Encefalopatia espongiforme, a doença da vaca louca

Todos nós já ouvimos falar da doença da vaca louca ou encefalopatia espongiforme, mas você sabia que ela é um tipo de demência?
Encefalopatia espongiforme, a doença da vaca louca

Última atualização: 26 Maio, 2021

A encefalopatia espongiforme é um tipo de demência menos conhecido, mas igualmente importante. Quando falamos sobre demência, sempre tendemos a pensar na doença de Alzheimer, mas existem muitos outros tipos de demência mais silenciosos que afetam milhares de pessoas.

Para começar, é importante ir um pouco mais fundo e conhecer a definição de demência. A demência é uma síndrome clínica multietiológica que implica deterioração intelectual em relação a um nível anterior, geralmente crônica. Essa síndrome não é necessariamente irreversível ou progressiva, embora a deterioração intelectual implique uma diminuição das capacidades funcionais do sujeito, o suficiente para interferir em suas atividades sócio-laborais.

Voltando ao tema que nos preocupa hoje, a encefalopatia espongiforme, também conhecida como doença da vaca louca ou doença de Creutzfeldt-Jakob, é uma demência de origem infecciosa. É degenerativa e surge espontaneamente ou por herança genética. A incidência é de um ou dois casos por cada 100.000 habitantes (Vich, 2006).

Doença da vaca louca

Causas da doença

Como já dissemos, a encefalopatia espongiforme é de origem infecciosa. Ela é causada por príons. Um príon é uma proteína alterada ou malformada que tem a capacidade de modificar proteínas semelhantes em nosso corpo e levar a infecções.

O período de incubação da doença pode ser muito longo. No entanto, uma vez que os sintomas começam a aparecer, o curso se torna rápido e progressivo. Isso chega a causar a morte em quase 90% dos casos no primeiro ano desde os primeiros sintomas.

Essa proteína afeta o cérebro e o sistema nervoso. Causa uma infinidade de furos neste órgão, que acaba ficando com o formato de uma esponja. Daí o termo “espongiforme”. Embora não se saiba com certeza, acredita-se que essa doença possa surgir de três formas (Vich, 2006):

  • Comer carne bovina contaminada.
  • Genética, devido à mutação no gene que codifica a proteína príon, que determina a transmissão autossômica dominante da doença.
  • Ocasionalmente, origem iatrogênica.

“A pesquisa de doenças avançou tanto que é cada vez mais difícil encontrar alguém que seja completamente saudável.”
– Aldous Leonard Huxley-

Sintomas de encefalopatia espongiforme

Alguns dos sintomas que podem ser identificados em pessoas com encefalopatia espongiforme são:

  • Depressão. Tristeza, anedonia, sensação de ser um fardo, falta de esperança, etc., causando desconforto significativo ou perda funcional.
  • Delírio. É uma ideia falsa ou uma interpretação errada da realidade. Kraepelin o define como um “erro psíquico que vem de uma causa patológica e cuja justificativa e retificação é resistente à argumentação lógica”.
  • Alucinação. É uma falsa percepção de objetos ou eventos e é de natureza sensorial. A pessoa sente, cheira ou ouve algo que não está realmente ali ou não está acontecendo. Esquirol define como “sensações realmente percebidas, sem nenhum objeto próximo ao alcance dos sentidos”.
  • Ataxia. Envolve perda de coordenação dos movimentos, falta de coordenação ou rigidez.
  • Perda de memória.
  • Dificuldade em falar.
  • Dificuldade em engolir .
  • Demência.
Idoso com esquecimentos

Formas de prevenção

Esta doença, como outras que levam à demência, não tem tratamento. Portanto, recomenda-se tomar medidas preventivas:

  • Programas de vigilância ativa e passiva para a detecção rápida de animais afetados, tanto na granja quanto no matadouro.
  • Proibição de farinhas de carne e ossos de mamíferos, bem como proteínas animais transformadas em rações para consumo humano.
  • Inspeções veterinárias em fazendas de gado. Também é aconselhável monitorar armazéns e fábricas de rações destinadas à alimentação de ruminantes.
  • Abate de animais potencialmente infectados.
  • Não consumir carnes sem garantia de segurança.

Sempre que houver suspeita de contágio ou surgirem dúvidas sobre a doença, é aconselhável procurar um profissional para orientação. Os profissionais de saúde são os únicos que podem nos dar um diagnóstico confiável e indicar como agir diante de uma contaminação.

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