Quando é difícil encontrar nosso lugar no mundo

abril 9, 2019
Encontrar o nosso lugar no mundo não parece ser uma tarefa fácil. No entanto, a solução está mais próxima do que pensamos: basta encontrar a nós mesmos.

Os dias passam e sentimos que não nos encaixamos em nenhum lugar. Acordamos com a sensação de um vazio emocional que arrastamos durante o resto do dia. De alguma forma, parece impossível encontrar o nosso lugar no mundo. Praticamente todos os lugares aos quais vamos parecem estranhos. Parece que nossos amigos são os únicos que, por vezes, podem nos trazer um pouco de consolo. No entanto, essa sensação também não se mantém, pois às vezes também sentimos que eles estão alheios a nós. O que está acontecendo conosco?

Nada nem ninguém nos contenta. Vagamos de um lugar ao outro em uma monotonia que nos afoga e nos submerge em um oceano de dúvidas e incertezas. Não entendemos muito bem o que acontece conosco, nem com o mundo. Olhamos para o nosso horizonte existencial e não encontramos o menor sinal de significado para a nossa existência. O que podemos fazer? O desespero inunda nosso corpo, dos pés à cabeça, arrepiando cada pelo. A respiração fica entrecortada e nosso humor piora até chegar ao inframundo anímico.

Onde eu me encaixo em tudo isso?

Nenhum lugar parece adequado para nós. Cada trabalho que obtemos se transforma em um sofrimento. O corpo, e inclusive a alma, pesam. Podemos notar a existência como uma carga pesada sobre nossas costas. Pensamos no mundo, em seu funcionamento, e nos damos conta de que não é para todos. O pessimismo se apodera de nós. Parece vir de outro lugar ou temos a sensação de termos nascido na época errada. “Onde eu me encaixo em tudo isso? Qual é o meu lugar no mundo?”, nós nos perguntamos com frequência.

A tarefa de nos sentirmos confortáveis em algum contexto se torna cada vez mais complicada para nós. No entanto, por alguma razão, que em princípio desconhecemos, existem lugares mágicos, nos quais tudo parece se encaixar. Que tipo de lugares são esses? Cada um tem os seus. Algumas pessoas se sentem confortáveis em templos religiosos. Outras em grandes jardins e florestas. O mar é outro refúgio que provoca uma grande sensação de conexão com o mundo.

Como encontrar o nosso lugar no mundo

Nosso lugar no mundo e as expectativas dos outros

Se pararmos por alguns instantes para pensar no que acontece com a nossa sensação de desamparo, podemos obter ótimas respostas. Em muitas ocasiões, o ambiente ao nosso redor nos condiciona de tal forma que estabelece as vias pelas quais nossa vida deveria se desenrolar. De forma inconsciente, aceitamos esse caminho como se fosse nossa escolha e tentamos permanecer nele. Podemos ter sucesso profissional e financeiro, mas não emocional. Assim, apesar do aparente sucesso, nos sentimos perdidos.

Em muitos casos, aceitamos a vida que os outros esperam que tenhamos e percorremos esses caminhos sem dar importância. Nem sequer nos questionamos sobre outros possíveis objetivos. Assim, é o momento de questionar se estamos levando uma vida que não queremos ou que os outros esperam de nós.

 “Alegre-se porque todo lugar é aqui e todo momento é agora”.
-Buda-

A monja budista Venerable Damcho garante que antes de dar esse passo e buscar refúgio no budismo, era uma jornalista de sucesso que tinha tudo para triunfar. No entanto, apesar de ter tudo, não era feliz, alguma coisa estava errada. Então, ela decidiu abandonar a vida dedicada aos meios de comunicação e se tornar uma monja budista. Desde então, sua dedicação aos outros a deixa imensamente feliz.

Lama Rinchen, mestre de meditação budista, tem uma história parecida. Trata-se de um empresário de sucesso que, um belo dia, decidiu abandonar os negócios e trabalhar vendendo sucos naturais em uma modesta loja de uma cidade. Até que ponto estamos forçando nossa vida a avançar por caminhos infelizes? Realmente somos felizes com o que fazemos, sem contar sucesso? Devemos nos questionar em nosso interior e analisar o que nos preenche realmente.

Lama Rinchen

Nosso lugar no mundo, vazio interior e budismo

O budismo postula que o vazio interior que sentimos ao não encontrar nosso lugar no mundo se deve à desconexão com nossa verdadeira natureza búdica. Mas o que é a natureza búdica? A resposta é simples: é o estado último do ser, um estado no qual permanecemos no amor e na felicidade.

Para isso, o segredo é acabar com os condicionamentos que causam nosso sofrimento e, desse modo, alcançar a felicidade. Assim, ao conseguirmos nos desprender das aflições mentais, aumentaremos as possibilidades de sermos felizes em qualquer circunstância.

Dessa forma, nosso lugar no mundo não depende do lugar em que estamos, mas do nosso estado mental. Um estado mental de paz, harmonia, serenidade e amor. Assim, nenhum lugar vai parecer tão hostil ou incômodo como antes. Gozaremos de uma plenitude genuína que nos provocará um estado de harmonia independentemente do lugar em que estivermos.

 “Se você não é feliz aqui e agora, nunca será”.
-Taisen Deshimaru-