Bullying entre irmãos: um trauma infantil que predispõe à psicose

julho 28, 2019

Muitos pais subestimam a importância do bullying entre irmãos. Eles o justificam dizendo que “isso é coisa de irmão” e que não tem um impacto significativo. No entanto, não foi isso que concluiu uma pesquisa realizada pela Universidade de Cambridge. Nela, ficou demonstrado que o bullying familiar é um trauma infantil que tende à psicose.

Define-se como bullying familiar a conduta sistemática e contínua que se orienta a incomodar, intimidar ou derrubar psicologicamente um de seus membros. Em particular, este tipo de comportamento é observado entre irmãos, sendo bastante comum que um irmão mais velho o utilize com os mais novos.

“A violência não é poder, mas a ausência de poder”.
– Ralph Waldo Emerson –

O que o agressor busca é desestabilizar psicologicamente o outro. Um estudo realizado com 3.600 indivíduos revelou que estes tipos de condutas dão origem a um trauma infantil que predispõe à psicose na vida adulta.

Em palavras coloquiais, quem é agredido psicologicamente no seio da sua família por um irmão tem uma maior tendência a “enlouquecer”, isto é, a perder o contato com a realidade socialmente aceita.

O bullying familiar, um trauma precoce

As crianças, obviamente, são imaturas, e não são plenamente conscientes das consequências dos seus atos. No entanto, às vezes já existem traços psicopáticos, especialmente em famílias disfuncionais ou com graves problemas.

Pode acontecer, então, que um dos irmãos exerça a violência psicológica sobre o outro. O comum é que um dos maiores faça isso sobre um dos menores, mas o oposto também pode ocorrer.

Brigas entre irmãos

Um dos irmãos submete o outro a humilhações constantes. Quase sempre isso acontece nas brincadeiras, ou no que parecem ser brincadeiras. A agressão psicológica se disfarça de piada, desafio ou competição. O objetivo, quase sempre inconsciente, é expulsar aquele que está sendo importunado da família.

O comum é que o agressor veja a vítima como uma ameaça ao seu poder dentro da estrutura familiar. Quase nunca essa percepção corresponde à realidade; é uma perspectiva que nasce da insegurança, dos ciúmes, ou como uma proteção dos maus-tratos recebidos de algum dos pais, ou outros adultos. Assim, começa o ciclo do trauma infantil.

A vítima do bullying entre irmãos

É relativamente comum que a vítima do bullying familiar seja alguém amável, inteligente ou algo parecido. Qualquer virtude que o destaque representa uma ameaça para seus irmãos, e é assim que se inicia esse ciclo dramático.

Às vezes também ocorre o contrário: a vítima tem alguma fraqueza ou deficiência, e o outro se ressente de qualquer atenção especial que ela receba.

Menino triste por sofrer bullying na família

Em famílias com graves problemas de conduta, os pais exercem a sua crueldade e violência contra um de seus filhos. Este, por sua vez, projeta as mesmas condutas sobre um de seus irmãos. É uma maneira patológica de equilibrar a balança pelos maus-tratos sofridos.

Em geral, as vítimas têm duas alternativas: fugir do seu lar, ou fugir dessa realidade através de uma fissura em sua mente. No primeiro caso, eles se veem privados do núcleo central de proteção e ficam presos em um vazio. No segundo, surge o trauma infantil, que predispõe à psicose. Na vida adulta desenvolvem a esquizofrenia, o transtorno bipolar, ou depressões severas que podem incluir delírios e alucinações.

O trauma infantil que predispõe à psicose

Segundo a Universidade de Cambridge, as crianças que sofreram bullying de seus irmãos têm entre o dobro e o triplo da probabilidade de desenvolver uma psicose na vida adulta. Quem, além disso, sofre simultaneamente bullying na escola, é até quatro vezes mais propenso a desenvolver um transtorno mental grave.

O bullying entre irmãos adota muitos disfarces. Vai desde as piadas recorrentes para assustar o outro até a ridicularização constante, ou a crítica permanente ao que ele pensa, faz ou diz. Às vezes inclui agressões físicas, especialmente entre os meninos, que escondem o que acontece com desculpas de que brincam de “luta livre” ou karatê.

Irmãos brigando

Seja qual for o caso, o certo é que os pais são os primeiros responsáveis por permitir que se constitua esse trauma infantil. Eles são os responsáveis por fixar as regras do jogo na família. Então, ou proporcionam pautas disfuncionais, ou não têm o controle. Em ambos os casos, isso envolve uma falta de responsabilidade grave.