Os enigmas da intuição

· setembro 3, 2016

A intuição já foi motivo de discussões apaixonadas em diferentes campos do conhecimento. Foi protagonista de inúmeras decisões políticas, assim como de inúmeras descobertas científicas. Contudo, quando conseguimos resolver um problema de forma intuitiva, muitos o entendem como um simples lampejo da mente, como um conjunto de coincidências da sorte.

Em geral, a intuição é vista como uma coisa que está sob um véu misterioso. Isto porque trata-se de uma forma de percepção que nos permite ter acesso a conhecimentos sem sabermos de onde eles vêm. Nos permite perceber o que antes havia passado despercebido. Inclusive, nos tornamos conscientes de uma coisa que não desconhecíamos, mas que havíamos esquecido.

“É pela lógica que demonstramos, mas é pela intuição que descobrimos.”

-Henry Poincaré-

Todos nós, em algum momento das nossas vidas, experimentamos momentos de compreensão intuitiva. Em geral os descartamos por não terem lógica, e duvidamos que tenham algum fundamento convincente. Contudo, mesmo que não exista uma definição exata para a intuição, não significa, de forma alguma, que ela não exista.

De certa forma, a intuição é entendida como uma percepção direta da verdade. É independente de qualquer forma de raciocínio lógico. Este saber que se expressa sem que saibamos que sabemos requer uma integração equilibrada entre mente e coração.

Um olhar sobre a intuição

Podemos fazer o que diz a própria intuição e nesse processo de experimentação, a partir da tentativa e erro, aprender a ser principalmente intuitivos. É vital explorar o silêncio na hora de estar conectado consigo mesmo para deixar a mente intuitiva fluir.

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A intuição faz emergir o entendimento de qual poderia ser o trajeto a seguir. Encontrar o verdadeiro sentido das coisas e a natureza profunda da mente. Nos permite reconhecer, aprender e experimentar a verdade. É preciso treinar a atenção se quisermos desenvolver a intuição.

A peculiaridade da intuição é que ela vai além da razão sem se opor a ela. Obviamente não a substitui, mas a complementa e às vezes a precede. Nos envolve com o criativo e nos transporta mais além das fronteiras conhecidas. Também não dá para enquadrá-la dentro do campo do racional ou do irracional.

Obviamente existem fatores que dificultam ou favorecem o desenvolvimento da intuição. Por exemplo, a indecisão, a razão, o temor de errar e a falta de confiança a dificultam. Em contraposição, a ação, a atenção, a serenidade, a mente aberta, a percepção e o aprendizado a beneficiam.

Observações pontuais

Existem situações que precisam ser resolvidas de forma imediata. É aí que se ativam lembranças armazenadas na mente e que têm uma relação direta com o que precisamos resolver. Tais lembranças são de caráter emocional e estão associadas a acertos e erros do passado. Claro, estas lembranças determinarão a decisão que tomaremos no presente.

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Por exemplo, aparece uma oferta de trabalho. O cérebro recorre a todas as experiências profissionais armazenadas ali e então escolhemos a opção que consideramos mais conveniente. O desenvolvimento dessa sequência se faz de forma consciente. Por isso, estaremos em condições de expor as razões que nos levaram a tomar tal decisão.

Por outro lado, existem situações em que tal decisão é tomada de forma inconsciente. Se o resultado for positivo, dizemos que foi fruto da intuição e não podemos explicar as razões de saber que esse era o caminho correto. Nesse sentido, a intuição é uma espécie de palpite que não está mediado pela consciência ou pelos raciocínios, mas sim pelas experiências prévias e as emoções associadas a elas.

A intuição e a experiência

Estudos avançados no fim do século passado envolvendo profissionais de diferentes áreas obtiveram resultados interessantes. Por exemplo, descobriu-se que aqueles que tinham mais tempo exercendo a sua profissão eram bastante intuitivos. O mais surpreendente era que a sua intuição raramente falhava. É o caso dos médicos que tem um “olho clínico”.

Claro, uma experiência maior dará a possibilidade de um acerto maior sem ter que passar por longos raciocínios. Há quem considere que acertar por intuição é um assunto de pura estatística. A resposta é não. As experiências que constantemente incorporamos ao nosso inconsciente são as que permitem que a intuição fique mais afiada. Não é a coincidência, mas sim outra forma de chegar a conclusões verídicas.

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As experiências anteriores associadas a um sentimento são o que influencia as decisões que tomamos intuitivamente. Tal processo se dá de forma inconsciente e tem variáveis que dependem da personalidade e crenças de cada indivíduo. Por esse motivo existem pessoas mais intuitivas do que outras. Embora boa parte do mundo da intuição continue sendo um enigma, na prática está claro que se trata de uma realidade que opera diariamente.