Emoções encarceradas

· dezembro 2, 2015

Em certos momentos da vida você pode se sentir bloqueado emocionalmente e sem saber expressar aquilo que sente. Talvez você se sinta incapaz de identificar o estado do seu humor e que o perceba como um fantasma, cuja silhueta você não consegue definir.

“Cada um de nós é seu próprio clima e determina a cor do céu dentro do universo emocional que habita.”

– Fulton J. Sheen –

A questão é que, por diversos motivos, em alguns momentos de nossas vidas nossas emoções se encontram encapsuladas. Como se estivessem trancadas em uma jaula, resistindo sair, enquanto vão criando um tremendo mal-estar internamente, tendo influência tanto no nosso corpo quanto nas relações com as outras pessoas.

Isso já lhe aconteceu alguma vez?

Pense por um momento…

Emoções encarceradas
Talvez você tenha passado meses perambulando na tristeza, sem conseguir colocá-la em lágrimas, exteriorizá-la ou compartilhá-la. Talvez você tenha sentido impotência por alguma situação que achava injusta mas se calou, não soube identificar a sua raiva por alguma frustração, você não manifestou o quão contente estava por medo de ferir, ou simplesmente teve a sensação de que não sabia como se sentia, o que desejava ou para onde ia…

Você simplesmente o guardou, abraçou um veneno do mesmo jeito que a pessoa que guarda um tesouro.

Seja qual for a situação ou a experiência vivida, você não soube ou não pode se expressar completamente, reprimiu suas emoções. Estas se encontravam encapsuladas, isto é, bloqueadas e se acumulando no seu interior.

Guardar as emoções vai gerando um peso, criando uma carga emocional perigosa e difícil de suportar, às vezes chegando a repercutir no próprio corpo.

É preciso se aprofundar

Se deixamos de saber e experimentar o que sentimos, seja de forma consciente ou inconsciente, deixamos de estar conectados a nós mesmos.

As emoções são necessárias e senti-las é útil. É muito importante se permitir, pois manifestá-las é um privilégio; elas são a ponte para nos conhecermos e sabermos do que precisamos.

O que acontece é que, na maioria das vezes, fomos ensinados a reprimi-las desde pequenos, considerando-as perigosas. Por isso, achamos normal negá-las ou controlá-las. Assim, vamos aprendendo desde a nossa infância a deixar de experimentá-las e a mandá-las para o nosso inconsciente.

Entretanto, se as emoções não forem expressadas, não serão superadas, permanecendo de alguma forma em nosso interior, em nossos corpos, nos invadindo.

Emoções encarceradas

O problema é que as emoções encapsuladas podem se transformar em uma forma de ser ou de enfrentar a vida, estabelecendo-se como se fossem totalmente normais no adulto: o bloqueio emocional como forma de proteção para não sentir tanta dor.

Assim, vamos suportando cargas com uma grande quantidade de dor não reconhecida e não descarregada, bloqueando as nossas necessidades reais e substituindo-as por falsas necessidades. Não nos permitindo crescer nem evoluir, já que nos limitamos.

Acabamos nos desconectando do que sentimos, nos fazendo de surdos para a nossa voz interior, e ainda por cima, vivendo de forma automática…

E mesmo que sentir cause um certo medo, que seja difícil expressar o que acontece no plano afetivo ou que você não queira atravessar a dor, conseguir fazer tudo isto é fundamental para poder se curar.

O problema surge, como dissemos, quando guardamos ou reprimimos aquilo que sentimos, quando não reconhecemos as nossas feridas; vivemos anestesiados e como se estivéssemos dormindo. Os nossos sentimentos e emoções são energia, e se não os expressarmos, ficaremos sem ela.

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Não está errado, de vez em quando e principalmente frente a situações de especial importância, nos perguntarmos o que estamos sentindo e refletirmos durante alguns minutos com total sinceridade.

É necessário aceitar toda a sua gama de emoções para ter uma vida plena, mas tendo cuidado para não expressá-las de forma extrema. O segredo está no equilíbrio, o ponto médio.

Devemos ser conscientes de que nossas emoções funcionam como indicadores ou alarmes do que nos acontece dentro de nós.