A felicidade está em seu hemisfério esquerdo

· outubro 29, 2018

O verdadeiro lar dos nossos sentimentos e emoções não está no coração, e sim no cérebro. E mais, de acordo com pesquisas recentes, boa parte da nossa felicidade está no hemisfério esquerdo.

Assim, cada vez que nos sentimos entusiasmados, cheios de energia, positividade e esperança, a área que apresenta maior neuroatividade é precisamente o córtex pré-frontal esquerdo.

Por isso, o tema não deixa de ser interessante. Daniel Goleman falou disso em um artigo do New York Times e explicou que nos últimos anos a neurociência, a psicologia, o budismo e a espiritualidade estão unindo laços para alcançar respostas em disciplinas aparentemente distantes.

Sabe-se que em maio de 2000 ocorreu uma reunião muito produtiva e gratificante. Dalai Lama se reuniu com os melhores neurologistas e psicólogos do momento com um propósito.

Sua finalidade era, ao mesmo tempo, elevada e prática: conhecer como o budismo lida com as emoções negativas, saber o que acontece no cérebro de uma pessoa acostumada a praticar meditação e a usar um enfoque mental baseado na bondade, no altruísmo e na felicidade.

Este encontro durou cinco dias, em um cenário isolado de Dharamsala, na Índia. A verdade é que foi muito produtivo para um destes cientistas. O doutor Richard Davidson, diretor do Laboratório de Neurociência Afetiva da Universidade de Wisconsin, e autor de livros como O Perfil Emocional de seu Cérebro, saiu deste encontro com uma hipótese de trabalho.

“Pesquisas recentes demonstram que quando simpatizamos, nos envolvemos através de amizades ou socializamos, o cérebro ativa muitas das mesmas redes de quando experimentamos dor física ou de outro tipo.”
-Richard Davidson-

Explorar a natureza e viver plenamente

A felicidade está em seu hemisfério esquerdo

O doutor Richardson é famoso por suas investigações em neurociência afetiva. Depois de anos de trabalho e análise em seu laboratório da Universidade de Wisconsin, repete em suas conferências uma frase, um mesmo comentário: a base de um cérebro saudável é a bondade.

Hoje em dia, é presidente do Centro de Pesquisa de Mentes Saudáveis na mesma universidade e é comum que, de tempos em tempos, nos surpreenda com uma nova revelação.

Por exemplo, em 2008, um de seus estudos se concentrou em demonstrar a relação entre a neuroplasticidade e as técnicas de meditação. Ou seja, as pessoas acostumadas a realizar esta prática durante uma boa parte de sua vida apresentam uma maior atividade elétrica, maior capacidade de se concentrar, aprender e gerar novas conexões neuronais.

Por outro lado, se observarmos seu livro The Emotional Life of Your Brain (A vida emocional de seu cérebro, em tradução livre), de 2012, nós encontramos uma de suas teorias mais interessantes. Ela diz simplesmente que a felicidade está em seu hemisfério esquerdo do cérebro. Vejamos mais dados sobre esta ideia.

Os lobos frontais e as nossas emoções

Ao longo da nossa evolução como espécie, esta massa de bilhões de neurônios situada no interior do nosso crânio foi se especializando. Em outras palavras, dizer que a felicidade está em seu hemisfério esquerdo não é nada além de um modo de expressar como e de que forma nossas emoções positivas se desenvolveram ao longo do tempo.

  • Por exemplo, há não muito tempo era aceita a ideia de que este universo de sentimentos e emoções se localizava na área mais primitiva do nosso cérebro interior, a mesma que, tempos atrás, recebeu o rótulo de “reptiliano”. É nessa zona que, efetivamente, situam-se as estruturas mais antigas, como o sistema límbico, encarregado de regular todos os processos emocionais.
  • No entanto, já faz mais de 30 anos que a neurociência fez outra descoberta. Já sabemos que as emoções não ficam exclusivamente na caverna profunda do cérebro que é o sistema límbico. De fato, essa estrutura está diretamente conectada com os lobos frontais (envolvidos no pensamento mais complexo, como é o caso das funções executivas).

Mulher preocupada

A angústia, o estresse e a ansiedade estão no hemisfério direito

O doutor Richard Davidson já partia dessa base. Ou seja, já conhecia a relação entre o sistema límbico e os lobos frontais. Entretanto, depois de alguns anos de pesquisa e através de testes com ressonâncias magnéticas, pôde ver algo muito interessante:

  • As imagens funcionais revelaram que quando nos sentimos angustiados, estressados ou deprimidos, as áreas mais ativas do cérebro são os circuitos que convergem na amígdala, assim como no córtex pré-frontal direito.
  • Esta zona, o córtex pré-frontal direito, está relacionada com a hipervigilância, algo muito comum nos momentos nos quais experimentamos um estresse elevado.

O hemisfério esquerdo e as emoções positivas

A felicidade está no hemisfério esquerdo ou, mais especificamente, no lobo frontal esquerdo. Assim, quando nos sentimos mais tranquilos, otimistas e relaxados, o lobo frontal direito apresenta uma menor atividade, em contraste com a intensa atividade neuronal da área esquerda.

Este é um dado chamativo, uma realidade que a neurociência dá como válida e que pode servir, sem dúvida, para fazer algumas reflexões.

“Em minha pesquisa, descobri formas práticas e efetivas de fazer isso, de modificar nosso estilo emocional para melhorar a capacidade de recuperação. O fato surpreendente é que só através da atividade mental podemos mudar intencionalmente nossos próprios cérebros. A atividade mental vai desde a meditação até a terapia cognitivo-comportamental.”
-Richard Davidson-

Se a felicidade está no hemisfério esquerdo, como posso estimular esta área?

O Dr. Davidson destaca que, para modificar a atividade do nosso cérebro, o melhor é melhorar nossos pensamentos, nossa atividade mental. Isso é algo garantido por enfoques terapêuticos como a terapia cognitivo-comportamental, ideal para tratar desde depressões a ansiedades, fobias, estresse, etc.

Da mesma forma, se a felicidade está no hemisfério esquerdo e você deseja “silenciar” essa hiperatividade da área do lobo cerebral direito, é recomendável praticar as seguintes dimensões:

  • A meditação;
  • A bondade;
  • O altruísmo;
  • Dedicar momentos de descanso a si mesmo;
  • Cultivar a amizade;
  • Ter um objetivo, uma motivação;
  • Ter entusiasmo;
  • Ser positivo, acreditar na esperança.
Mulher meditando na praia

Para concluir, além de tudo isso, de todo o processo, qualidade ou competência, há um aspecto que não podemos deixar de lado. Somos nós que podemos modificar e otimizar nossos processos cerebrais.

Somos nós que temos a obrigação de transitar pela linha de vida mais relaxada, aberta e flexível onde podemos assentar as verdadeiras bases neurológicas da felicidade.