Dédalo: o grande inventor da mitologia grega

junho 23, 2019
Inventor, arquiteto e escultor grego, Dédalo é famoso pela construção do labirinto do minotauro em Creta e por ser o protagonista de muitos relatos antigos graças às suas habilidades.

Dédalo foi um mítico inventor, arquiteto e escultor grego. Na mitologia grega, diz-se que Dédalo construiu, entre outras coisas, o paradigmático labirinto para o rei Minos de Creta. O nome Dédalo significa “habilmente forjado”.

Dédalo é um personagem mítico, mas por trás de seu nome, há um imenso número de personagens. Em Dédalo, vários escritores gregos personificaram o desenvolvimento das artes da escultura e da arquitetura, especialmente entre atenienses e cretenses.

Dizem que ele viveu no início do período heroico, na era de Minos e de Teseu. No entanto, Homero não o menciona, exceto em uma passagem duvidosa.

Qual é a origem de Dédalo?

Os escritores antigos representam Dédalo como um ateniense, da raça real dos Erechtheidae. Outros o chamavam de cretense por causa do longo tempo que ele morou em Creta.

De acordo com Diodoro, Dédalo era o filho de Metion, que era o filho de Eupalamus, e este último, o filho de Erichthonius. Outros autores sugerem que Dédalo era, de fato, o filho de Eupalamus, ou de Palamaon. O nome de sua mãe era Alcippe, ou Iphinoë, ou Phrasimede.

Dédalo se dedicou à escultura e fez grandes melhorias na arte. Ele teve dois filhos: Ícaro e Yápige. Em sua história, o seu sobrinho Talos (ou Perdix), se tornou muito importante.

Estátua na Grécia

A inveja do criador

Dédalo estava tão orgulhoso de suas realizações que não suportava a ideia de ter um rival. A irmã do arquiteto havia deixado o seu filho com Dédalo para que ele lhe ensinasse artes mecânicas.

O nome do jovem era Perdix, embora também seja conhecido como Talos ou Calos. Perdix era um estudioso da arte e mostrava evidências surpreendentes de engenhosidade.

Segundo a mitologia grega, Perdix, caminhando à beira-mar, recolheu a espinha de um peixe. Inspirado pela forma da espinha, ele pegou um pedaço de ferro, forjou-o imitando os seus desenhos e inventou a serra.

Em outra ocasião, Perdix juntou dois pedaços de ferro conectando-os em uma extremidade com um rebite e afiando as outras extremidades, para inventar o compasso.

Dédalo ficou tão enciumado com as realizações do sobrinho que aproveitou a oportunidade para empurrar Perdix, que caiu da Acrópole. A deusa Athena transformou Perdix em uma perdiz, o que lhe permitiu pousar com segurança.

Ao mesmo tempo, deixou uma cicatriz que parecia uma perdiz no ombro direito de Dédalo. Ele foi condenado por este crime e deixou Atenas após um tempo preso.

Creta: um labirinto e uma vaca de madeira

Ao chegar em Creta, Dédalo foi recebido na corte do rei Minos e sua esposa, Pasifhae. Infelizmente, em pouco tempo, ele estava envolvido em outra situação terrível.

Acontece que Minos escolhera manter um magnífico touro branco que o deus Poseidon lhe dera, em vez de oferecê-lo em sacrifício ao deus do mar. Por isso, Poseidon induziu Pasiphae a desejar fisicamente o touro.

Pasifhae pediu a Dédalo que criasse uma vaca de madeira na qual ela pudesse se esconder e acasalar com o touro. Dessa forma, ela engravidou e deu à luz o Minotauro, uma criatura com corpo humano e cabeça de touro.

Minos também se dirigiu a Dédalo e lhe pediu para construir um labirinto, para prender o Minotauro e não o deixar escapar. Este é o famoso labirinto do Minotauro.

Para cumprir a ordem do rei Minos, Dédalo construiu uma das maiores obras arquitetônicas. O labirinto tinha corredores intermináveis ​​e curvas complicadas, o que confundiria qualquer um que entrasse, a ponto ser impossível achar a saída.

A cada sete anos, os atenienses precisavam enviar sete jovens e sete donzelas para serem sacrificadas ao Minotauro. Este sacrifício era destinado a manter a paz entre as duas partes, devido ao assassinato injusto de Androgeos, um filho de Minos.

Devido ao ‘envio’ dos jovens atenienses, Teseu se apresentou como voluntário e imediatamente se apaixonou por Ariadne, filha do rei Minos. A princesa não queria ver o seu amado morrer e, portanto, pediu ajuda ao artesão.

Dédalo deu a Teseu uma bola de linha. Teseu poderia fugir prendendo um fio de linha na entrada do Labirinto e seguindo esse fio novamente para retornar. Isso ajudou o herói a encontrar um caminho de volta depois que ele matou a fera.

O labirinto do Minotauro construído por Dédalo

O voo de Dédalo e Ícaro

O rei Minos ficou furioso com a traição de Dédalo por ele ter construído a vaca de madeira. Como punição, o rei Minos prendeu Dédalo e seu filho Ícaro no interminável labirinto.

Dédalo conhecia uma saída do labirinto; no entanto, eles não podiam fugir da ilha porque todas as rotas marítimas eram constantemente monitoradas. Portanto, Dédalo construiu dois pares de asas de varas de madeira, que serviam de apoio para penas reais enceradas para fugir dali.

Ele deu instruções específicas para Ícaro sobre como voar. Dédalo disse a Ícaro que não voasse muito baixo, porque a água poderia molhar as penas, mas não muito alto porque o Sol poderia derreter a cera.

Eles conseguiram escapar e foram para a Sicília, mas Ícaro deixou de lado o conselho do seu pai e voou cada vez mais alto. O sol derreteu a cera e destruiu as suas asas, e o fez cair no mar em que morreria afogado.

Ícaro caiu no mar perto de Samos e o seu corpo foi levado para uma ilha próxima. Esta ilha recebeu o nome de Icária, e o mar ao seu redor foi chamado de Mar Icariano, em sua homenagem.

Dédalo: um inovador

Muitos detalhes anedóticos foram forjando a sua reputação como um inovador em muitas artes. Na História Natural de Plínio, a invenção da carpintaria é atribuída a ele.

Na mitologia grega, diz-se que ele concebeu mastros e velas para os barcos da marinha de Minos. Pausanias, por sua vez, atribuiu a Dédalo a construção de inúmeras figuras de culto de madeira arcaicas em toda a Grécia.

Também dizem que ele esculpiu estátuas com tantos detalhes que, por causa de seu realismo, pareciam vivas. Estas estátuas teriam escapado se não fosse pela corrente que as amarrava à parede.

Assim, Dédalo deu o seu nome a qualquer artesão grego anônimo. Além disso, muitas engenhocas gregas que representavam uma habilidade requintada foram atribuídas a ele.

As asas de Ícaro

Interpretação da lenda

Dédalo e Ícaro estão representados em inúmeros vasos gregos, pedras preciosas e murais pompeianos. Um famoso relevo romano mostra Dédalo modelando as asas com as quais eles escaparam de Creta.

Artistas posteriores, como Pieter Brueghel, que pintou a queda de Ícaro, Anthony van Dyck e Charles Le Brun também lhe renderam homenagem. Além disso, Dédalo é representado na pintura de Brill e no conjunto de esculturas de Antonio Canova.

Escritores como James Joyce e W.H. Auden se inspiraram nas lendas de Dédalo e ajudaram a manter o seu nome e lenda vivos até mesmo no século XXI.

A história de Dédalo encoraja outros artistas a considerar com grande cuidado as consequências de longo prazo das suas próprias invenções. Dédalo funciona como um recurso dialético para as criações, tentando evitar que essas invenções façam mais mal do que bem.

Como na história das asas de Ícaro, Dédalo é representado ajudando a criar algo que terá consequências negativas mais tarde.

Este é o caso da criação do monstruoso labirinto quase impenetrável do Minotauro. A sua construção fez com que matar a fera se transformasse em um esforço de dificuldade lendária.

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