O fenômeno da borboleta em chamas

junho 21, 2019
O fenômeno da borboleta em chamas é uma metáfora que fala sobre a dependência emocional, sobre como às vezes somos atraídos pelo que nos magoa, temendo precisamente o que pode nos libertar...

Em alguns momentos, podemos nos sentir incapazes de sair de situações que nos causam sofrimento, mesmo que estejamos motivados a nos livrar do seu fardo. Neste contexto, é relativamente fácil cair na dependência. É assim que nos aproximamos do fenômeno da borboleta em chamas.

No cenário da dependência, o abandono é apresentado como um dos nossos medos mais profundos e condicionantes. Por causa desse medo, nos tornamos capazes de nos colocar de lado, alimentando situações que são tóxicas. Na maioria dos casos, esse medo está presente no fenômeno da borboleta em chamas.

Do que se trata? O que fazer para não cair neste fenômeno? Quais são os benefícios de reconhecê-lo? Vamos começar procurando respostas com uma frase inspiradora:

“Deixar fluir é ser capaz de soltar, mesmo que isso envolva enfrentar o que mais tememos. Assim, traçamos um caminho para o bem-estar”.

O fenômeno da borboleta em chamas: do que se trata?

Como sugerido pelo psicólogo e escritor David Solá, quando falamos sobre esse fenômeno nos referimos àqueles comportamentos que levam as pessoas a retornarem a situações que lhes causam sofrimento. Este retorno ocorre, geralmente, para relacionamentos passados.

Então, falamos de um fenômeno em que a pessoa retorna repetidamente ao seu relacionamento passado, o que provoca um sofrimento maior após uma nova rejeição.

Jovem observando o celular

Por exemplo, pense naquela pessoa que faz o que for preciso para recuperar o relacionamento com seu ex-parceiro. Ela envia mensagens, faz ligações, compra presentes… enfim, faz o que acha necessário para que essa pessoa não a abandone.

Mas, por que recebe o nome de fenômeno da borboleta em chamas? Porque a borboleta é fortemente atraída pela luz da chama, e quanto mais se aproxima, mais sofrimento ela poderá lhe causar. Um sofrimento que não impede que a chama seja um estímulo tentador.

Uma provável consequência deste fenômeno é a destruição da autoestima: é um dos primeiros tecidos que a chama começa a queimar. Além disso, leva à falta de controle emocional e perda do sentido da realidade.

O que fazer para não cair nesse fenômeno?

A seguir, mostraremos algumas estratégias para enfrentar o fenômeno da borboleta em chamas:

  • Autoconhecimento: conhecer a nós mesmos nos ajudará a reconhecer esses comportamentos, a entender por que eles podem ser tentadores, apesar de nos prejudicarem. Finalmente, será o ponto de partida para eliminá-los do nosso repertório de ações.
  • Autoestima: se reconhecermos o nosso valor, será mais fácil não exceder os limites que protegem a nossa dignidade.
  • Adeus à idealização: às vezes, vemos a outra pessoa como um ser perfeito, muito melhor do que ela realmente é. Isso nos ajuda a manter o relacionamento com o outro, mesmo que o preço a pagar seja alto.
  • A solidão não é ruim: depende da perspectiva com a qual você a assume. Aproveite os seus momentos de solidão para pensar em si mesmo e realizar as atividades que mais gosta.
  • Pare de enganar a si mesmo: isto é, seja consciente e sincero.
  • Olhar compreensivo: tente ter uma perspectiva mais clara da situação, colocando-se no lugar da outra pessoa.

Lembre-se de que todos têm o direito de estar com quem quiserem. Respeitar a si mesmo passa por respeitar, também, o desejo do outro, mesmo quando esse desejo é se afastar de você.

Mulher abraçando a si mesma

Os benefícios de reconhecer o fenômeno da borboleta em chamas

Ao reconhecer o fenômeno da borboleta em chamas, teremos as seguintes vantagens:

  • Deixar a nossa vida fluir.
  • Nos reconstruirmos emocionalmente.
  • Reconhecer quais são os nossos limites e os da outra pessoa.
  • Tentar nos libertar através do perdão.
  • Trabalhar a empatia.
  • Começar a encontrar significado em nossas vidas.

Além disso, David Solá nos mostra a importância de nos esforçarmos para reconhecer esse fenômeno e construir uma nova direção por meio da criação de relações mais saudáveis, que nos levem a ter uma melhor qualidade de vida.

O fenômeno da borboleta em chamas pode nos capturar. No entanto, está em nossas mãos escapar de suas redes. Ao mesmo tempo, a autoestima, a dedicação, os limites e o autoconhecimento atuam como elementos de proteção contra essa ameaça.

  • Solá, D. (2016). Del caos emocional a la paz interior: cómo lograr una sanación integral. Tyndale House Publishers.