Do egoísmo ao amor próprio segundo Aristóteles - A Mente é Maravilhosa

Do egoísmo ao amor próprio segundo Aristóteles

março 14, 2017 em Psicologia 1296 Compartilhados
Do egoísmo ao amor próprio segundo Aristóteles

Certa vez Aristóteles disse “alguém perguntou se é melhor amar a si mesmo com preferência sobre todo o resto ou se vale mais a pena amar o outro“. Este sábio filósofo grego postulou uma visão singular do egoísmo e da sua íntima relação com o amor próprio. Vamos conhecer um pouco mais sobre a sua dedução singular?

Antes de continuar, esclareço que vamos focar na sua célebre obra “Ética a Nicômaco”. Para ser mais exato, iremos diretamente ao Capítulo VIII do livro nono, intitulado “Do egoísmo ao amor próprio”.

O amor por si mesmo segundo Aristóteles

Ao longo deste capítulo da extensa obra de Aristóteles, o filósofo desmistifica com uma linha dedutiva o que ele considera que deve ser um homem virtuoso. Neste trabalho, o autor foca a comparação do amor para consigo mesmo e o egoísmo.

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Este filósofo considera que os fatos reais contradizem as teorias de egoísmo. Embora seja verdade que amar o melhor amigo é um virtude, também supõe que nós mesmos somos os melhores amigos que podemos ter. Isto é, você mesmo é seu melhor amigo. Então vem a pergunta: é egoísta amar a si mesmo? Como é lógico, o mais estreito relacionamento que se pode ter na vida é consigo mesmo. No fim das contas, com quem vivemos durante as 24h do dia e quem temos que suportar seja qual for o seu humor?

Os dois tipos de egoísmo que estipula Aristóteles

Uma vez que o filósofo estabelece os preceitos do amor próprio, se lança à explicação dos dois sentidos que encontra no egoísmo. Embora considere que o termo tem uma vertente pejorativa e vergonhosa, também supõe que existe uma variável muito mais elevada.

O primeiro tipo de egoísmo que Aristóteles apresenta foca no amor pelo terreno. O filósofo iguala esta forma de agir à do povo, isto é, à da maioria, que ele chama de vulgo. Sem dúvida, isto é resultado de uma sociedade excessivamente classista como a da antiga Grécia.

Neste caso, Aristóteles identifica este primeiro tipo de egoísmo como a mais viva ansiedade pelos prazeres corporais. Isto é, estas pessoas guardam para si mesmas as maiores riquezas, honras e bens. Têm verdadeira devoção por acumular aquilo que é material, quanto mais precioso melhor. Isto é, o seu único fim é satisfazer os seus desejos e paixões, o que considera que é ouvir a parte mais irracional da alma. Ele o observa como um costume vulgar, deplorável e muito generalizado. Como tal, seria uma atitude censurável.

“Chamamos de egoístas aquelas pessoas que atribuem a si mesmas a melhor parte nas riquezas, nas honras, nos prazeres corporais, porque o vulgo sente a mais viva ansiedade por tudo isso.”
-Aristóteles-

Mas logo o filósofo clássico estima que aqueles homens que se guiam pelas mais elevadas cotas de justiça e sabedoria também são egoístas. Contudo, são pessoas que procuram a virtude, as boas obras e a beleza. Ele não encontra nada censurável nessa atitude.

O egoísmo dá passagem ao amor próprio

Continuamos falando deste segundo tipo de egoísmo que Aristóteles considera. Como não chamar de egoísta uma pessoa entregue de corpo e alma à busca da sabedoria, justiça e beleza? Também precisam satisfazer suas necessidades próprias, e este é seu único fim na vida.

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Contudo, o filósofo atribui a estes seres grande valor. Isto é, considera o homem de bem o mais egoísta de todos. Mas este egoísmo não é grosseiro, e sim nobre. Não é vulgar, pois é a razão que o domina. Nunca será a paixão, como acontece no caso anteriormente mencionado, somente baseado no aspecto material.

Segundo Aristóteles, estes homens nobres mas egoístas focam seus esforços em praticar a virtude, pois é nela que encontram regozijo. E esta atitude acaba enriquecendo toda a comunidade. É assim que encontram tanto o deleite pessoal como o serviço aos outros.

Para o filósofo grego, a virtude é o mais elevado de todos os bens que é possível possuir. Então, enquanto o homem virtuoso faz o que deve fazer e opera com inteligência e razão, o homem mau o faz com discórdia profunda entre o seu dever e o que realmente faz.

“O homem virtuoso fará muitas coisas em prol dos seus amigos e da sua pátria.”
-Aristóteles-

Conclusão

Podemos concluir que Aristóteles considera o homem bom e nobre como egoísta. Mas da sua virtude e atitude correta surgem ganhos dos quais se aproveitam seus amigos, sua pátria e a sua própria comunidade. É uma pessoa comprometida que despreza a riqueza material, mas goza do benefício da honra e da dignidade.

Para uma pessoa como Aristóteles, o homem reto prefere desfrutar de um segundo de prazer do que de uma vida indigna. É generoso e se sacrifica quando necessário. Será capaz de abandonar tudo por quem precisa. Não terá problema em ceder a glória de um ato a outra pessoa. Isto é, trata-se de alguém que sabe ser egoísta e, ao mesmo tempo, um ser com elevado amor próprio.

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