Filhos únicos: vantagens e inconvenientes

· março 8, 2019

Existem diversos mitos ao redor dos filhos únicos. Alguns deles possuem algum tipo de verdade por trás, mas não todos. Ao mesmo tempo, cada vez mais casais decidem ter apenas um filho, seja por questões financeiras ou por não possuírem uma quantidade de tempo suficiente para cuidar de mais crianças.

Claro que ser filho único não é a mesma coisa que crescer com irmãos. O tipo de família na qual a criança cresce exerce uma influência bastante grande na criação da personalidade. Isso não é, no entanto, nem bom nem ruim por si só. Ter irmãos não te torna necessariamente mais sociável e solidário, e não tê-los não te torna um pequeno tirano que é intratável.

“Os melhores presentes que você pode dar a seus filhos são as raízes da responsabilidade e as asas da independência”.
-Denis Waitley-

O fundamental em todos os casos é o estilo de criação e o exemplo que as crianças recebem em casa. No entanto, o mais comum é que os filhos únicos acabem desenvolvendo alguns traços de personalidade específicos. Há vantagens e inconvenientes, assim como também existem benefícios e malefícios de crescer com irmãos. Qual é a diferença? Veremos a seguir.

Os pais de filhos únicos

Muitos se perguntam se os pais de filhos únicos se comportam de maneira diferente dos pais de vários filhos. A resposta é que sim. Mesmo assim, a questão fundamental não é quantos filhos o casal possui, e sim o desejo que existia em relação à quantidade de filhos.

Pai, mãe e filha

Os pais de primeira viagem – e que acabarão só tendo um filho – que não estão muito seguros sobre qual é a melhor forma de exercer o papel de pai, mas que ao mesmo tempo realmente desejavam ter um filho, tenderão a ser um pouco ansiosos em relação à criação da criança.

É possível que consultem muitos livros e manuais para se orientar. Também é provável que se sintam culpados facilmente por tudo que não sai da forma planejada. A criança receberá todo o peso dessa tensão e poderia chegar a se tornar rígida de alguma forma.

Há pais que conscientemente se propõem a ter uma criança, mas no fundo não desejavam realmente se tornar pais. O mais comum é que nesses casos acabem delegando a educação do seu filho a terceiros. Talvez aos avós ou então a um empregado. O filho único nesse caso sentirá solidão em um grau maior que o usual, e é possível que tenha dificuldade na vida adulta para criar laços afetivos.

Finalmente, quem não deseja ser pai mas acaba tendo um filho único, pode ainda assim assimilar a situação de um jeito positivo e levar a criação da criança de uma forma natural. Ou, também, o filho poderia se converter no receptor exclusivo de todas as consequências desse conflito da vida do adulto, um conflito entre consciência de responsabilidade e desejo. Nesse caso, os filhos costumam ter muita dificuldade para encontrar o seu lugar no mundo.

Pequenos adultos

O doutor Toni Falbo, da Universidade do Texas, estudou a fundo o fenômeno dos filhos únicos. Segundo suas conclusões, um dos efeitos dessa situação é que as crianças convivem durante grande parte do seu tempo apenas com adultos. Por isso acabam se sentindo mais confortáveis entre adultos e se comportam como eles de forma mais precoce.

Crianças escrevendo na escola

Como efeito dessa situação, os filhos únicos tendem a ver os adultos, e até mesmo seus pais, como iguais. Percebem de uma maneira diferente essa distância entre as gerações. E então podem chegar a ver todas as pessoas mais velhas como seus pares. Isso pode levá-los a serem duros consigo mesmos. Exigirem de si uma maturidade que só deveria ser exigida dos adultos, ou então almejarem uma autonomia e sucesso incompatíveis com a sua idade.

Em contrapartida, Falbo afirma que os filhos únicos também tendem a ter uma maior autoestima e uma maior autoconfiança em si mesmos. É mais fácil para eles compreenderem o que os professores e outras figuras de autoridade esperam, e se tornam facilmente líderes entre as pessoas da sua idade.

O trabalho em equipe e os amigos

Os filhos únicos costumam ter um pouco mais dificuldade para se adaptar no momento de fazer trabalhos em grupo. Estão acostumados a organizar as coisas do seu jeito, e a tomar decisões baseados em suas questões individuais. No entanto, tudo indica que essa dificuldade só se manifesta nas primeiras vezes que esse tipo de trabalho se apresenta. O mais comum é que pouco a pouco eles se adaptem e consigam se integrar ao grupo.

Também há dados que indicam que os filhos únicos tendem a ter uma menor quantidade de amigos do que aqueles que cresceram com irmãos. Não se sentem confortáveis em grandes grupos. Preferem ter alguns amigos com os quais os laços são bastante profundos. Na verdade, acabam estabelecendo com os amigos um apego similar ao que outros estabelecem com seus irmãos.

Menina lendo um livro em seu quarto

O que já pode ser afirmado com maior precisão é que os filhos únicos têm traços ligeiramente diferentes das crianças que possuem irmãos. No entanto, as grandes diferenças só aparecem quando os pais têm uma relação problemática com a paternidade ou a maternidade, por diversas razões possíveis. Caso contrário, apresentam particularidades que não chegam a ser determinantes.