Deixe ganhar quem joga para perder você - A Mente é Maravilhosa

Deixe ganhar quem joga para perder você

9, abril 2017 em Psicologia 3124 Compartilhados
Deixe ganhar quem joga para perder você

Deixe ganhar quem joga para perder você dando-lhe um amor com sabor de egoísmo. Quem joga somente para preencher os seus vazios emocionais merece um grande prêmio: o seu adeus. Quem brinca com você não o merece, e se há algo que nunca poderemos perder nesse tabuleiro é a dignidade.

Existe um livro muito interessante, escrito pelos neurologistas Amir Levine e Rachel Heller, intitulado “A nova ciência do cérebro adulto”, que nos mostra algo muito revelador sobre esse assunto. O cérebro das pessoas está programado para buscar e receber apoio. Nós precisamos nos sentir seguros com cada um dos nossos vínculos, sejam afetivos, de amizade ou de casal.

“Já tive medo de perder alguém especial e acabei perdendo. Mas sobrevivi e estou vivo!”
– Charles Chaplin –

Apesar de muitos não concordarem com isso, a nível neural o ser humano é “emocionalmente dependente”. No entanto, não devemos ver esta dependência como uma ancoragem total e absoluta para uma ou mais pessoas. Nós conversamos com o outro sobre as nossas necessidades porque sabemos que somos amados, por acreditar que seremos respeitados e que poderemos contar com essa pessoa para qualquer coisa que precisarmos.

Construir um relacionamento baseado em um jogo de forças onde um sempre ganha machuca. Por sua vez, quando temos um parceiro “viciado” em fazer promessas que não cumpre ou oferece sempre um amor cheio de “segundas intenções”, quem se ressente primeiro é o nosso cérebro: surge um grande estresse. É uma reação biológica instintiva que nos alerta de que algo está errado.

Algo se rompe dentro de nós: a crença de que alguém que ama respeita, oferece apoio, intimidade e segurança. Se não sentirmos isso, entraremos imediatamente em um ciclo marcado pela desconfiança, vulnerabilidade e ansiedade.

Vamos refletir sobre esse assunto?

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O amor como um jogo de forças

Nós todos sabemos que o sucesso de um relacionamento depende de muitos fatores, mas um deles é certamente a capacidade de ambos os lados para dar e receber apoio. Se um dos dois não se envolve ou deixa de lado as necessidades do outro, a relação vai se deteriorando lentamente.

Curiosamente, é difícil identificar este tipo de comportamento. Às vezes somos usados e não percebemos; nos usam como peões de um tabuleiro onde há um rei ou uma rainha implacável que vai devorando uma a uma todas as nossas esperanças e forças. De acordo com a teoria dos sistemas aplicada ao campo emocional, isto ocorre por fatores muito específicos.

Quando duas pessoas se juntam em um relacionamento, é criado algo muito maior do que os seus dois membros. É um sistema, é como uma esfera cheia de dinâmicas complexas que nos transcendem, e ao qual muitas vezes também conferimos características muito idealizadas. Dizemos a nós mesmos que essa relação é definitiva, que será perfeita, e que juntos vamos crescer como pessoas e como casal.

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Nós mantemos esse tipo de crença e esse diálogo interno porque nossa mente precisa disso: desejamos segurança emocional e psicológica. No entanto, a cada dia que passa, esse sistema perfeito vai se comprometendo com pequenas mas implacáveis dinâmicas, como a falsidade, o desprezo, a decepção, a chantagem emocional.

Poucas pessoas conseguem reagir na primeira vez em que veem ou sentem esses primeiros golpes. O nosso cérebro está programado para resistir às mudanças, e terá pensamentos inadequados como: “isso é temporário”, “tudo vai mudar”, “se me ama, ele perceberá que está me magoando”.

No entanto, esse sistema vai enfraquecendo ao longo do tempo até se desmoronar como um castelo de cartas. Devemos ser capazes de “sair a tempo” para não nos transformarmos em cinzas de um sonho triste, de um jogo implacável onde seremos os perdedores.

Quem o ama não joga com você

O livro dos neurologistas Amir Levine e Rachel Heller citado anteriormente sugere que as pessoas emocionalmente imaturas geralmente entendem o amor como um jogo. São pessoas que reagem apenas com a novidade do momento, com a gratificação imediata, para satisfazer às suas próprias necessidades.

“Às vezes perder é ganhar, e não encontrar o que você está procurando é se encontrar”.

– Alejandro Jodorowsky –

Eles não hesitarão em alcançar a Lua para lhe dar, se você lhes oferecer o sol. Eles farão promessas quando estão felizes e o culparão por todos os seus problemas quando se sentem frustrados. Mas, por que muitas vezes amamos pessoas com este tipo de personalidade? Não existe um motivo específico, poderíamos dizer que somos atraídos pela sua intensidade, pelo seu dinamismo, ou porque algumas vezes nos procuram como alguém que busca o ar para respirar.

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Mas não se deixe enganar. O amor não é um jogo, e quando alguém joga para nos perder, devemos permitir que ele seja vencedor; é o melhor que podemos fazer. Porque depois de tudo, nós também seremos vencedores: ganharemos dignidade, autoestima e coragem.

Não podemos esquecer que a maturidade emocional também é definida pela nossa capacidade de saber observar a realidade como ela é e de agir diante das dificuldades, mesmo que isto nos machuque, mesmo que parta o nosso coração por um tempo. A satisfação de ter agido da forma correta ajudará a nos recuperarmos rapidamente.

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