Devo perdoar para curar?

março 19, 2020
O perdão é algo difícil de conceder. Seu valor é incalculável, assim como o dano causado quando a sociedade tenta nos forçar a perdoar.

Perdoar não é um desafio fácil. É ainda mais complicado quanto mais próxima é a pessoa que nos causou o dano e mais profundo ele é. Neste artigo, examinaremos mais a fundo e tentaremos responder a uma pergunta: é necessário perdoar para curar? 

Na realidade, por mais que possamos levantar estratégias ou ideias, não existe um manual universal para curar feridas, sejam aquelas que causamos ou aquelas que nos causam. Por outro lado, e no mesmo contexto, existe a dor: às vezes com tanta intensidade que impede o progresso em direção ao perdão ou à construção de uma nova história.

O que significa perdoar?

O que significa o perdão?

De acordo com o dicionário, a palavra perdoar significa: “desculpar, absolver, remitir (pena, culpa, dívida, etc.)”.

Por outro lado, muito além da semântica, cada cultura vive e entende o perdão de maneira diferente. Inclusive, a mesma pessoa pode atribuir a ele diferentes significados em diferentes estágios de sua vida.

No entanto, ambas as partes associam o ato de perdoar a uma forma de alívio. O perdão chegou até a ser considerado terapêutico. Muitas pessoas que conseguem perdoar relatam que um grande peso foi tirado de suas costas.

Perdoar para curar como uma obrigação

Algumas sociedades ou grupos projetam a ideia de que o perdão é uma virtude que, devido a suas qualidades, se torna um tipo de dever. Assim, muitas pessoas fingem conceder o perdão por um senso de obrigação. Isso, por sua vez, reduz o processo natural de perdão. Na verdade, essa falsa projeção do perdão acaba se tornando um obstáculo para concedê-lo, alcançá-lo ou recebê-lo.

Se pensarmos em situações que a maioria das pessoas consideraria difícil de superar, como o estupro, talvez seja mais fácil entender por que pode ser tão complicado perdoar. Agora, se uma pessoa que sofreu sentir que tem a “obrigação” perdoar, pode se sentir culpada por não fazê-lo.

Assim, perdoar nem sempre leva à cura se o que faz é prolongar o sofrimento ao longo do tempo. Portanto, devemos refletir a respeito de até que ponto o perdão é apropriado.

Às vezes, as pessoas associam o perdão ao esquecimento de uma ofensa. Quando você se força a perdoar, também pode causar grandes danos a si mesmo. Por esse motivo, existem pessoas que pensam que o perdão vai além do esquecimento. Essas pessoas propõem que se trata de se livrar do fardo para não prejudicar a si mesmo. Ao se libertar desse fardo, você pode recordar o evento sem os sentimentos negativos que costumavam acompanhá-lo.

Perdoar para curar como escolha consciente

Perdoar para curar como escolha

Quando o perdão é uma escolha sincera, ele favorece a cura, mesmo naquelas situações em que você acredita ser inimaginável ​​alcançar o perdão.

Como isso seria possível? Você precisa encarar o perdão como um ato de soltar, e não exclusivamente de reconciliação. Então, você pode deixar ir o rancor e a raiva ou expressar esses sentimentos, perdoando e considerando o que aconteceu como um aprendizado. No entanto, se você o considerar um ato de reconciliação, é mais complexo aplicá-lo a todas as situações.

Além disso, você tem todo o direito de tomar seu tempo para perdoar ou até não perdoar. Da mesma forma, você tem o direito de se curar sem tomar uma atitude. Nem toda cura envolve perdão. A resiliência ajuda a superar situações que causam muita dor.

Agora, se você deseja trabalhar o perdão ou descobrir como alcançá-lo, há livros que podem ajudar. Um exemplo seria Os Sete Passos do Perdão, de Daniel Lumera, que mostra o verdadeiro significado do perdão.

Além disso, se você acha difícil perdoar, você pode ressignificar as suas experiências. Em outras palavras, conceda a elas um novo significado, um que seja mais saudável para você. Isso promove o aprendizado e vai ajudá-lo a estar em sintonia com quem você é, sem precisar forçar.

Em resumo, perdoar é uma escolha bem pessoal. Depende da percepção que você tem sobre o perdão, das crenças que associa a ele, da sociedade em que você vive, do que você aprendeu, entre outras coisas. Se ele vai contribuir para o seu bem-estar, vá em frente!

Lumera, D. (2014). Los siete pasos del perdón. Barcelona: Ediciones Obelisco.