O experimento de Harvard que criou o terrorista Unabomber

· março 15, 2018

Dizem que Ted Kaczynski possui uma das mentes mais brilhantes da atualidade. Entre 1976 e 1995, no entanto, ele enviou 16 bombas de fabricação caseira para protestar contra o progresso tecnológico. Ele ficou conhecido pelo FBI como Unabomber, um terrorista que participou de um experimento em Harvard sobre controle psicológico supervisionado pela CIA, conhecido por sua vez como MK Ultra.

Ted Kaczynski cumpre pena desde 1996 em um centro penitenciário de segurança máxima no Colorado. Na prisão, faz um intenso trabalho de escrita por meio de cartas que servem para difundir suas ideias, as mesmas que ele publicou no “Manifesto sobre o progresso industrial e o seu futuro”. Esse trabalho foi publicado por um dos mais prestigiados jornais dos Estados Unidos um ano antes de sua captura, numa tentativa desesperada do FBI de identificá-lo. Com a publicação em massa, alguém poderia reconhecer suas ideias tanto radicais quanto peculiares sobre a sociedade e denunciá-lo. Foi o que aconteceu.

No ano de 2003 descobriu-se uma explicação para o comportamento de um dos terroristas mais famosos da históra. Ted Kaczynski, um brilhante matemático, havia sido manipulado em um experimento realizado pela CIA na Universidade de Harvard.

A estratégia alcançou seu objetivo e depois de mais de 20 anos de investigação, 3 mortos e 11 feridos, Kaczynski foi julgado e condenado. Seu empenho em transmitir sua mensagem não diminuiu em nada, no entanto. Esse matemático e filósofo de Harvard continua transmitindo ao mundo seu sofisticado pensamento. Todas as suas cartas estão guardadas e são estudadas na Universidade de Michigan, assim como seu famoso manifesto, que já foi traduzido para vários idiomas e segue sendo um material muito fascinante para a comunidade da psicologia, economia e sociologia.

Agora, foi só em 2003 que veio à tona um aspecto não conhecido até aquele momento, mas bastante importante, sobre o Unabomber. O historiador Alston Chase publicou uma reveladora investigação em que anunciava uma dolorosa verdade: esse terrorista e brilhante matemático foi parte de um experimento em Harvard que durou quase 3 anos, o MK Ultra.

Ted Kaczynski

O experimento de Harvard e o Unabomber

O FBI demorou mais de 20 anos para descobrir quem era esse terrorista. Ele conseguiu, pacientemente, colocar 16 bombas ao longo de todo esse tempo em pontos determinados e bastante estudados. O nome que deram a ele, Unabomber, foi devido a sua metodologia e objetivos específicos: “University and Airline Bomber”. O nome em inglês quer dizer Terrorista de Universidades e Linhas Aéreas, em português.

Dizem os boatos que a investigação foi uma das mais caras já realizadas pelos Estados Unidos e que durante anos não houve qualquer resultado. Foi só com a chegada de um brilhantes criminalista, o agente James R. Fitzgerald, que o próprio Kaczynski viu a si mesmo denunciando seus passos, com o agente em sua cola até finalmente descobrir sua identidade. Agora, quando a população descobriu o nome que estava por trás de todos aqueles atos, todos ficaram perplexos. Ninguém conseguia entender o motivo de um professor de matemática de Harvard que contava com vários prêmios e reconhecimento pelo seu trabalho havia cruzado a linha entre um cidadão do bem com alta distinção acadêmica e um criminoso procurado pelo FBI.

Esquizofrenia, paranóia, transtorno de personalidade antissocial… durante vários anos esses diagnósticos rondaram a pessoa de Kaczynski. Eram ideias para tranquilizar a população, oferecer um motivo para algo que ninguém conseguia entender. Não obstante, em 2003 foram publicadas várias notícias que chamaram a atenção de todos aqueles que ainda estavam interessados pelo caso Unabomber.

Ted Kaczynski na universidade

Theodore Kaczynski entrou na Universidade de Harvard com um pouco mais de 15 anos. Era um menino superdotado, mas também emocionalmente vulnerável e muito jovem para lidar com o que viria logo a seguir. A CIA levou seu programa de estudos sobre o controle mental para essa mesma Universidade, usando técnicas variadas para estudar o assunto: administração de substância, hipnose, descargas elétricas e as mais sofisticadas técnicas de controle psicológico.

Esse experimento de Harvard durou quase 3 anos, sendo que Kaczynski foi um dos muitos sujeitos experimentais. Foi escolhido por ser facilmente manipulável, uma vez que ainda era muito novo, e por seu elevado coeficiente intelectual.

O experimento de Harvard teve relação com seus atos criminosos posteriores?

A pergunta de se o experimento de Harvard teve influência no seu comportamento antissocial e reativo que culminou na fabricação de várias bombas para atacar o progresso e a tecnologia não pode ser respondida com uma atribuição de responsabilidade de causa e efeito. Na verdade, há muitas causas que levaram o Unabomber a seus comportamentos.

Kaczynski foi uma criança notável, mas que nunca se encaixou em nenhum cenário de sua vida. Sempre foi o aluno mais jovem de onde estudava, uma criança que chegou ainda adolescente à universidade e que teve que enfrentar o abuso, o desprezo, o bullying e até mesmo esse programa do governo, que longe de trazer qualquer benefício acadêmico a ele e a outros alunos, o deixou traumatizado.

A teoria que esse filósofo e matemático acabou desenvolvendo após passar por esse experimento em Harvard e também por outras experiências é que a tecnologia, longe de ser facilitadora, atenta contra a própria humanidade. Segundo ele, as pessoas são escravas de todos os avanços tecnológicos, tornando-se entidades manipuladas por uma sociedade de consumo em que todos perdemos a nossa capacidade e possibilidade de escolha.

Unabomber

Depois de deixar a universidade em que trabalhava como professor, Kaczynski construiu para si uma cabana em um bosque perto da cidade americana de Lincoln, para viver como um ermitão. Foi lá que ele colocou em prática seus ideais, onde escreveu seu manifesto com uma velha máquina de escrever e onde fabricou as sofisticadas bombas com as quais assassinou 3 pessoas e feriu tantas outras.

Nos dias de hoje, sua figura continua inspirando livros e séries de televisão. Apesar de já ter 75 anos, dizem que sua mente está mais ativa do que nunca, e que continua empenhado no seu projeto pessoal de revolução: acabar com a sociedade tecno-industrial.