O que chamamos de egotismo?

· julho 3, 2018

O termo egotismo não é, embora possa parecer o contrário, um sinônimo de egoísmo. Certamente foi usado em um sentido similar na literatura anterior ao século XIX, mas no campo da psicologia seu significado atual é diferente (embora também ligado ao conceito de “ego”, o “eu”), sendo o egoísta quem ‘cuida desmedidamente do seu próprio interesse, sem se preocupar com os outros’.

De acordo com a RAE, o egotismo é um ‘sentimento exagerado pela própria personalidade’, enquanto a Wikipedia indica que ‘pode ser identificado com o conceito de excessiva importância concedida a si mesmo e às próprias experiências de vida’. Também poderia ser descrito como um desejo insaciável de mostrar aos outros sua própria importância, independentemente de o egotista ter razões para se atribuir tal importância (embora frequentemente não seja assim).

O egotista é uma pessoa que não presta atenção no que acontece com aqueles ao seu redor, ou às necessidades das pessoas que vivem com ele, por considerar que seus próprios problemas e necessidades estão acima dos outros: a falta de empatia o leva a ver os outros como um meio para um fim (o seu fim). O egotismo extremo é também uma característica distintiva dos transtornos de personalidade do tipo B, principalmente o histriônico e o narcisista.

Traços da personalidade egotista

Autoconfiança e amor-próprio excessivos

Confiar em si mesmo é uma atitude necessária, sem dúvida, para percorrer o caminho do sucesso. Por outro lado, aumente a dose e você se tornará presunçoso, alguém que assume que todo mundo está errado, e que é incapaz de reconhecer as conquistas dos outros.

O egotista se ama. Muito… e de vez em quando lança piadas como “Não nego: há momentos em que eu falo comigo mesmo… porque às vezes eu preciso do conselho de um especialista”. Dirá isso rindo, mas para ele não é uma piada. O egotismo, em suma, impede que se aprenda mais sobre si mesmo. Por que quem já se acha perfeito se incomodaria em mudar? Nesse sentido, vale lembrar que, nas palavras de Jillian Michaels, “um dia ruim para o seu ego é um bom dia para a sua alma“.

Homem narcisista

Vive nos mundos de fantasia

O egotista passa muito tempo pensando nas grandes coisas que imagina que conseguirá no futuro, em projetos mais baseados em impressionar os outros do que na realidade. Mesmo quando eles têm uma base real, os embelezam para aumentar o interesse em torno do que contam. Em geral, tendem a exagerar e dramatizar a maioria dos aspectos de sua vida.

Personalidade “difícil”

Um egotista leva em conta apenas sua visão das coisas e exige que outras pessoas atuem com base na mesma. Um egotista costuma acreditar que sabe exatamente como as coisas devem ser feitas e como os outros devem se comportar. Quando nem tudo acontece “como deveria”, a sensação resultante de perda de controle provavelmente fará com que se irrite e se coloque na defensiva.

São pessoas que não aceitam um “não” como resposta, a discrepância é tomada como uma agressão e eles são capazes de perturbar a tranquilidade dos que os rodeiam, até que tudo volte a ir de acordo com seus desejos.

Baixa autoestima

Parece contraditório com o anterior, mas não é: são pessoas que tentam esconder a sua própria insegurança (e evitar a rejeição que acreditam implicar) se apresentando como mais competentes do que realmente são. Eles tentam, até a exaustão, manter uma imagem que acreditam ser perfeita. E, acima de tudo, tentam nunca perder o controle da situação ou, em última análise, não dar aos demais a impressão de que estão perdendo.

Mulher aflita com seus problemas

O egotismo na Terapia Gestalt

O egotismo é também um dos mecanismos neuróticos contemplados pela terapia Gestalt: sua principal função é aumentar e fortalecer a fronteira de contato através do engrandecimento narcisista do ego. Isto é, por meio de um aumento defensivo do eu em detrimento do outro.

Esse mecanismo é propiciado pela Terapia Gestalt durante o processo terapêutico, enquanto a pessoa se torna responsável por suas necessidades. Ou seja, durante um tempo constituiria – segundo essa corrente – um passo necessário para diminuir a inibição e incentivar o apoio a si mesmo. No entanto, este é um mecanismo que deve ser dissolvido no final do processo terapêutico.