Sistema límbico: o que é e como funciona? - A Mente é Maravilhosa

Sistema límbico: o que é e como funciona?

julho 18, 2017 em Psicologia 572 Compartilhados
Sistema límbico: o que é e como funciona?

Nosso cérebro é uma das estruturas mais maravilhosas do nosso corpo. A prova é que, mesmo sendo uma das partes mais estudadas do corpo humano, ainda há muito o que descobrir sobre o seu funcionamento. Apesar disso, sabemos que dentro dele temos vários sistemas que se especializaram em uma parte do funcionamento do nosso corpo. Um dos sistemas mais importantes é o conhecido como sistema límbico.

A primeira vez na qual se falou sobre o sistema límbico, mesmo que de uma maneira menos conceitualizada e mais primitiva da que conhecemos hoje, foi porque Paul Broca nomeou uma região localizada nas proximidades da glândula pineal, ou melhor no limbo ou na margem, a região do “grande lobo límbico”. É daí que vem a lógica do seu nome, porque se situa no limbo ou na margem de outras estruturas já conhecidas até aquele momento.

Mas o sistema límbico, tal e como o conhecemos hoje, foi conceitualizado pelo fisiólogo MacLean em 1949. Ele ampliou a conceitualização primária desse sistema, que Papez iniciou em 1939, dando seu nome atual. MacLean decidiu pela ampliação do número de estruturas que o compõem porque considerava que na nossa evolução o desenvolvimento do córtex cerebral foi tão importante quanto o desenvolvimento do nosso cérebro emocional.

 “A felicidade é um estado mental ativado pelo sistema límbico.”
-Antonio Damasio-

Por isso, o sistema límbico é conhecido como cérebro emocional. Mas o termo cérebro emocional é totalmente correto? Atualmente, quais são os componentes do sistema límbico? Seu funcionamento é tão importante? Se você continuar lendo, encontrará as respostas a essas perguntas!

Quais são as principais estruturas que compõem o sistema límbico?

O sistema límbico é composto por várias estruturas cerebrais interconectadas entre si. Isso torna complexo determinar com precisão quais estruturas o compõem e a função concreta de cada uma delas. Mesmo assim, estudos que são mais corroborados pelos cientistas sugerem que as estruturas que compõem o sistema límbico e suas respectivas funções são as seguintes:

Hipotálamo

Localizado na base do encéfalo, abaixo do tálamo. Mais especificamente ele se encontra na região central do terceiro ventrículo, ou melhor, na direção do centro e na parte interna do nosso cérebro.

É uma estrutura cerebral pequena, mas composta por vários núcleos e fibras, que é essencial para garantir a nossa sobrevivência, pois se encarrega do nosso sistema nervoso autônomo e do nosso sistema endócrino. Além disso, organiza os comportamentos mais importantes ligados à sobrevivência da espécie: luta, alimentação, fuga e reprodução.

Uma das estruturas do hipotálamo mais importantes no funcionamento do sistema límbico são os corpos mamilares. Os corpos mamilares são uma profusão do fundo do encéfalo na extremidade posterior do hipotálamo. Eles contêm vários núcleos hipotalâmicos importantes e se encarregam dos impulsos oriundos da amígdala e do hipocampo, além do reenvio desses impulsos ao tálamo. Este os transforma em um importante canal de recepção e transmissão de informação.

Hipocampo

É uma estrutura do prosencéfalo, situada no lobo temporal, que tem um formato característico de “cavalo-marinho”. É uma das áreas mais ancestrais do encéfalo humano e por isso é a principal estrutura ligada ao hipotálamo na regulação dos processos básicos da nossa sobrevivência.

Além disso, o hipocampo é tão importante que sem ele não poderíamos ter uma identidade, já que é uma área essencial para o bom funcionamento da nossa memória. Mais especificamente da memória remota, aquela que nos proporciona a lembrança de tudo aquilo que aconteceu no passado e, portanto, caracteriza em partes a nossa personalidade com base nas experiências. O hipocampo também é uma estrutura muito importante nos processos de aprendizado.

Em relação ao sistema límbico, o hipocampo é o principal encarregado da memória emocional. Isso quer dizer que cada acontecimento que vivemos, sentimos e experimentamos é filtrado pelo hipocampo, que junto com o hipotálamo permite que possamos nos lembrar não somente das experiências, mas também daquilo que sentimos em relação a elas.

Amígdala

A amígdala, ou o complexo amigdaloide, está localizada no ventrículo lateral do lobo temporal, mais especificamente no interior do lobo temporal. Isso quer dizer que faz parte do chamado cérebro profundo, aquele no qual prevalecem as emoções básicas ou o instinto de sobrevivência. Ela é constituída por três núcleos principais: núcleos basolaterais, núcleo central e núcleos corticomediais.

Sua principal função é a de integrar as emoções aos padrões de resposta correspondentes em nível fisiológico e comportamental.  Suas conexões produzem uma reação emocional, mas também permitem a inibição de comportamentos devido à sua estreita ligação com o lobo frontal, participando assim do conhecido sequestro emocional.

Dentro do sistema límbico, a amígdala não é apenas a capitã das nossas emoções, mas, associada ao hipocampo, também dá origem às lembranças emocionais. Mas isso não é tudo, junto com o hipotálamo, enche os nossos processos básicos de cor emocional, associando a ansiedade ou as emoções negativas à alimentação, ao sono ou ao comportamento sexual.

Sistema límbico do cérebro

Fórnix ou Trígono

É um feixe ou um conjunto de (axônios) em forma de arco que conecta o hipocampo a outras regiões encefálicas. Destaca-se, no funcionamento do sistema límbico, sua conexão com os corpos mamilares e com o hipocampo. Assim, esse arco é o principal encarregado da transmissão de informação entre as principais estruturas do sistema límbico.

Córtex límbico

O córtex límbico se situa no lobo temporal medial do nosso cérebro. Bastante relacionado com a memória, em especial com a consolidação e a recuperação de memórias declarativas: tanto episódicas como semânticas. Além disso, assim como o Fórnix, é uma via de conexão de informação entre as diferentes estruturas cerebrais.

Outras estruturas associadas ao sistema límbico

Como já dissemos anteriormente, nem todos os neurologistas e neuropsicólogos concordam sobre a composição do sistema límbico devido à complexidade do seu funcionamento. Por isso, alguns profissionais, para explicar seu funcionamento, também podem levar em consideração as seguintes estruturas:

  • Circunvolução do cíngulo: proporciona uma via a partir do tálamo até o hipocampo e está associada à memória olfativa e à lembrança da dor.
  • Área septal: participa na inibição do sistema límbico e no nível de alerta quando a atenção seletiva assim requer. Além disso, parece interferir para relacionar da memória, a motivação, a emoção e o estado de alerta, moldando as sensações prazerosas e os estados de ativação externos.
  • Área tegmental ventral: considerada um dos centros de recompensa por excelência, intervindo assim na regulação do prazer e dos vícios.
  • Córtex pré-frontal: é a parte racional por excelência do nosso cérebro, aquela que nos distingue dos animais. Seu funcionamento relacionado com o sistema límbico é silenciar ou parar os “impulsos” emocionais provenientes do mesmo. Ele se encarrega de controlar nossos impulsos e seu desenvolvimento é um dos que se completa mais tardiamente no desenvolvimento geral do nosso cérebro.

Entender o sistema límbico do cérebro

Afinal, é correto tratar o sistema límbico como cérebro emocional?

Para muitos autores é um termo completamente correto já que a função principal do sistema límbico, como vimos, é a regulação emocional. De fato, historicamente a função principal atribuída a esse sistema abrangia apenas o gerenciamento das emoções.

Atualmente, por outro lado, considera-se a visão desse sistema como o cérebro emocional muito reducionista. Isso acontece porque, como vimos, foram descobertas várias funções associadas às diferentes estruturas que o compõem e ao seu funcionamento conjunto.

Além disso, considera-se que atualmente esse sistema está envolvido não apenas com as emoções, mas também possui vital importância para a motivação, o desenvolvimento do aprendizado e a memória. Por isso, ao pensar no sistema límbico, devemos ir mais além da consideração do mesmo como cérebro emocional.

O sistema límbico é tão importante para a nossa sobrevivência?

Como vimos, esse sistema se encarrega de várias funções, entre elas aquelas essenciais à sobrevivência, representadas sobretudo pelo hipotálamo. Por isso, sem ele não poderíamos viver. Uma amostra disso são algumas das doenças mais curiosas, que podem aparecer se alguma das estruturas que o compõem for lesionada:

  • Alzheimer: provocado por uma degeneração de diferentes estruturas cerebrais, sobretudo do hipocampo, produzindo nesse caso a perda progressiva da memória entre outros sintomas.
  • Síndrome de Kluver-Bucy: doença que afeta a amígdala e os lobos temporais de ambos os lados. Produz agnosia ou falta de reconhecimento visual, hipersexualidade e hiperfagia, entre outros sintomas.
  • Amnésia: principalmente anterógrada pelo comprometimento do hipocampo.
  • Alexitimia: Incapacidade de expressar e reconhecer emoções tanto próprias como alheias.

Essas alterações, entre muitas outras, nos mostram a importância do sistema límbico nos diferentes aspectos do nosso comportamento, desde a memória até funções tão básicas como a fome. Por isso, é uma estrutura cujo funcionamento é um dos mais importantes dentro do nosso cérebro.

Referências Bibliográficas:

Abril Alonso, Águeda del. (2005) Fundamentos biológicos de la conducta.  Madrid: Sanz y Torres.

Carlson, N. (2014). Fisiología de la conducta.  Madrid: Pearson.

Rosenweig, M.; Breedlove, S.; Watson, N. (2005) Psicobiología. Una introducción a la Neurociencia Conductual, Cognitiva y Clínica.  Barcelona: Ariel.

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