamento

As diferenças entre o estresse e o esgotamento não são fáceis de estabelecer e o esgotamento pode ser considerado a última etapa do estresse crônico. Portanto, segundo o modelo de Selye, que considera a terceira fase do estresse como a fase do esgotamento, existem algumas diferenças:

  • O estresse pode desaparecer após um período adequado de descanso e repouso, o esgotamento não se reduz com as férias: o esgotamento não é um processo associado à fadiga, mas sim à desmotivação emocional e cognitiva.
  • O esgotamento aparece de forma mais brusca do que o estresse: entre o pessoal da saúde, o esgotamento aparece de forma impactante enquanto o estresse se desenvolve durante um período de tempo mais prolongado, no qual vão sendo superadas as demandas daqueles que cuidam.
  • O esgotamento é uma variável do estresse especificamente relacionada à perda dos elementos cognitivos que valorizam um trabalho: aparece quando se perde a justificativa de um esforço ou de uma tarefa que anteriormente era agradável e se transforma em um fardo pesado, monótono ou excessivo.

Os benefícios do mindfulness nos profissionais da saúde

A saúde mental destes profissionais requer atenção especial para aprender a administrar as situações de estresse, ansiedade e mal-estar emocional. A prática do mindfulness, ou atenção plena, não apenas melhora o funcionamento a qualidade de vida do profissional da saúde, como também melhora o serviço e atenção prestada aos pacientes.

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Algumas técnicas baseadas no mindfulness, como a meditação de atenção na respiração, a meditação de consciência aberta, a meditação caminhando ou a meditação de amor e compaixão, que em muitos casos podem ser realizadas no próprio centro de saúde, melhorariam todos os indicadores de estresse e burnout que os profissionais da saúde apresentam.

Por isso, ensinar uma série de técnicas baseadas na atenção plena, que os ajude a melhorar o seu estado emocional, aumentar a empatia e cuidar do seu bem-estar, repercutirá na nossa própria saúde e na qualidade do nosso sistema, já que cuidar daqueles que cuidam de nós é cuidar de nós mesmos.

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