Por que a empatia é mais necessária do que nunca em tempos de pandemia

maio 22, 2020
Em tempos de emergência e de crise humanitária, há algo que não pode faltar: a empatia genuína e efetiva. É a energia que cria pontes entre as pessoas, permitindo que flua a compaixão e o interesse ativo capaz de gerar mudanças positivas.

A empatia é mais necessária do que nunca em tempos de pandemia. Não deve faltar em nenhum cenário, seja ele público ou privado. Deve estar presente em cada pessoa, em cada mente, com o objetivo de ajudar os outros, liderar um país ou simplesmente estar em casa, protegendo os outros e a si próprio para diminuir o contágio. Nunca foi tão essencial despertar essa dimensão psicológica.

Algo que os psicólogos sabem bem é que nem sempre aplicamos esse valor da nossa condição humana de maneira eficaz. Pensemos nisso.

Sentir a dor ou as necessidades dos outros não é o mesmo que compreendê-las e decidir ser útil. Entre sentir e agir existe um grande abismo que nem todos se atrevem a superar para criar pontes, mobilizar energia e recursos para o bem comum.

No final das contas, esse é o verdadeiro objetivo da empatia: promover a sobrevivência e o bem-estar do grupo ao se conectar com as emoções dos outros e gerar comportamentos capazes de promover o bem dos outros. Tão simples, mas às vezes tão difícil.

Como bem destaca Daniel Goleman, não importa o quão inteligente uma pessoa é, sem uma empatia útil e ativa, ninguém chegará muito longe.

A empatia é mais necessária do que nunca em tempos de pandemia

Motivos pelos quais a empatia é mais necessária do que nunca em tempos de pandemia

Em tempos de crise e dificuldade, a empatia pode atuar como um estimulante. É um meio que faz fluir a harmonia entre os grupos, a identificação de necessidades e a colaboração ativa que nos faz parte do grupo, e não arquitetos do conflito.

Queremos pessoas que adicionem e não que subtraiam, precisamos de corações e mentes orientados a gerar soluções, e não a permanecer em uma posição passiva na qual nos limitamos a ver o que os outros estão fazendo de errado.

Analisemos mais de perto por que a empatia é mais necessária do que nunca em uma pandemia.

Para entender as necessidades das pessoas próximas

Na atual crise da saúde, há algo mais decisivo do que apenas evitar ser infectado. Haverá quem se limite exclusivamente a cuidar de si mesmo e da sua família. No entanto, na atual situação, devemos ser capazes de ir além.

Precisamos de redes de apoio à vizinhança, aquelas que identifiquem, por exemplo, um homem idoso que mora sozinho ou um casal de idosos que precisa de alguém para fazer compras.

A empatia emocional é útil, pois nos permite sentir a realidade do outro. O que também devemos trabalhar é a empatia cognitiva, que entende as necessidades reais, que vai além da emoção e nos faz agir para gerar soluções.

Os profissionais enfrentando a pandemia também precisam da nossa empatia

Temos certeza de que os profissionais de saúde são basicamente definidos por esse autêntico senso de empatia em relação aos pacientes. Isso é inegável. No entanto, se a empatia é mais necessária do que nunca em tempos de pandemia, é porque nos últimos dias estamos vendo ações claramente negativas ​​em relação a esse e a outros grupos.

Há pessoas que escrevem mensagens ameaçadoras nos carros de médicos. Alguns vizinhos deixam recados nas portas desses médicos, enfermeiras ou funcionários de supermercados exigindo que encontrem outras acomodações durante a pandemia, o que não é correto. Esses comportamentos geram medo, desconforto e tristeza nessas pessoas que estão dando tudo por nós.

Se não formos capazes de cuidar daqueles que cuidam de nós, não vamos avançar como humanidade.

Os profissionais na linha de frente também precisam da nossa empatia

Precisamos de líderes qualificados em empatia compassiva

Daniel Goleman nos explica em seu livro Focus que existe um terceiro tipo de empatia essencial no campo da liderança, tanto empresarial quanto política, que é a empatia compassiva. Nesse caso, falamos de um exercício emocional, cognitivo e comportamental que nos faz sentir uma preocupação genuína pelos outros.

Caem o egoísmo, os interesses e as falsidades para dar lugar a uma compaixão que valoriza o ser humano acima de qualquer coisa. Isso se traduz em ações, em compromissos reais e efetivos a partir dessa proximidade autêntica das pessoas.

Uma oportunidade de crescimento global

A empatia é mais necessária do que nunca em tempos de pandemia. Temos uma oportunidade real de exercitá-la, de levar em conta o que vários estudos revelam, como o realizado na Universidade de Manchester, no Reino Unido, pela Dra. Karen Tristen.

De acordo com essa pesquisa, a empatia ativa, a que exercemos através do apoio social, cria laços mais fortes e felizes, o que se reflete na expectativa de vida.

Raramente precisamos tanto dessa dimensão. Talvez seja o momento ideal para os nossos filhos aprenderem, para plantá-la em comunidades vizinhas, em pequenas cidades, em grandes cidades e, é claro, a nível internacional.

Precisamos de ajuda e compaixão próximas e remotas. Ajuda que um amigo, irmão, médico pode nos oferecer, e também um pesquisador que, de um país a milhares de quilômetros do nosso, se esforça para encontrar uma vacina. Reflitamos sobre isso e não deixemos de aproveitar essa oportunidade.

  • Tristen K. Inagaki, Edward Orehek On the Benefits of Giving Social Support: When, Why, and How Support Providers.Personality and Social Psychology Bulletin, 32(3), 313–327. https://doi.org/10.1177/0963721416686212