Dinheiro nos relacionamentos, um tema que precisa de cuidados

10 Agosto, 2020
As estatísticas indicam que o dinheiro é um assunto delicado nos relacionamentos. Os conflitos financeiros estão entre as causas mais comuns de divórcio. É melhor ser franco e direto desde o início.
 

Chega um ponto em que as borboletas no estômago não contam mais para o amor. É o momento em que as questões mais terrenas começam a ganhar importância, e o idealismo vai sendo substituído por um espírito mais prático. O aspecto econômico, por exemplo, vem à tona. É aí que o dinheiro começa a se transformar em um tema importante nos relacionamentos. Se não for tratado com inteligência e tato, pode ser uma fonte de conflitos.

O dinheiro é muito mais do que um recurso material para os seres humanos. Cada um de nós atribui um significado consciente e inconsciente a ele. Isso depende de algumas etapas da infância, da educação recebida, das experiências obtidas com o dinheiro e do ambiente em que vivemos.

Cedo ou tarde, o dinheiro assume uma importância significativa na relação. Às vezes desde o começo. Não são poucas as pessoas que tratam a situação econômica do outro como uma variável importante para escolhê-lo em um relacionamento. Também não são poucos os relacionamentos que acabam sendo contaminados e destruídos pela falta de acordo ou entendimento.

Bem-aventurado aquele que tem talento e dinheiro, porque usará bem este último“.
– Menander de Atenas –

Dinheiro nos relacionamentos: a sutileza inicial

Quando se trata de dinheiro, há sempre alguma hipocrisia, como apontou Sigmund Freud. O pai da psicanálise garantiu que, além das questões sexuais, as questões monetárias também são cheias de tabus, meias palavras e preconceitos. Isso é visto de maneira especialmente forte nos estágios iniciais de um relacionamento.

 

Geralmente, no início de um relacionamento amoroso, o dinheiro é um assunto muito prosaico para ser incluído na lista de temas sobre os quais são alcançados acordos. A intensidade do amor de alguém motiva a entrega, evitando discordâncias. Os dois querem pagar, dar ao outro.

Nessa primeira etapa, no entanto, são levantados alguns padrões que marcarão o binômio dinheiro e casal. Quase sempre um dos dois é mais generoso com seus recursos, enquanto o outro é mais receptivo. Há acordos implícitos sobre o comportamento em relação às despesas. Por outro lado, o debate explícito geralmente ocorre quando a convivência começa.

Economias no relacionamento

Dinheiro, poder e assimetria

Em geral, as pessoas procuram um parceiro com um nível financeiro semelhante. Nem sempre esse é o caso, mas é o que prevalece. Apesar disso, é difícil para os dois membros do casal terem a mesma renda, os mesmos padrões de gastos e as mesmas expectativas. Nesse aspecto, geralmente existem várias assimetrias, que são administráveis ​​quando o contraste não é muito grande.

Um dos problemas aparece quando há diferenças econômicas entre o casal, e quando o dinheiro também é importante na distribuição do poder. Dessa forma, não são poucos os casais em que um oferece todo ou quase todo o apoio em termos financeiros, e o outro gera uma dívida que deve ser paga de outra maneira. Assim, com dinheiro, você pode conseguir, por exemplo, que seus gostos ou preferências prevaleçam em debates nos quais você não concordou.

 

Também não é incomum haver competição entre os membros do casal. Isto é especialmente verdadeiro se ambos tiverem sucesso profissional e tiverem bons recursos.

Casal enfrentando crise financeira

Um tema de acordos francos

O estudo Parejas jóvenes y divorcio, de González e Espinosa, publicado na revista de psicologia Iztacala, indica que o dinheiro é a área com maior probabilidade de gerar conflitos entre um casal médio.

Eles indicam que este é o fator com o maior número e intensidade de desacordos; antes, durante e após o divórcio. Os pesquisadores dizem que o assunto é frequentemente contaminado por sentimentos de angústia, raiva, rancor, inveja, ciúme e muito mais.

Sem perceber, muitos casais acabam usando o dinheiro para fins que não deveriam. Para controlar o outro, por exemplo. Ou para compensar danos emocionais, como infidelidade, indiferença ou abuso.

É por isso que a questão do dinheiro nos relacionamentos é uma daquelas que exige acordos inteligentes. A maneira mais saudável de lidar com isso é abordando o assunto diretamente e revisando o que foi acordado regularmente.

 
  • Díaz, C. (2008). Una pareja, dos salarios: el dinero y las relaciones de poder en las parejas de doble ingreso. Revista argentina de sociología, 6(10), 203-206.