Relacionamento tóxico: será que você está em um?

Você está em um relacionamento tóxico?

11, março 2017 em Psicologia 2495 Compartilhados
Você está em um relacionamento tóxico?

Se você esteve envolvido em um voraz rodamoinho de um relacionamento amoroso tóxico, certamente entenderá o que vamos abordar neste artigo. Antes de mais nada, vamos procurar definir o que é um relacionamento tóxico e o que implica na vida de quem vive esta situação.

Obviamente os relacionamentos tóxicos não apenas mostram o poder de um relacionamento amoroso, mas também podem existir em relações com um familiar ou com um amigo. Neste artigo vamos limitar o cerco e o reduziremos aos relacionamentos amorosos tóxicos.

“Saber ganhar sem perder a si mesmo e saber perder ganhando a nós mesmos.”
-Joan Garriga-

Um relacionamento tóxico sempre tem “alguma coisa que traz uma compensação”

É aquele tipo de união que mantemos com alguém e da qual não somos capazes de sair. É uma união muito forte, intensa, e ao mesmo tempo destrutiva. Nos perdemos nela. Nos transformamos em alguém que não somos. Procuramos morbidamente estar ali mesmo quando isso implica sofrer o maior dos danos e, pior ainda, a perda do nosso amor próprio.

Logicamente, se estamos envolvidos nela é porque existe uma compensação grande ou pelo menos ela carrega alguma coisa à qual não estamos dispostos a renunciar. Uma compensação suficientemente poderosa para que os laços do relacionamento não se rompam. Contudo, se fôssemos capazes de olhá-la do ponto de vista que nos permite enxergar o bosque completo, seriamos capazes de concluir que a toxicidade que este relacionamento causa nas nossas próprias vidas merece que o modifiquemos ou acabemos com ele.

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Por trás deste tipo de relacionamentos reside o mesmo mecanismo que sustenta um vício. Por isso é tão difícil sair dele, e quanto mais tempo das nossas vidas estivermos investindo nesta relação, mais difícil será sair dela. No entanto, é possível e gratificante para si mesmo sair dela, assim como conseguir deixar um vício como o cigarro ou a cocaína.

Eu também posso recuperar a minha responsabilidade perdida e agir com coerência

Em geral, costumamos culpar o nosso próprio companheiro. “Ele é o tóxico! Ela é a tóxica, eu não!” “Já lhe dei muitas oportunidades e é incapaz de mudar, não sei mais o que fazer”. É que talvez já não tenha jeito… talvez a opção mais sadia, benéfica e de amor para consigo mesmo seja terminar esse relacionamento. Não insistir reviver um relacionamento que já não palpita, um coração que já não manda sangue com oxigênio.

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A sabedoria popular já dizia: “Não espere o impossível”. Não podemos querer que alguém seja quem não é. Já se passou tempo suficiente para saber disso. Quanto tempo na vida vamos perder neste esforço tão prejudicial para nossa própria saúde mental e emocional? Quantas oportunidades oferecidas são necessárias para entender? “Talvez tenha que esperar mais, ele precisa de mais tempo…”

E enquanto isso, no caminho, nos separamos de nós mesmos. Nos perdemos. Deixamos de amar a nós mesmos. Estamos oferecendo nossas vidas a esse tipo de parêntesis no qual o outro desfaz seus nós, e enquanto ele não os desfizer, não desistimos da nossa tarefa. E o que a gente merece? E as nossas próprias necessidades?

Sair de um relacionamento tóxico requer um esforço titânico

Por isso sair de um relacionamento deste calibre tem um mérito sobre-humano. Primeiro porque a gente reconhece que não tem poder sobre o outro (crença muito comum de muitas pessoas: “ele vai mudar comigo”).

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Segundo, porque ganha consciência da quantidade do esforço que estava sendo desperdiçado em uma missão impossível e o transforma em esforço para gostar de si e cuidar de si mesmo o bastante para não cair mais uma vez em um relacionamento destinado ao fracasso (pessoal e de casal).

Culpar o outro não serve de nada se continuamos com ele

Não podemos passar a vida culpando o outro por ser como é quando nós estamos escolhendo essa pessoa o tempo todo como nosso companheiro. (Estamos falando de um relacionamento tóxico, não de um relacionamento saudável que, como todos, tem suas sombras e luzes).

“Se cada um levar a sua culpa, não haverá culpados.”
-Antonio Porchia-

Estamos falando de assumir a responsabilidade das nossas decisões e escolhas. Se sabemos que alguém é prejudicial para nossa saúde, precisamos nos afastar dessa pessoa. Como a criança que sabe que tem alergia ao amendoim, porque quando come se sente mal.

O amor próprio começa por ouvir a si mesmo com franqueza

Em um relacionamento tóxico é parecido. Mas às vezes temos nosso próprio radar, nosso guia interior, tão atrofiado que não somos capazes de ver mais além da paixão e do lado místico desse amor. A criança fica mal, mas… e a gente? É preciso se ouvir com atenção e ganhar consciência das situações onde caímos para perceber o prejuízo.

Na medida em que eu sou consciente da minha parcela de responsabilidade e escolho fugir daquilo que me prejudica, ganho poder sobre mim mesmo. Devolvo a mim um pouco mais desse poder que concedi ao outro. Finalmente me recupero. Escolho a mim mesmo.

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Imagem cortesia de Sara Herranz.

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