Como fomentar a motivação nos estudantes?

· março 9, 2018

Quando um aluno começa a ficar mais velho e a escola avança no ensino, o fator motivacional converte-se em um dos aspectos mais importantes do aprendizado. Os alunos desmotivados que costumam ser mais relaxados com os afazeres também costumam ter outros comportamentos que já seriam complicados de lidar por si só. Por isso é bastante importante intervir pelo menos em um comportamento e tentar fomentar a motivação nos estudantes.

Com o desenvolvimento social, alguns comportamentos vão sendo assimilados, assim como valores e regras que vão formando a personalidade da pessoa. Ela adquire um modo de pensar, de sentir e de atuar que são mais individuais que na primeira infância e no início da educação. Nessa fase, a rebeldia, a apatia, a falta de perspectiva, o isolamento ou a fuga são fatores de risco a serem levados em consideração, que podem ser melhor combatidos se a motivação também for fomentada em paralelo.

Fomentar a motivação nos estudantes é a chave para melhorar seu desenvolvimento e a qualidade do seu rendimento.

Que tipo de motivação pode ser promovida?

A motivação é o ingrediente essencial que toda pessoa deve ter para obter sucesso e alcançar suas metas. Essa é a condição básica, o fator que impulsiona a ação. Tradicionalmente, os autores distinguem dois tipos de motivação:

  • A motivação intrínseca é a que promove a realização de ações que são interessantes por si mesmas para a pessoa. São aquelas que geram satisfação pelo simples fato de estarem sendo feitas.
  • A motivação extrínseca é mais utilitarista. Ela se refere à execução de atividades que são utilizadas como meio ou veículo para conquistar outros objetivos, ou evitar algum castigo. Por exemplo, falamos de motivação extrínseca quando uma criança faz sua lição de casa de língua portuguesa e literatura para poder sair e jogar futebol com seus amigos.
Criança estudando

Se conseguirmos que o estudante leia porque ele acha realmente interessante o que está estudando e se sinta, por isso, realizado, teremos alcançado o sucesso na busca pela motivação intrínseca pretendida. Mas esse tipo de motivação não é algo generalizado. Por isso que a internalização é tão importante. Ela é um processo de assimilação de comportamentos, valores e regras que vão se desenvolvendo, em uma relação com o social, desde a infância. É um processo que é impulsionado pelo ambiente, e que passa a ser próprio da pessoa, de forma autônoma.

A motivação intrínseca é, portanto, o objetivo ao qual queremos chegar com a educação. Ela é, por si mesma, um objeto de estudo, pois podemos pesquisar como incentivar seu desenvolvimento.

O rendimento escolar e a motivação nos estudantes

Good e Brophy (1983) afirmam que o conceito de motivação, quando aplicado ao contexto escolar, faz referência principalmente a dois aspectos:

  • O grau de participação do aluno em sala de aula.
  • A perseverança do aluno nas tarefas, independentemente da atividade proposta.

Os autores concluem que existe uma correlação positiva de intensidade moderada (0,34 estatisticamente) entre a motivação e o rendimento. Trata-se de uma relação bidirecional, pois tanto a motivação influencia o rendimento quanto também ocorre a via inversa. Dessa forma, um estudante motivado terá um bom rendimento, o que, por sua vez, também aumentará a motivação do estudante, mantendo-a em um nível alto.

É interessante destacar que existem diferenças significativas no rendimento das crianças em famílias com mais de um filho. Uma criança pode mostrar motivação maior que seu irmão ou irmã em relação à mesma tarefa. O lado positivo é que os que têm dificuldades, como por exemplo uma alteração linguística, podem ser bastante motivados na hora de seguir uma meta, precisamente pelo exemplo do desempenho do outro e a vontade de superação. O lado negativo é que crianças com uma inteligência bastante alta podem se acomodar com um desempenho mediano que estejam obtendo se estão no lado mais destacado da gangorra dos irmãos.

Tendo isso em conta, é muito provável que os estudantes com altas capacidades que se conformam, ao longo do desenvolvimento, com resultados medíocres, se convertam em casos de fracasso escolar quando avançam na educação, como no ensino superior. A razão é que essas crianças não adquirem e interiorizam o valor do esforço. A percepção acaba sendo que as exigências das tarefas, conforme ficam mais complexas, são muito mais elevadas que suas capacidades de aprendizagem.

Mãe ajudando filho a estudar

Fomento da motivação intrínseca no estudante

O principal problema acontece quando os responsáveis não investem a dedicação suficiente para fomentar a motivação nos estudantes. E é ainda pior se a família não percebe essa situação. Como conseguir que um adolescente tenha motivação intrínseca se ele nunca foi treinado para isso?

É preciso fazer os responsáveis e o afetado perceber o que significa esse conceito e as consequências de não ser motivado. Isso porque a motivação é um comportamento e poderia ser gerada uma modificação de pensamento, se houvesse uma intervenção. Nesse contexto, é possível e desejável, por exemplo, gerar uma perspectiva de desenvolver a habilidade de projeção mental de execução e alcance de sucesso. Porque se não houver pensamento direcionado à motivação, e nem hábito, deve-se criar essa necessidade.

Além disso, é preciso conscientizar os pais ou os responsáveis pela educação da existência de outros padrões, diferentes dos usados até então. Entre eles é possível fomentar a autorregulação, tornando a criança responsável pelas suas decisões.

Programa de motivação de McClelland

O psicólogo americano David McClelland criou um programa de motivação para salas de aula que contempla os seguintes pontos:

  • A socialização do gosto pela novidade
  • O fomento da curiosidade na criança
  • Fomento da autonomia pessoal, mediante a busca de resultados concretos em tarefas com metas
  • Aprendizagem de autoavaliação
  • Responsabilidade
  • Insistência dos pais para níveis elevados de rendimento e sua avaliação explícita
  • Predileção pela educação independente

Além disso, as teorias de motivação existentes coincidem em afirmar que o valor que o estudante dá a si mesmo naquele contexto é afetado por variáveis motivacionais afetivas. Entre elas, o rendimento escolar ou sua própria percepção de esforço e habilidades.

Jovem estudando

Os alunos com uma alta motivação para o sucesso (com esforço para se destacar, lutar pelo êxito e alcançar seus objetivos pré-definidos) consideram que seus triunfos se devem à ousadia e coragem pessoal. Eles têm uma maior autoestima que crianças com uma baixa motivação.

Com todas essas consequências, fica evidente a importância de fomentar a motivação nos estudantes desde o início da educação escolar.