Depressão, saindo em busca de estímulos na vida

· novembro 25, 2015
Estamos acostumados a cometer o engano de pensar que, para realizar projetos ou realizar atividades, temos sempre que ter força de vontade ou estar motivados de algum jeito, e que de não ser assim, é melhor deixá-lo para outro momento no qual nos encontremos mais motivados.

Este pensamento acaba sendo, no final, uma armadilha, sobretudo para as pessoas imersas em um estado de ânimo depressivo, pois a motivação só aparecerá depois da ativação contínua, e não o contrário. Ou seja, a ação precede a motivação.

“É a atividade que faz o homem feliz.”

– Goethe –

Buscar estímulos na vida

Esta conclusão foi obtida há alguns anos, na década de 90, à luz dos resultados de um estudo sobre a eficácia da Terapia Cognitiva de Beck, e foi desenvolvido por Jacobson, Dobson e outros colaboradores.

O mais interessante foi saber que a ativação comportamental, por si só, era tão eficaz quanto a terapia cognitiva completa e também quanto a medicação antidepressiva.

Portanto, sob esta perspectiva, ter um estado de ânimo depressivo não seria considerado uma doença, mas sim estar em uma situação negativa, sem reforços ou estímulos.

O objetivo é que a pessoa, por meio da ação, comprove que existem infinidade de pessoas, situações, lugares, momentos, experiências, etc, que podem lhe renovar a ilusão pela vida, e devolver-lhe a felicidade.

O problema é que a pessoa com depressão tende ao impedimento comportamental, justamente o contrário do que propomos. Deixa de sair, de realizar as tarefas ou atividades que antes eram satisfatórias, de se relacionar, o que não faz mais do que contribuir para manter e aumentar a tristeza e a apatia, e como consequência, confirmar seus pensamentos negativos sobre ela mesma, o mundo e o futuro.

Buscar estímulos na vida

Evidentemente, por não gostar ou por não ter vontade, começa-se a viver por inércia, evitando aproveitar o que está ao meu redor. Assim, torna-se impossível melhorar o estado de ânimo ou pensar de uma forma mais positiva sobre a vida, pois não a pessoa não dá a si mesma a oportunidade de conhecer os estímulos da vida, que estão aí fora esperando por nós.

Dar-se conta de que ativar-se é chave para melhorar emocionalmente é muito importante, pois corta o círculo vicioso da depressão e faz com que a pessoa saia dessa armadilha e comece a ver que, além de injustiças e adversidades, também existem prazeres e alegrias.

Com isso, não pretendemos que a pessoa com depressão vá a festas de um dia para outro. O objetivo é programar o dia a dia com atividades realistas que reforcem o que a pessoa é capaz de realizar.

No faz sentido propor atividades que não reforcem a que eles já fazem, pois o que estamos buscando, precisamente, é renovar as ilusões, os objetivos e as motivações. 

Posteriormente, quando a pessoa já tiver saído da passividade, serão incorporadas atividades que requeiram um pouco mais de esforço e, inclusive, algumas que a pessoa nunca tenha feito, mas que gostaria de fazer.

Um dos problemas que costuma surgir ao propor a ativação comportamental é que a pessoa, devido ao seu estado de ânimo depressivo, cria argumentos para não realizar a atividade ou para abandoná-la, pois não se sente capaz, acredita que isso não servirá de nada, ou que não tem nenhum mérito.

Também acontece que, se a pessoa não for capaz de realizar a tarefa de forma perfeita, se sente mal e se recrimina por isso.

Buscar estímulos na vida

Neste sentido, é importante educar o paciente pra que se dê conta de que estes pensamentos influem em sua conduta, e são produto de sua visão negativa. Portanto, a instrução é seguir se ativando, apesar dos pensamentos negativos e do esforço tremendo necessário, pois a recompensa será sair, pouco a pouco, desse estado tão desagradável.

A depressão é um círculo vicioso no qual a pessoa fica girando até tomar a decisão de sair dele. A ativação comportamental se contempla como uma saída para essa espiral, uma porta que conduz ao redescobrimento do bem-estar e da felicidade.