Os efeitos imediatos das benzodiazepinas

· outubro 17, 2018

Os efeitos das benzodiazepinas são vários e dependem de cada pessoa. São 22:30 e eu acabei de tomar um alprazolam de 0,5 g. Não é uma dose muito alta, mas não estou acostumado a esse tipo de medicamento e o efeito é intenso. O alprazolam pertence à família das benzodiazepinas, e é indicado no tratamento de transtornos de pânico e ansiedade.

Não há absolutamente nada de estranho no que acabo de ingerir, levando em conta que a sociedade moderna está supermedicada. Mas eu quero registrar os efeitos imediatos a nível mental, emocional e comportamental. 

Os efeitos das benzodiazepinas reduzem a excitação anormal do cérebro, então eu a tomei aproveitando o fato de que estou um pouco agitado nesses dias. Vou escrever tudo que sinto quando considerar que o efeito está no seu auge. Tomei a medicação de forma sublingual, isto é, a coloquei debaixo da língua e deixei se desfazer pouco a pouco. Mas no final tive que beber água, porque é muito amarga.

Os efeitos das benzodiazepinas variam em função da dose, do contexto de consumo e das características de cada pessoa.

Efeitos das benzodiazepinas a nível mental e emocional

São 10:50. Já começo a notar os efeitos. Estou um pouco mais calmo. Uma calma que pouco a pouco se traduz em sono. Agora eu poderia deitar na cama e dormir. Eu também poderia sair para a rua para andar, mas, sem dúvida, estaria com falta de reflexos e dirigir seria impossível. Também não poderia ir trabalhar, seria muito estranho. Tenho a sensação de estar vivendo em um filme. Observo o que acontece à minha volta, mas tenho a impressão de que não é muito para mim.

O barulho me incomoda. Tive que abaixar o volume da TV e dizer a minha família para falar mais baixo. Em geral, me tornei mais sensível aos estímulos externos. Apesar de estar mais relaxado, tenho sensibilidade a tudo que se destaca do ambiente: sons altos, luzes fortes…

Meus processos mentais são mais lentos. Eu não poderia me envolver em tarefas muito complexas ou manter conversas que exigissem um alto nível de atenção. Ainda assim, posso agir com alguma normalidade.

Consumo de benzodiazepinas

Efeitos das benzodiazepinas a nível comportamental

Levanto para ir ao banheiro e ando devagar. Lavo minhas mãos lentamente. Observo cada movimento com atenção. Volto para a sala e me sento no sofá. Tenho o olhar fixo entre a tela e algum ponto aleatório da minha volta. Meus movimentos são lentos.

Estou com um pouco de fome. Quando falam comigo, tenho que fazer um esforço extra para prestar atenção. Pressiono as teclas do computador a uma velocidade normal, mas cometo mais erros. Em geral, minha coordenação psicomotora diminuiu consideravelmente e eu seria incapaz de realizar tarefas físicas que envolvessem algum tipo de esforço físico ou mental. Como mencionei antes, não poderia dirigir. Também não poderia estudar ou ler algo muito complexo.

Como as benzodiazepinas atuam?

De acordo com as pesquisas realizadas até agora, o que estou sentindo é uma redução na transmissão dos impulsos nervosos, diminuindo assim a minha superexcitação cerebral. Está sendo provocado um efeito depressivo no meu sistema nervoso. Ao possuir efeitos hipnóticos, também me induz ao sono e reduzirá meus despertares noturnos.

Segundo essas pesquisas, a benzodiazepina que acabei de tomar está potencializando o efeito do neurotransmissor GABA (ácido gama-aminobutírico), inibindo os neurônios com os quais entra em contato para diminuir a taxa de transmissão, provocando um estado de calma.

Desta vez, tomei de forma pontual, mas em relação à duração para o período de tempo que precisamos tomar este medicamento, o professor de farmacologia na Universidade de Alcalá Cecilio Álamo González afirma que “são fármacos bem tolerados e seguros se tomados em curtos períodos de tempo, como de duas a quatro semanas no caso de sua indicação como hipnótico, ou de dois a três meses se tomado como ansiolítico. Em períodos de tempo prolongados, pode causar problemas”.

Os efeitos imediatos das benzodiazepinas

Conclusões

Minhas preocupações continuam presentes. Não desapareceram. Minha atividade mental diminuiu, mas os problemas não sumiram e, quando os efeitos acabarem, terei que enfrentar meus demônios novamente. Continuo pensando no que me preocupa, no que me tira o sono. Com a sonolência, não reajo de forma emocional tão intensamente, mas os conflitos não se desvaneceram.

Deixar a solução de conflitos internos nas mãos da medicação supõe uma solução pela metade. Os efeitos das benzodiazepinas podem nos ajudar em um primeiro momento a acalmar nossa excitação, e também nos ajudam a ter um dia a dia mais tranquilo ou a reduzir a ansiedade em seus picos mais altos, mas até resolvermos nossos conflitos mentais, não alcançaremos a paz interior que desejamos.