Fobia tipo Sangue-Injeção-Ferimentos ou SIF

janeiro 8, 2020
A fobia tipo Sangue-Injeção-Ferimentos transforma um exame rotineiro em um pesadelo. Felizmente, existem opções de tratamento.

Quando um leve medo ou aversão por uma situação se torna algo incapacitante, estamos diante de uma fobia específica. A fobia tipo Sangue-Injeção-Ferimentos gera uma grande interferência no dia a dia daqueles que dela sofrem.

As limitações são variadas: evitar realizar intervenções médicas necessárias, abandonar certas áreas de estudo ou não ser capaz de visitar ou cuidar de pessoas feridas.

Essa fobia, que aparece na infância por volta dos 7-9 anos, parece ter um componente genético. Assim, existe uma probabilidade elevada de se repetir em familiares de primeiro grau.

Além disso, apresenta um padrão característico de resposta fisiológica que a diferencia do resto das fobias específicas: a resposta bifásica.

Criança com medo de tomar vacina

O que é uma fobia específica?

As fobias específicas se caracterizam por um temor excessivo e irracional perante certos objetos ou situações. A pessoa tende a evitar o contato com eles ou os suporta às custas de um grande mal-estar. Da mesma forma, surge a ansiedade antecipatória diante da ideia de ter que entrar em contato com a situação temida.

No caso da fobia tipo SIF, a pessoa sente uma grande ansiedade diante da visão de feridas, sangue e injeções. Isso faz com que a pessoa fóbica evite qualquer contato com esses elementos, mantendo-se afastada de hospitais, salas de recuperação e, inclusive, filmes de conteúdo violento.

Quando a evitação não é possível, a ansiedade dispara. Suas manifestações são variadas: náuseas, tonturas, suor e palidez. Por vezes, a pessoa chega a desmaiar. Isso acontece de forma súbita e tem uma duração de, aproximadamente, 20 segundos. Após esse tempo, a pessoa se recupera por si só.

Afinal, por que isso acontece?

Resposta bifásica

O componente mais característico desse tipo de fobia é a resposta bifásica que ocorre após a exposição ao estímulo temido. Consiste em uma reação fisiológica dividida em duas partes: em primeiro lugar, ocorre um aumento da ativação do sistema nervoso simpático. Devido a isso, a pressão arterial, a frequência respiratória e o ritmo cardíaco aumentam.

Imediatamente em seguida, ocorre uma queda brusca nesses parâmetros, que leva à tontura e, posteriormente, ao desmaio. É o que se conhece como uma síncope vasovagal.

A prevalência de desmaios entre as pessoas que sofrem dessa fobia fica entre 50-80%, sendo bastante significativa.

Quais são as causas da fobia tipo Sangue-Injeção-Ferimentos?

  • Sensibilidade ao nojo: percebeu-se que, entre as pessoas que têm essa fobia, existe uma maior predisposição a sentir nojo. Portanto, diante da visão do estímulo temido, o nojo é ativado, provocando náuseas e o restante dos sintomas que levariam ao desmaio.
  • Hiperventilação: diante da presença do estímulo fóbico, a hiperventilação é produzida naturalmente, visto que ajuda a aliviar o mal-estar. No entanto, ocorre um déficit de dióxido de carbono no sangue, que leva a uma perda parcial ou total da consciência.
  • Distorção da atenção: parece que as pessoas com fobia tipo SIF apresentam uma distorção da atenção e, por isso, são mais rápidas e efetivas na hora de localizar estímulos relacionados a sua fobia. Além disso, elas tendem a interpretá-los como mais ameaçadores do que realmente são e colocam em prática comportamentos de evitação.
Mulher com medo de injeção

Tratamento da fobia tipo Sangue-Injeção-Ferimentos

Os dois principais focos de tratamento para essa fobia são a tensão aplicada e a exposição ao vivo. O primeiro deles tem o objetivo de evitar o desmaio e consiste em tensionar um grupo de músculos para aumentar o batimento cardíaco e prevenir a síncope. É um tratamento eficaz e simples que, além disso, aumenta a sensação de controle do indivíduo sobre a sua fobia.

Por outro lado, a exposição ao vivo consiste em entrar em contato de forma gradual com o estímulo temido, sem permitir a resposta de evitação. A pessoa vai sendo exposta a imagens e procedimentos relacionados ao sangue, às feridas ou às injeções, e tem que permanecer na situação até que a ansiedade diminua.

Dessa forma, ao deixar de evitar a situação, ela consegue comprovar que o estímulo fóbico é realmente inócuo e que a ansiedade vai desaparecendo.

Para concluir, este é um transtorno que condiciona de forma significativa a vida de quem sofre com ele. Impede a pessoa fóbica de assistir a certos filmes, exercer certas profissões (medicina, enfermagem) ou se aproximar de pessoas feridas. Sobretudo, faz com que a pessoa fique incapacitada de realizar certos procedimentos médicos. A terapia psicológica pode ajudar a superar essa fobia e as suas limitações.

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Pinel, L., & Redondo, M. M. (2014). Abordaje de la hematofobia y sus distintas líneas de investigación. Clínica y Salud25(1), 75-84.