A bela lenda do pássaro Toh

· fevereiro 24, 2019
A lenda do pássaro Toh é uma história que os antigos maias transmitiram de geração em geração para ensinar aos jovens a importância de manter a humildade e ser solidários com aqueles que nos rodeiam.

A lenda do pássaro Toh é uma história antiga de origem maia, mais exatamente da península de Yucatán. Dizem que os aventureiros que adentram as selvas destas regiões são guiados pelo pássaro Toh para encontrar cenotes, piscinas naturais localizadas em cavernas.

O pássaro Toh é uma ave solitária que sempre está perto de cavernas e lugares escuros. O mais característico é seu canto queixoso e sua cauda única. Ele tem uma plumagem brilhante que brilha com os raios do sol. Sua cauda se move como um pêndulo e não é parecida com as das outras aves da região.

“A soberba não é grandeza, e sim inchaço; e o que está inchado parece grande, mas não está saudável”.
-Santo Agostinho-

A lenda do pássaro Toh conta que, há muitos e muitos anos, esta ave fazia parte da realeza natural. Naquela época, tinha uma cauda longuíssima de cores espetaculares. Era tão bela que, por isso, era considerada uma ave superior. Todos os animais admiravam sua bela plumagem e a tratavam com respeito e cortesia.

Começa a lenda do pássaro Toh

Segundo a lenda, esta ave era tão bela e admirada que se tornou presunçosa e arrogante. Ela dizia que não podia trabalhar porque temia que sua bela cauda se machucasse. Assim, os outros pássaros tinham que lhe dar água e comida, fazer seus ninhos e preparar o lugar onde ia dormir.

O pássaro Toh não fazia praticamente nada. Ele se levantava tarde e ia ao jardim real, onde ficavam as aves mais bonitas de toda a floresta. Ali, todas conversavam banalidades e riam de piadas. Assim passavam todos os dias das suas vidas.

O pássaro Toh era uma ave extremamente mimada. Não se conformava com qualquer alimento, e queria sempre o melhor. Embora os demais pássaros sempre se esforçassem para agradá-lo, nunca parecia ficar satisfeito com nada.

Pássaros voando em grupo

Uma estranha tempestade

Uma noite qualquer, a coruja, que era a mais sábia de todas, disse que uma terrível tempestade estava se aproximando. Ela sabia que tempestades como aquela só chegavam a cada 50 anos. Era algo inimaginável. Trovões, raios e relâmpagos cairiam sobre toda a floresta. Era preciso construir um refúgio para sobreviver.

Imediatamente, todos os pássaros começaram a trabalhar. O pica-pau, as araras, os periquitos e o tucano começaram a cortar galhos para fazer o abrigo. Os pássaros maiores, como o jacuguaçu, carregaram os galhos mais pesados. Os pássaros pequenos, como os corvos e as codornas, juntaram plantas e pedras pequenas para ajudar na construção.

Diz a lenda do pássaro Toh que as nuvens estavam ficando cada vez mais escuras. No entanto, o pássaro Toh continuava agindo como se nada estivesse acontecendo. Ele estava apenas esperando que os demais terminassem de construir o refúgio para se proteger nele. Desta vez, as outras aves recriminaram a sua atitude e pediram que ajudasse na construção.

Termina a história e começa a lenda

O pássaro Toh ficou incomodado com a exigência de seus companheiros. No entanto, temendo que não fosse autorizado a entrar no refúgio, se uniu aos construtores. Depois de alguns poucos minutos, se cansou. Ele tinha muita preguiça de trabalhar como pedreiro. Aquilo não era para ele. Assim, aproveitou um descuido dos demais e se escondeu em uma caverna.

Uma vez dentro da caverna, encostou na parede e acabou dormindo. Ele nem sequer notou o momento em que a tempestade começou. Os raios e trovões não o despertaram, pois os poucos minutos que havia trabalhado haviam feito com que ficasse exausto.

A caverna era muito pequena e toda a sua linda cauda ficou pendurada para o lado de fora, mas ele não se importou com isso. A tempestade durou um dia e uma noite, mas depois o sol voltou a aparecer. Os outros pássaros saíram do abrigo e o pássaro Toh saiu da sua caverna.

Pássaros voando sobre a água

Diz a lenda do pássaro Toh que este pensou que tudo continuaria a ser da mesma maneira. Assim que viu que a chuva havia passado, ele foi ao jardim real para continuar com sua rotina diária. No entanto, quando chegou todos começaram a rir dele. Pouco havia restado daquela cauda majestosa, que a tempestade havia destruído por completo.

Envergonhado, o pássaro Toh voltou à caverna e nunca mais saiu dela. O castigo para a sua soberba e o seu egoísmo foi ter que viver sozinho, em um lugar isolado, e trabalhar para sempre para guiar os exploradores que chegavam à floresta.