Escala de coma de Glasgow: definição, usos e vantagens

· abril 20, 2018

A escala de coma de Glasgow (GCS) é um instrumento de avaliação neurológica que serve para registrar o nível de consciência de uma pessoa com dano cerebral. Permite explorar e quantificar 3 parâmetros ou critérios de observação clínica: a resposta ocular, a resposta verbal e a resposta motora.

Atualmente, seu uso generalizou-se a tal ponto que se converteu na ferramenta mais empregada no âmbito hospitalar e no campo pré-hospitalar. Entre suas vantagens encontram-se sua simplicidade de aplicação e o fato de ter proporcionado uma linguagem comum e objetiva que facilita a comunicação entre profissionais.

O que é a escala de coma de Glasgow?

Foi desenvolvida em 1974 por dois neurocirurgiões ingleses membros do Instituto de Ciências Neurológicas da Universidade de Glasgow: Bryan Jennett e Graham Teasdale. Ambos publicaram na revista The Lancet, com o título de Assessment of coma and impaired consciousness, a primeira versão desta escala.

Paciente internado no hospital

Durante os anos 60, Jennet foi criando um banco de dados com todos os casos em que um traumatismo crânio-encefálico (TCE) havia acontecido e sido atendido em Glasgow, junto a outros de seus colaboradores da Holanda e dos Estados Unidos. Esta compilação converteu-se na base para a escala de coma de Glasglow.

Pouco a pouco, converteu-se em uma ferramenta central para valorizar objetivamente o estado de consciência de pacientes que tinham sofrido um TCE. Estava dividida em 3 categorias que avaliavam de maneira individual 3 aspectos da consciência: abertura ocular, a resposta verbal e a resposta motora. A pontuação total era de 14 pontos.

Renovação com um ponto a mais

A versão definitiva foi criada dois anos depois, em 1976. Decidiu-se acrescentar um novo ponto que considerasse a postura de decorticação cerebral, um sinal de dano cerebral grave. Esta postura anormal caracteriza-se pela apresentação de rigidez com os braços flexionados em direção ao corpo da pessoa, os punhos das mãos fechados e as pernas muito retas.

Mantiveram-se as 3 subescalas, mas a pontuação total com essa nova incorporação aumentou um ponto. Assim, o máximo obtido passou de 14 a 15, e permanece até a atualidade.

Usos

Inicialmente a escala de coma de Glasgow foi concebida para estimar a gravidade de pacientes que tinham sofrido um traumatismo crânio-encefálico. Na atualidade, é usada para avaliar estados de alteração da consciência menos graves em situações pós-traumáticas e outras variáveis, como a profundidade do coma e sua duração.

Quando alguém sofre um forte impacto na cabeça, a exploração neurológica deve ser realizada no menor intervalo de tempo possível. Isto é, deve ser simples, objetiva e rápida.

O aspecto mais importante que deve ser levado em conta é o nível de consciência, por isso a GCS nestes casos é de suma importância. Assim, a pontuação obtida pelo paciente serve para conhecer a gravidade da lesão.

Por outro lado, permite identificar estados de coma profundos e ver a evolução dos mesmos. Por isso sua aplicação pode ser feita ao longo do tempo para obter um rastreamento das flutuações dessas mudanças no nível de consciência.

Pontuação e interpretação

Damos valores a cada um dos três aspectos, dando uma pontuação à melhor resposta obtida em cada categoria. Assim, a qualificação total mais baixa é de 3 (1 + 1 + 1) e a mais alta, de 15 (4 + 5 + 6). A gravidade do TCE é determinada em função dessa pontuação total e de acordo com a classificação de Gennarelli, na qual:

  • Leve: 14 – 15 pontos
  • Moderado: 9 – 13 pontos
  • Grave: < 9 pontos

Quanto ao nível de alteração de consciência (estado de coma), o gradiente varia:

  • Leve: > 13 pontos. A duração do coma costuma ser menor do que 20 minutos
  • Moderado: 9 – 12 pontos. A duração do coma é maior do que 20 minutos e menor do que 6 horas depois da admissão do paciente.
  • Grave ou severa: < 8 pontos. A duração do coma é maior do que 6 horas depois da admissão do paciente.
Mulher flutuando

Vantagens

No âmbito da saúde, quanto mais precisos formos com os termos e conceitos que utilizarmos, melhor. Por isso, a escala de coma de Glasgow permite evitar o emprego de ambiguidades tais como “o paciente está sonolento, inconsciente ou comatoso” e ser mais rigorosos a respeito do estado clínico e a evolução do paciente. A GCS nos permite ganhar em precisão e certeza.

Por outro lado, esta precisão e relativa simplicidade têm provocado a rápida universalização de seu uso, bem como sua aplicação para avaliar outras patologias traumáticas e não traumáticas. Inclusive permite seu manejo em situações de emergência e por diferentes profissionais.

É um instrumento completo, que avalia 3 aspectos chave e que pode ser usado repetidas vezes, já que oferece informação longitudinal a respeito da evolução do paciente. Por isso, é de grande utilidade na fase inicial do tratamento.