O experimento de Asch: até que ponto nos deixamos levar

Até que ponto você acha que conhecer o pensamento da maioria pode condicionar alguma das suas respostas? Asch encontrou evidências que sustentam que o peso da resposta da maioria é muito grande.
O experimento de Asch: até que ponto nos deixamos levar

Última atualização: 03 Maio, 2021

O experimento de Asch é um dos mais conhecidos da psicologia social quando se fala em conformidade com o grupo. A simplicidade do seu procedimento e a generalização dos seus resultados lançaram as bases para estudos sobre como a maioria pode influenciar as nossas decisões e até mesmo a nossa percepção do mundo.

Ficou curioso? Neste artigo, descreveremos um dos experimentos mais simples, fascinantes e esclarecedores da história da psicologia.

Solomon Asch e sua influência na psicologia social

Solomon Asch, nascido em Varsóvia em 1907, é a principal referência na psicologia social em termos de estudos da conformidade. Ele focou os seus estudos na influência do grupo sobre o indivíduo, contribuindo para a criação de alguns conceitos, como o efeito halo e o efeito primazia.

No entanto, o experimento que marcou a sua carreira foi realizado em 1951. Nesse estudo, Asch esperava mostrar que as pessoas podem discordar quando entendem que a maioria está errada.

No entanto, infelizmente, a realidade é caprichosa. Ele encontrou apenas resultados que sustentavam a hipótese oposta. A seguir, explicaremos como esse experimento foi projetado. A sua simplicidade e todas as ramificações subsequentes mudaram para sempre o paradigma do estudo da influência social.

Influência social

O experimento de Asch: até que ponto nos deixamos levar

O experimento de Asch era bem simples. As pessoas tinham que usar a visão para responder a uma pergunta com três opções de resposta. O procedimento era o seguinte:

  • Formaram-se grupos de 7 a 9 pessoas, onde todos, exceto o sujeito crítico, eram cúmplices do experimentador.
  • Todos receberam dois cartões: um com uma linha de referência e outro com três opções, cada uma com uma linha de comprimento diferente. Apenas uma dessas três linhas era igual à linha de referência.
  • Nos primeiros testes, todos os cúmplices deram a resposta correta, mas em algum momento todos começaram a concordar com uma resposta que não era a correta. Por exemplo, se a linha que era igual à do cartão de referência era A, todos diziam que era a C.

Nesse ponto, o que você acha que o sujeito crítico responderia? O lógico seria pensar que, embora todos estivessem errados, essa pessoa responderia a que achasse que estava correta. Pois bem, não foi assim: quando todos os cúmplices concordaram em escolher uma opção claramente incorreta, a maioria dos sujeitos críticos respondeu igual ao grupo.

O paradigma dos resultados

Como isso é possível? Em uma tarefa tão simples como olhar para uma linha e decidir qual das outras é igual, em princípio, não há espaço para erro, você vê o que você vê. É aqui que a descoberta mais importante de Asch entra em jogo; muitos dos sujeitos críticos alegaram que viram uma linha tão longa quanto a primeira, quando na realidade, não era.

Ou seja, não apenas a opinião do indivíduo é modificada pelo que a maioria diz, mas a própria percepção física é sensível à sua influência. A crítica que se fez é que, por se tratar de uma tarefa de menor importância, o sujeito poderia responder da mesma forma que os demais pelo simples interesse de evitar o dilema.

Diferente do grupo

Reflexões sobre o experimento de Asch

Esses resultados deixaram uma questão muito importante para a psicologia social: até que ponto estamos dispostos a mudar as nossas opiniões, decisões e até mesmo as nossas percepções devido à influência de outras pessoas?

Nesse sentido, a abordagem básica do experimento favorece a generalização para situações cotidianas: o lazer marcado por grupos de amigos, carreiras profissionais altamente condicionadas pela opinião da família e até preconceitos sociais como racismo ou machismo.

É importante questionar a ideia de até que ponto somos influenciados ao considerar certas coisas como importantes ou sermos contrários a elas. Muitas vezes, a manipulação do sistema consiste em banalizar certos aspectos da vida para alcançar a conformidade do indivíduo.

Nem todos querem em ir contra a corrente quando se trata do comprimento de uma linha, mas e quando se trata de votar ou não? Outro exemplo, a moda é tão importante a ponto de condenar um homem de saia?

Pode interessar a você...
Mensagens subliminares na música: mito ou realidade?
A mente é maravilhosaLeia em A mente é maravilhosa
Mensagens subliminares na música: mito ou realidade?

O assunto sobre a possibilidade de haver ou não mensagens subliminares na música sempre esteve cercado de controvérsias. Para muitos, não passa de um mito.



  • Asch, S. E. (1956). Studies of independence and conformity: A minority of one against a unanimous majority. Psychological Monographs, 70 (Whole no. 416)
  • Asch, S. E. (1951). OF JUDGMENTS. Groups, leadership and men: Research in human relations, 177.