Espaços emocionais: meu lugar favorito é com você

Espaços emocionais: meu lugar favorito é com você

outubro 6, 2017 em Psicologia 2 Compartilhados
Os espaços emocionais em um relacionamento

Uma das regras básicas de saúde mental é viver e se desenvolver diariamente nos espaços emocionais positivos. São aqueles em que a principal regra é “ser e deixar ser”, são ambientes onde podemos nos sentir livres, mas ligados a algo ou alguém. Todos deveríamos ter um lugar favorito, um cenário enriquecedor onde florescer e crescer emocionalmente.

O tema dos espaços emocionais não é novo, no entanto, a maior parte da documentação e bibliografia que encontramos se associa quase sempre aos contextos laborais. Na verdade, e como todos sabemos, em poucos lugares recebemos tanto o impacto do clima emocional como no local em que trabalhamos todos os dias. Neles, sempre há variáveis facilitadoras com as quais nos sentimos confortáveis para nos relacionarmos, ou até mesmo para colocar nas mãos da própria organização todo o nosso potencial humano.

No entanto, podemos dizer que o sempre interessante tema do espaço emocional vai muito mais além do contexto laboral. Para começar, existe um aspecto básico que não podemos esquecer: a partir do momento em que há um espaço físico onde habitam uma ou mais pessoas, cria-se um determinado clima. Todos nós “liberamos” emissões emocionais, que somadas às dos outros membros, criam um ambiente enriquecedor, hostil ou neutro.

Por sua vez, algo muito curioso que alguns psicólogos explicam é que muitas vezes cinco minutos são suficientes para captar, por exemplo, o clima emocional de uma casa ou uma família. Ler as expressões, os tons de voz e o estilo de comunicação pode nos permitir deduzir muitas coisas.

Além disso, os agentes imobiliários sabem inclusive que aos 30 segundos depois de entrar em uma casa, a pessoa já sabe se ela gosta ou não. Porque às vezes, mesmo que um ambiente esteja vazio de pessoas, nosso cérebro continua se impregnando de estímulos emocionais muito subjetivos (a luminosidade, as cores e aqueles detalhes pontuais aos quais a nossa mente dará um valor emocional com base nas nossas experiências e estilo de personalidade).

Cervo na natureza ao amanhecer

Espaços emocionais, lugares onde fica o coração

Herman Melville dizia que os lugares mais bonitos não aparecem nos mapas. Os espaços mais belos são os que duas pessoas que se amam constroem de forma madura, que derrubam muros próprios para expandir o outro, que semeiam respeito e colhem satisfação, que investem na própria felicidade sabendo que esse bem-estar interno se reverte, por sua vez, para o ser amado.

Os espaços emocionais positivos e de qualidade, mais do que possamos pensar, não são fáceis de construir. Um erro que às vezes nos faz naufragar neste propósito é pensar que todo ambiente feliz e significativo é erguido fazendo com que os outros sejam felizes. Desta forma, e como exemplo, facilitamos que a nossa posição em um ambiente de trabalho seja a de uma pessoa submissa e complacente que não tem iniciativa para propor e gerar, com sua atitude, mudanças positivas para a organização.

Enquanto isso, a nível relacional ou familiar, daríamos forma à figura que prioriza as emoções dos outros às suas próprias, gerando mais cedo ou mais tarde um clima de frustração reprimida e insatisfação amarga no ambiente. Com tudo isso, queremos deixar claro uma frase para refletir: os espaços emocionais positivos exigem, em primeiro lugar, um investimento em nós mesmos.

Como criar espaços emocionais adequados

A qualidade humana, conjugada com a maturidade emocional e a assertividade, consegue colocar limites na formação de qualquer ambiente tóxico, por exemplo.

É necessário recordar que todo clima emocional negativo é um campo de batalha onde entram em cena tanto os preconceitos quanto a sombra do ego, os julgamentos categóricos, o individualismo, o demônio da pressa, as ofensas e o pior inimigo de todos, o medo.
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Se todas essas dimensões já me habitam originalmente, elas condicionarão o meu comportamento e, portanto, também o clima emocional. É necessário entender que qualquer ambiente emocional enriquecedor dependerá, sem dúvida, do perfil psicológico de seus habitantes.

Como criar espaços emocionais generosos, positivos e fortes

Os nossos espaços emocionais cotidianos devem ser os nossos lugares favoritos. Aqueles em que podemos ser sempre nós mesmos, em que sabemos que vão respeitar as nossas ideias, valores e sentimentos. São lugares delimitados onde os vínculos relacionais com aqueles que estão conosco não atuam como cadeias ou grades, mas como ventos quentes que enchem as nossas velas de esperança, nos fazendo sentir livres e cheios de possibilidades.

Portanto, não basta que nos amem, é essencial que as pessoas nos queiram bem e, para isso, para criar espaços emocionais positivos e generosos, é recomendável aplicarmos estas estratégias simples. Vamos refletir a seguir sobre cada uma delas.

Nuvem em forma de boca sobre o mar

4 chaves para construir ambientes emocionais generosos

Antes de focarmos o estado emocional daqueles que nos rodeiam, vamos começar por nós mesmos. O que mais afeta os espaços emocionais é a frustração pessoal, a irritabilidade ou o fato de estar na defensiva. Vamos aprofundar, portanto, as nossas emoções e aprender a geri-las antes de descarregar a nossa raiva, ansiedade ou carências nos outros.

  • Reforços positivos. Os especialistas em climas emocionais nos dizem que, em média, as pessoas podem tolerar um comentário negativo por dia, como uma reprovação, uma crítica ou uma chamada de atenção, desde que recebam quatro comentários positivos. Por sua vez, um excesso exagerado de palavras positivas recairia em uma sensação incômoda de falsidade ou artificialidade.
  • Comunicação constante, sincera e assertiva. Além de reforços positivos e carícias emocionais, um ambiente emocional de qualidade requer um diálogo constante onde aplicar a escuta ativa, a empatia e a assertividade.
  • Facilitar uma conexão adequada. Em um ambiente de trabalho, podemos nos dar bem com muitas pessoas. No entanto, a verdadeira qualidade tanto em um ambiente de trabalho como em uma casa é ter a sensação de que nos “conectamos” com os outros, de que há algo que transcende a simples cortesia ou até mesmo a linguagem. É a cumplicidade.

Por último, e não menos importante, uma estratégia primordial para nutrir qualquer espaço emocional é saber cuidar das pequenas coisas, dos detalhes mais delicados. Qualquer olhar sábio está atento a essas sutilezas diárias que devemos evidenciar através da consideração, da gratidão ou através de um “obrigado por estar aqui”, um “o que eu faria sem você” ou “meu lugar favorito é sempre ao seu lado”.

Vamos cuidar desses aspectos no dia a dia para podermos criar ambientes muito mais felizes.

Imagens cortesia de Vladimir Kush.

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